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domingo, 24 de julho de 2011

Amy já estava morta há tempo

Londres, 23 de Julho, 16:05 horas. A polícia recebe um chamado dizendo que fora encontrado um cadáver de uma mulher de 27 anos. Essa jovem era Amy Winehouse, encontrada em sua casa no bairro de Camden.

Amy era um dos maiores nomes da música pop atual. Compunha suas próprias músicas a partir das dores da vida pessoal (de amores não correspondidos a complicações com bebidas e drogas). Sua voz tinha um timbre único e suas interpretações eram profundas e carregadas de emoção. Uma das maiores cantoras dos últimos tempos. Sem dúvidas, um grande talento.

Entretanto, a inglesa veio ganhando destaque não pela sua arte, mas sim pelos excessos cada vez mais frequentes. Assim, Amy se tornou uma grande caricatura. A junkie do século XXI. E por incrível que pareça, aprovada pela sociedade. Os jornalistas acharam um assunto que sempre dava audiência para suas reuniões de pauta. Por sua vez, os fãs - não o admirador sensato que reconhece os erros e acertos do artista - cegos e emburrecidos pelo próprio fanatismo, iam aos shows sedentos para ver uma cena de bebedeira.No show que fez no Recife, no começo do ano, em um festival que contou com com outros dois nomes do neo-soul Janelle Monáe e Mayer Hawthorne, ela foi mais aplaudida quando caiu depois de uma pirueta mal-sucedida do que quando cantou seus maiores hits.

Amy vinha de um processo de decadência artística. Ela já não lançava um novo disco há mais de quatro anos. As músicas inéditas que tocaria na turnê brasileira ficaram apenas na promessa. Sua voz já tinha perdido uma boa parte de sua potência e os shows viraram verdadeiros desastres. Seu último show em Belgrado, Sérvia, ela subiu ao palco com uma hora de atraso, mal se aguentava de pé e esqueceu as letras das músicas mais vezes do que o normal - pois é, Amy esquecer as letras já é considerado normal. Resultado: o público mostrou seu senso crítico e expulsou a cantora sob vaias e culminou no cancelamento da turnê européia.

Juntamente com Joss Stone, Winehouse reanimou e deu uma nova roupagem a soul music. Lançou o ótimo Back To Black e o razoável Frank, praticamente desconhecido aqui no Brasil.De fato, uma contribuição notável ao mundo da música. A sua morte prematura agora traz falsas condolências de artistas querendo se promover, fãs acéfalos chorando, a mídia fazendo elogios exagerados e outras pessoas tristes e comovidas sem saber o porquê.

Deixemos os discursos arrependidos e lágrimas hipócritas (vai dizer que você nunca zombou da cantora que não conseguem ficar de pé e que está sempre com uma garrafa de bebida ao alcance da mão?). Vale a pena ouvir seus dois discos novamente e admirar sua música de forma consciente, sem engolir os comentários e as reportagens exageradas que a supervalorizam. O corpo Amy Winehouse morreu ontem, mas artisticamente, ela já estava morta - e todos sabiam.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Um show sem público

Parece um absurdo: um show em ruínas antigas e sem nenhuma audiência. Mas o que aparenta ser um grande fracasso, se tornou um grande sucesso e umas das mais marcantes imagens e performances de uma das maiores bandas da história da música.

Roger Waters se sentia cada vez mais distante do público, que ia aos shows e ficavam, segundo ele, pulando e gritando o tempo todo e não prestavam atenção na música. O baixista e principal compositor do Pink Floyd sentia-se mais angústiado e perdendo a sua identidade, o que foi capturado nos versos ''Estranhos passando na rua /Acidentalmente dois olhares se encontram / Eu sou você e o que eu vejo sou eu'', de ''Echoes''. Assim sendo, Waters teve a ideia de fazer um gravação em vídeo de um show para ninguém (com exceção de alguns membros da equipe), dando assim, foco à banda e a música, sem imagens do público.

O local escolhido pela banda foi o Anfiteatro de Pompéia, que foi destruído pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 D.C., cuja chuva de cinzas manteve a cidade oculta por 1600 anos antes de ser reencontrada. O governo italiano concordou com o projeto e deu um prazo para a equipe fazer as gravações (segundo algumas fontes, esse prazo seria de cinco dias). Mas ninguém pensou num detalhe importante: como vão conectar os equipamentos em um lugar que foi feito há milhares de anos e não tem uma tomada? Assim, foram gastos de dois a três dias para puxar energia elétrica da cidade até o Anfiteatro.

Com todos focados apenas na música, sem a pressão de entreter grandes platéias, a musicalidade e a criatividade dos músicos desabrocha. E todos eles têm seu momento de destaque. Em ''Set The Controls For The Heart Of The Sun'', se sobressaem o vocal hipnótico de Waters e o solo de teclado de Richard Wright. Em ''Saucerful Of Secrets'' é realçada a experimentação na guitarra de David Guilmour, e em ''One Of These Days'' a performance mastodônica de Nick Mason na bateria. ''Mademoiselle Nobs'' traz um momento curioso: um cachorro ''cantando''.

Mas o principal momento é a execução da épica ''Echoes'', dividida em duas partes que abrem e encerram o vídeo. Com essa versão ao vivo em Pompéia, que mesclava imagens da banda com imagens do Anfiteatro, a sinfonia psicodélica do Pink Floyd fez sucesso no mundo todo. Mesmo com mais de vinte minutos, tocava na rádio e era exibido com frequência na MTV.

a banda tem grande liberdade de movimento e experimentação. As músicas se combinam perfeitamente com as imagens das ruínas do belíssimo teatro e criam uma ambientação única e especial. Anos mais tarde, o trio de hip hop Beastie Boys mostrou a sua admiração pelo vídeo no clipe de ''Gratitude'', com referências óbvias ao show do Pink Floyd em Pompéia, incluindo as caixas de som com a inscrição Pink Floyd London. Veja os vídeos abaixo e compare.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O dia mundial do rock

Nesta altura do campeonato, com toda a cobertura da grande mídia, você já deve estar sabendo que hoje, dia 13 de julho de 2011 é ''o dia mundial do rock''. Mas poucos dos entusiastas que comemoram essa data prosaica conhecem a sua origem e ''celebram'' sem aprofundamento algum.

Para chegar às origens do dia do rock, é necessário voltar no tempo. Há 26 anos, acontecia o Live Aid, um festival que ocorreria simultaneamente na Filadélfia, nos Estados Unidos e na capital inglesa Londres afim de arrecadar fundos para povos famintos da Etiópia.

O festival foi fundado pelo músico Bob Geldof. Tudo começou quando a carreira da sua banda, The Boomtown Rats, definhou em 1984. Durante aquele período, Geldof viu uma matéria na BBC sobre a fome na Etiópia e prometeu a si mesmo fazer algo para mudar aquilo.

Ele uniu forças com Midge Ure, guitarrista e vocalista da banda Ultravox, e compôs a canção ''Do They Know It´s Christmas?'' e conseguiu o apoio de grandes nomes da música pop britânica, como Paul McCartney, Boy George, James Taylor, Bono Vox, David Bowie, Phill Collins, Sting, que se reuniram sob o nome Band Aid para gravar o single beneficente. A ideia era arrecadar em torno de 70.000 libras, mas o sucesso foi muito além, vendeu milhões e se tornou o single mais vendido da história do Reino Unido. Alguns meses mais tarde, Michael Jackson, Stevie Wonder e Lionel Ritchie beberam da mesma fonte lançando o hit ''We are The World''. Geldof percebeu a influencia do seu trabalho e notou que poderia fazer mais pela sua causa. Então se juntou novamente à Ure para fundar o Live Aid.

O trabalho do promotor Harvey Goldsmith foi essencial para o sucesso do evento. Graças a sua atuação, o festival foi ganhando notoriedade enquanto mais artistas aceitavam participar, o que resultou num dos maiores casts de todos os tempos. Na inglaterra, entre os principais destaques estavam Queen, Led Zeppelin, The Who, David Bowie, U2 e Paul McCartney. No lado americano, brilharam Black Sabbath, Judas Priest, Neil Young, Eric Clapton, Santana + Pat Metheny e Joan Baez, que logo após tocar a sua primeira música, falou ao público: ''Este é o Woodstock de vocês''.

No Wembley Stadium, o público foi de 82 mil pessoas, e no John F. Kennedy Stadium 99 mil. A arrecadação estimada era de um milhão de libras, mas novamente ouve uma surpresa agradável: o valor final reunido ultrapassou as 150 mil libras. Vale destacar que o preço do ingresso era de apenas 25 libras/dólares, como é mostrado no cartaz acima a esquerda.

A imprensa elevou o festival. O jornal britânico Sunday Mirror titulou a matéria do evento com a seguinte frase em letras garrafais: ''DE OUTRO MUNDO''. O Melody Maker estampou uma foto de Bob Geldof em duas edições - uma antes e uma depois do festival -, a segunda acompanhada uma matéria especial com oito páginas que dizia que o Live Aid teria sido o ''maior show da terra'', e a Rolling Stone fez uma edição especial inteiramente dedicada ao festival (foto que abre o post).

Por todo o seu trabalho, Bob Geldof foi indicado ao prêmio Nobel da paz e foi condecorado com o título de Cavaleiro do Império Britânico, já que não podia receber o título de Sir por não ser inglês, e sim irlandês.

Do ponto de vista prático, o dia do rock tem valor apenas comercial. Mas quem descobre as origens e o motivo data, entende a magnitude e a importância do rock no mundo. E isso sim merece ser festejado. Todos os dias.

Grandes momentos do Live Aid - clique para assistir ao vídeo:

Queen - Bohemian Rhapsody

Joan Baez - Amazing Grace

U2 - Sundat Bloody Sunday

Mick Jagger e Tina Turner - State Of Shock e It´s Only Rock n´ Roll

Eric Clapton - Layla

Dire Straits e Sting - Money For Nothing

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pré-bandas

As bandas costumam mudar de nome quando estão em seus primeiros meses de vida. Algumas mudam até de estilo musical e o tipo de roupas que veste. Mas alguns grupos, antes de mudar de nome ou adicionar e/ou retirar algum outro integrante, gravaram alguns discos, hoje disputados a tapa por colecionadores. Esses discos são chamados ''pré'', gravados por pré-bandas. Abaixo você vai conhecer a história desses grupos e poderá ouvir uma música de cada.

The Beatles

Na foto acima você encontrará três rostos conhecidos: John Lennon, Paul McCartney e George Harrison. Mas esse não são os Beatles, são os The Quarrymen, grupo formado em 1957 por Lennon e alguns amigos seus de escola. O pré-Beatles. Eles nunca gravaram um disco completo, mas deixaram diversos singles. Abaixo você ouve ''That´ll Be The Day'', a primeira gravada pelo quinteto (sim, quinteto) de Liverpool.


T. Rex

O T.Rex ganhou fama na década de 1970 com hits como ''Get It On (Bang a Gong)'', ''Children Of Revolution'' e ''20th Century Boy'', liderando o movimento glam rock junto com David Bowie, Gary Glitter, Roxy Music e New York Dolls. Mas uma década antes, o T.Rex era chamado de Tyrannosaurus Rex, era apenas um duo, constituído pelo carismático Marc Bolan e Steve ''Peregrine Took'', que faziam um folk psicodélico. Lançaram quatro discos, sendo o primeiro, My People Were Fair And Had Sky In Their Hair... But Now They Content To Wear Stars In Their Brows, o mais bem sucedido - e também o álbum com título mais extenso já lançado. No vídeo abaixo o duo interpreta ''Debora'', em 1968 no Kempton Park.


Creedence Clearwater Revival

Doug Clifford, Stu Cook, John Forgety e o seu irmão mais velho Tom Forgery formaram um grupo chamado The Blue Velvets para tocar músicas que faziam sucesso nas jukeboks da cidade. Em 1964, a banda assinou um contrato com o selo independente Fantasy. Para o primeiro lançamento do grupo, o vice-presidente da gravadora, Max Weiss, sugeriu um novo nome: The Golliwogs. Os rapazes aceitaram e gravaram o disco. O disco seguinte demorou oito anos para ser lançado e trouxe não só uma formação diferente (Stu deixou o piano e passou a tocar baixo, Tom foi para guitarra base e John virou o líder da banda, compondo tudo), mas também um nome diferente: Creedence Clearwater Revival.




Spooky Tooth

O Art lançou apenas um disco, Supernatural Fairy Tales em 1967 sob o selo Island. Depois adicionou o tecladista Gary Wright (que sairá em turnê este ano com Ringo Starr e sua All Starr Band) à formação e mudou seu nome para Spooky Tooth, tradicional banda de hard progressivo inglesa. O som do Art não tem nada a ver com o prog, trata-se de canções curtas e psicodélicas, mas com refrões fáceis e guitarras afiadas e esporrentas. Um power pop lisérgico.


Queen

Smile era um trio de blues rock formado por amigos de escola: Brian May, Roger Taylor e Tim Staffel. O grupo gravou seis músicas, sendo dois covers, pela gravadora Mercury Records. Em 1970, o baixista e vocalista Staffel saiu da banda e apresentou os rapazes a Farokh Bulsara, que por sua vez, passaria a ser conhecido por Freddie Mercury. Depois de várias audições para encontrar um baixista, John Deacon assumiu as quatro cordas e a banda passou a se chamar Queen. A principal composição do Smile é ''Doing All Right'', que foi regravada pelo Queen e incluída no primeiro disco da banda, com os devidos créditos à dupla que a compôs: May e Staffel.



Black Sabbath

Tudo começou quando Tony Iommi e Bill Ward, respectivamente guitarrista e baterista da banda Mythology, leram um cartaz de um vocalista, ainda sem banda, que dizia: ''Ozzy Zig requires a gig''/(''Ozzy Zig procura um show''). Iommi, que estudou na mesma escola que Ozzy, recusou formar uma banda com ele, mas depois de muita insistência do seu amigo Bill Ward, acabou aceitando. Ozzy trouxe mais dois guitarristas da Rare Breed, sua antiga banda: Gezeer Butler, que passou a ser o baixista, e Jimmy Phillips. Também foi incluído ao line up o saxofonista Alan Clarke, e a banda foi batizada pela primeira vez com o nome - sem noção - Polka Tulk Blues Band, encurtado mais tarde para Polka Tulk.
Após a saída de Jimmy Phillips e Alan Clarke, a banda passou a chamar-se Earth e começou a construir um repertório voltado para o Blues e nas suas pequenas apresentações, fazia covers de Hendrix, Blue Cheer, Cream e Beatles - esta última uma paixão de Ozzy até hoje.

O material que se encontra do Mythology é uma gravação amadora, feita por alguém da platéia no último show da banda. Já o Earth gravou um EP com cinco músicas em 1969. O nome Polka Tulk Blues Band durou apenas um mes, por isso não se encontra registro, nem de gravações amadoras, do seu som.





domingo, 3 de julho de 2011

Quando o rock encontra um truta

Assim como o rock, o rap surgiu com negros que estavam à margem da sociedade. Gil Scott-Heron, auto-definido como ''um negro dedicado à expressão do prazer e orgulho da negritude'', é apontado constantemente como ''o padrinho do rap'' devido as ferozes críticas que redigia ao governo e a população através de músicas-manifesto e pela sua vocalização ''falada'', rotulada na época como spoken word, como pode ser ouvido em ''The Revolution Will Not Be Televised'', lançada em 1971 e seu principal epitáfio.

Mas a explosão do rap veio na década seguinte, quando foram lançadas duas faixas que mudaram e definiram o esilo: ''The Message'', do Grandmaster Flash, e ''Fuck Tha Police'', do N.W.A.. A primeira abre e dá nome ao disco de estréia do Grandmaster Flash, e apesar da letra pesada sobre a decadência urbana, com versos que retratam junkies, ruas sujas, armas, gangues, assasinatos e violência, foi muito bem aceita pelo público e pelas rádios, sem contar o clipe que rodava sem parar na MTV.

Já com a polêmica ''Fuck Tha Police'' foi diferente. Sete meses após o seu lançamento, o FBI mandou um boletim para Priority Records. Segundo a corporação, a música ''estimula a violência policial''. Em consequência, a MTV proibiu a veiculação do clipe de ''Straight Outta Compton'', o que aumentou as vendas do álbum e colocou o N.W.A. como os bad boys do rap.

A primeira música que fundiu o rap e o rock foi ''Rapture'', sucesso do Blondie que chegou no topo da parada norte-americana. Com pouco mais de sete minutos, Debbie Harry inovava ao ''rapear'' sob a base rítmica rock no meio da canção. Não por coincidência, ''Rapture'' foi sampleada junto com vários outros hits (entre eles ''Another One Bites To Dust'', do Queen) na faixa ''The Adventures Of Grandmaster Flash On The Wheels Of Steel'', incluída em The Message.

Mas a união dos ritmos só veio definitivamente em 1986, quando o Aerosmith se juntou ao trio Run DMC para regravar uma versão de ''Walk This Way'', lançada originalmente por Tyler e sua trupe em 1975. O sucesso estrondoso da música não só aumentou a popularidade dos rappers, como também botou o Aerosmith em foco novamente depois do fraco Done With Mirros e do pavoroso Rock In A Hard Place.

No mesmo ano, o trio Beastie Boys sacudiu o mundo do rap. Antes de tudo, eram brancos e descendentes de judeus, quebrando o paradigma de que era música de negro. Além disso, incorporavam ritmos do funk e do rock. O debut do trio, até hoje o mais conhecido do grupo, Licensed To Ill, traz uma participação especial de peso: o companheiro de selo Kerry King, guitarrista do Slayer, que faz o solo de ''No Sleep Till Brooklin'' (uma referência ao disco ao vivo do Motörhead No Sleep Till Hammersmith). O álbum chegou ao topo das paradas e vendeu em torno de 360 mil cópias, sendo o primeiro passo na popularização do rap, que a partir daí deixou de ser música de marginal para virar mainstream.

Hoje as rádios exigem ao menos um dedo de rap, o que gerou artistas medíocres que fazem apenas pontas em músicas alheias. Dessa forma, o new metal e seus principais grupos - Korn, Slipknot, Limp Bizkit, Rage Against The Machine - são os nomes mais populares da música pesada atual, agradando jovens que não se identificam com o pop radiofônico e com pouco repertório de rock. A combinação de rap com o rock ou heavy metal assim como com os outros gêneros, já virou lugar comum. Uma fórmula que está sendo repetida cada vez mais vezes e sem criativadade alguma, criando bandas gênericas como o Linkin Park, que só empobrecem a fusão e criam, para os rockeiros mais antigos, o esteriótipo de que rap e rock não funcionam juntos. O jeito agora é esperar que surja alguém e mude tudo isso.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Heróis do Udigrudi


O Brasil teve vários movimentos musicais que sacudiram o mundo. A bossa nova no fim década de 1950 e a tropicália nos últimos anos da década seguinte. O udigrudi surgiu no recife e conciliava o rock psicodélico e a música regional. O movimento tinha caráter de contra-cultura, uma espécie de ''pós-woodstock recifense'' e ia muito além da música, englobando também peças teatrais, o cinema, artes plásticas, literatura e artesanato.

O pioneiro dessa fusão de ritmos distintos foi Lula Cortês, que abriu as portas do udigrudi com o seu disco de estréia, Satwa, que também incursionava pela música oriental e era movido a cogumelos alucinógenos. Foi lançado em 1973 com a participação de Lailson - que ganhou fama internacional pelos seus cartuns e charges publicados nos jornais Diário de Pernambuco e O Pasquim - tocando craviola e do prodígio da guitarra Robertinho do Recife. Lailson diz que Satwa é todo instrumental porque não queria apresentar as letras à polícia federal - o que era lei na época da ditadura militar. O álbum também foi o primeiro independente nacional e não teve boa repercussão na época, um lenda underground obscurecida. A distribuição foi basicamente regional; não houve reedição em vinil e ainda permanece inédito em CD.


Cortês abriu as portas de sua casa e a transformou num recanto cultura, um verdadeiro ''QG da psicodelia'', como descreveu Zé da Flauta, um ativo participante do movimento. ''uma escola de artes aberta onde se fazia livros, discos, shows, fotografia, filmes Super 8, trabalhos gráficos e se ouvia muita música, muita!'', relembra. Com a sua casa transformada em ponto de encontro, é de se entender porque o disco seguinte, Paêbiru, o ''Tropicalia nordestino'' (uma comparação sensata, tendo em vista que reuniu grandes nomes da cena, como Geraldo Azevedo e Alceu
Valença) demorou dois anos para ser lançado. Mas também não há motivos para reclamar: Paêbiru não só apresentou o paraibano Zé Ramalho - cansado de embalar músicas iê iê iê e da jovem guarda em bailinhos de João Pessoa - ao mundo, é um dos melhores discos nacionais da história, com pedradas como ''Nas Paredes da Pedra Encantada, O Segredo Talhado Por Sumé'', a pancada lisérgica de ''Trilha de Sumé'' e ''Não Existe Molhado Igual ao Pranto'', claramente feita sob efeito de ''expansores do músculo cerebral'', como diria o grande Arnaldo Baptista.
Os quatro lados do vinil duplo homenageavam os quatro elementos da natureza. Houve apenas uma prensagem do álbum de 1.300 cópias, sendo que 1.000 foram destruídas após a enchente que abalou a capital pernambucana naquele ano e abalou o estúdio em que estavam estocados; as cópias restantes que estavam no carro de Kátia Mesel, esposa de Lula e responsável pela mística arte da bolacha. Hoje Paêbiru é o disco mais caro do Brasil, superando a estréia de Roberto Carlos em Louco Por Você. Uma cópia da primeira tiragem em bom estado pode valer até 4.000 reais.

A casa de Côrtes e sua esposa Kátia não era o único ponto de referência dos artistas do movimento. O Beco do Barato, na avenida Conde da Boa Vista, centro do Recife, abrigava reuniões da vanguarda. Zé da Flauta, Lula Cortês, Lailson e integrantes do Ave Sangria eram figurinhas carimbadas de lá. Em 2004, foi lançado o CD A Turma do Beco do Barato - Antologia 70. O projeto foi idealizado por Humberto Felipe, que explicou o porquê da realização do CD para o jornalista Marcos Toledo, do JC Online: “Toda essa história ficou meio esquecida, tanto de gente de hoje quanto de quem viveu a época e não estava antenado.” Fã do Ave Sangria, conta que a idéia sugiu como uma homenagem a banda com participações especiais. “Ao invés de ficar limitado a um nome, resolvi ampliar, não usar o nome Ave Sangria, mas pegar o mais representativo e fazer a Antologia 70”, explica.

A decisão foi sábia: das onze canções da tracklist, sete são inéditas, duas que a Phetus (que contava com Lailson e Zé da Flauta) e a Ave Sangria fizeram a cerca de 30 anos atrás mas nunca tiveram a chance de gravar. As regravações de ''Dois Navegantes'' e ''O Pirata'' por Almir e Marco Polo respectivamente, os principais compositores do Ave Sangria, e ''As Estradas'' e ''Dos Inimigos'' foram valorizadas pela ótima qualidade da gravação, constratando com o som das versões originais.

O Ave Sangria é banda mais popular do udigrudi (talvez por ter sido a única que assinou com uma grande gravadora, a Continental) e até hoje se apresenta em alguns festivais, como
aconteceu nas últimas edições do Psicodália e do Abril Pro-Rock, se apresentando ao lado dos admiradores conterrâneos da Anjo Gabriel. A Ave tinha uma postura que chocava a todos: usavam batom e se beijavam em pleno palco. Mais tarde, Rafles - uma espécie de acessor do grupo e notório doidão da época que chegou a mandar um baseado pelos correios para Paul McCartney (e recebeu em resposta uma fotografia autografada e o devido agradecimento do Beatle) - acaba com a lenda em volta da banda: ''O batom era 'Mertiolate', que a gente usava para chocar. Não sei de onde surgiu essa história de beijo na boca, a única coisa diferente na turma eram os cabelos e as roupas.''
Apesar de ter sido pouco divulgado, o primeiro e único disco homônimo do conjunto teve uma boa repercussão, principalmente no Sudeste, mas a faixa de maior sucesso, o samba-choro ''Seu Waldir'' foi censurada pela ditadura da época, que a considerou como uma ''apologia ao homossexualismo''. O álbum foi relançado sem a polêmica música, mas a mídia já tinha perdido o interesse nos rapazes. A rede Globo, por exemplo, não transmitiu o clipe de ''Georgia A Carniceira'' feito para o Fantástico. Com isso o grupo perdeu o pique: ''A gente era um bando de caras pobres, alguns já com filhos, a grana sempre curta. No aperto, chegamos até a gravar vinhetas para a TV Jornal (uma delas para o programa Jorge Chau)", relembra Marco Polo

Começaram a aparecer teorias de que o Waldir citado na música era real e o vocalista havia se apaixonado por ele. Marco esclarece tudo: "Eu fiz Seu Waldir, no Rio, antes de entrar na banda. Ela foi encomendada por Marília Pera para a trilha da peça A Vida Escrachada de Baby Stomponato, de Bráulio Pedroso, que acabou não aproveitando a música".

Outro disco que merece ser destacado é No Sub Reino dos Metazoários, do paraibano Marconi Notaro. Em ''Ah Vida Ávida'', Notaro, Cortês e Zé Ramalho fazem uma pequena obra prima, um lamento viajandão, mas o momento mais radical é ''Made In PB'', um rockão com a épica guitarra distorcida de Robertinho do Recife e efeitos de eco.

Alceu Valença e Geraldo Azevedo foram outros que simpatizaram com udigrudi: a estréia dos dois foi com o disco Quadrafônico, que denotava influência da cena em canções como ''Planetário'' e sua letra viajandona, e na dramática ''Erosão'', carregada de variações de andamento. Alceu ainda beberia mais da fonte psicodélica no disco Vivo!, de 1976.

Hoje em dia, o udigrudi é desconhecido da maioria dos brasileiros, amado por colecionadores e gringos fãs da música brasileira. Lamentável, a cena foi muito mais do que ''o hippie nordestino'' ou mais alguma reação pós woodstock, revelou artistas de renome, respeito e qualidade inquestionáveis e influênciou outras revoluções da música que surgiriam a seguir, como o manguebeat, liderado pelo memorável Chico Science na década de 1990. Mas também não ficou só na música, o udigrudi combateu a ditadura valorizando a força do pensamento e das idéias e mostrou um novo jeito de ser e de fazer.

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terça-feira, 22 de março de 2011

A nova MTV

Quando fundada, em 1981, a MTV revolucionou o mercado da música. Um bom som não bastava para cativar o público: era necessário um vídeo clipe, como diria um de seus slogans, ''Music To Your Eyes'' . A emissora tornou-se um verdadeiro ponto de divulgação para as bandas que iniciavam a sua carreira profissional, e um centro de entrenimento, diversão e informação musical para os jovens, em tempos que o MP3, o download e a internet eram artigos de filme de ficção científica.

Mas nesses últimos anos, a emissora sofreu algumas mudanças em sua grade de programação, com tempo destinado a música diminuindo cada vez mais e sendo substituídos por reality shows americanos e programas de comédia, além da queda de qualidade dos VJ´s, que anteriormente eram experts em música, agora só precisavam ter rostinhos bonitos e ser descolados. O mesmo canal que alavancou a carreira de grupos como Chico Science & Nação Zumbi e Raimundos, deu o prêmio de revelação a bandas do naipe de Nx Zero e Restart; e consequentemente, teve uma drástica queda de credibilidade e audiência.

Mas 2011 parece ser o ano da mudança. Para começar, Zico Goés, que foi responsável pela programação por dez anos re-assume seu posto. Vários apresentadores foram cortados da equipe. Entre eles, os veteranos Marina Person, Penélope Nova e Léo Madeira. Tudo isso porque a emissora quer abrir seus horizontes e alcançar um público mais adulto e voltar a ser a Music Television. Assim, assumiram o papel de VJ o músico Chuck Hipólito (ex-Forgotten Boys), China (figura carimbada na música independete nacional,colaborador do Mombojó, integrante do Del Rey e com carreira solo), e a editora do blog Rraurl Gaía Passareli. Renomado Arnaldo Antunes (ex-Titãs, carreira solo), que vai comandar um programa chamado Grêmio Recreativo, que vai reunir vários músicos do Brasil para fazer um show mensal. Conheça os principais destaques dessa ''nova'' MTV:

O Big Audio vai ao ar de segunda a sexta, e abrange apenas a música internacional, tocando as novidades de grandes nomes da cena atual. Toda a segunda, é feito um desafio; uma pergunta sobre música, e o primeiro que acertar recebe um disco de vinil, nesse caso, o clássico Are You Experienced?, do power trio Jimi Hendrix Experience. Além disso, toda a semana o apresentador Chuck Hipólito prepara uma mixtape temática, que pode ser ouvida na rádio web MTVr. Na primeira semana, o tema, em homenagem a estréia do programa, foi faixas de abertura de discos de estréia.
No primeiro dia, Chuck entrevistou a banda de heavy metal Anvil, que fez show em São Paulo, e agora, o VJ disse em seu twitter: ''Acho vou entrevistar o Iron Maiden essa semana para o Big Audio.''

O pernambucano China está à frente do Na Brasa, que é dedicado a divulgação da cena brasileira dos mais variados estilos. O programa tem um quadro chamado disco da semana (qualquer semelhança é mera coincidência), que serve como música de fundo durante a semana, com informações, curiosidades e comentários sobre o álbum, que pode ser um clássico - essa semana, por exemplo, é o lendário Tábua de Esmeraldas, de Jorge Ben - ou um disco pouco conhecido da maioria. A diversidade de estilos é um dos fatores mais interessantes, rodando clipes de Emicida a Paralamas do Sucesso com Zé Ramalho. É o único dos novos programas que é transmitido em horário nobre: de segunda a quinta as 20:30

O Goo MTV (nome retirado do famoso disco homônimo do Sonic Youth) tem a intenção de mostra e informar as maiores tendências do mundo da música atual; sons que ainda vão ser conhecidos, com um grande foco em selos independentes. O Goo tem um blog no próprio site da emissora, onde é possível ver a lista dos clipes que tocaram no último programa. Apesar disso, a postura da apresentadora Gaía é cansativa, apenas lendo um texto e sem se impor de forma natural. É exibido todos os sábados as 23 horas.

Os 3 VJ´s se encontram todo domingo, as 23:30, no Extrato MTV, uma debate sobre algum assunto relacionado a música. Na estréia, o tema foi Radiohead e seu novo disco, King Of Limbs. É justamente nesse programa que fica claro o conhecimento dos apresentadores sobre o assunto, com opiniões apresentadas de forma espontânea e direta.

As mudanças se estendem também para a premiação anual do canal, o Video Music Awards. Zico Góes diz que o modo de votação pela internet não é democrático, ocorre uma distorção, já que os fãs de happy rock são mais participativo, e ainda adianta que ''é possível retornar ao modelo de júri, como é feito no Oscar''

Com essa nova programação, a MTV mostra que quer limpar o seu nome e voltar a trazer música com conteúdo para o povo. Os programas mais jovens e radiofônicos não sumiram, e também não há esse interesse, mas diversificar os estilos já é uma prova de qualidade. Já estava mais do que na hora de voltar a ser relevante.

sábado, 5 de março de 2011

A maior música de todos os tempos

A década de 1960 marcou uma importante transição no rock. As letras que abordavam assuntos da juventude como garotas e carros tornaram-se porta voz de temas políticos e sociais, além de tocar em assuntos mais introspectivos.

Antes de gravar Like A Rolling Stone, Bob Dylan já era conhecido por suas letras com engajamento político, tais como Blowin´ In The Wind, The Times They Are A-Chagin´ , Hard Rain’s A-Gonna Fall e Mr. Tambourine Man, mas sempre acompanhado pelo seu violão e gaita. Tudo mudou em 1965, com o disco Bringing All Back Home, que introduziu a guitarra elétrica no folk.

Foi a justamente a guitarra que irritou os puristas e radicais do estilo na época, que durante o lendário show no festival de folk de Newport, chamavam Dylan de ''Judas''. Eles aceitavam as letras de protesto, mas não a nova sonoridade.

O disco seguinte, Highway 61 Revisited, lançado no mesmo ano, aumentou ainda mais a fúria dos conservadores, em especial pela faixa de abertura, Like A Rolling Stone, que contava a história de um socialite que perdeu tudo e caiu na miséria. A música era comandada pelo órgão gospel apocalíptico de Al Kooper, a guitarra afiada de Mike Bloomfield, e acima de tudo, a voz raivosa de Bob Dylan, que parecia confrontar seus críticos em versos como How Does It Fell?. Uma espécie de chamado pra guerra.

Like A Rolling Stone revolucionou as canções do rádio. As canções podiam durar no máximo três minutos, ela tem seis. Os executivos da CBS pediram a Dylan para encurtá-la, ele se rejeitou, e a faixa foi dividida em duas partes para caber em um compacto e para ser divulgada nas rádios. Porém, o público não gostou da idéia, e exigiu que Like A Rolling Stone fosse tocada na íntegra, e assim ela ficou por doze semanas na parada norte-americana, chegando a alcançar o segundo lugar do chart.

Nos primeiros dias de gravação, a faixa era muito diferente da que é conhecida hoje. Estava inserida num tempo de 3/4. Essa versão foi lançada no CD The Bootleg Series Volumes 1–3 (Rare & Unreleased) 1961–1991, lançado em 1991. Uma amostra da versão pode ser ouvida nos arquivos sonoros da wikipédia. A música ganhou sua forma após Dylan convocar o guitarrista da Paul Butterfield Blues Band, Mike Bloomfield, e de Al Kooper, amigo do produtor Tom Wilson, sentar-se ao piano durante uma visita ao estúdio. Bloomfield relembra as instruções de Dylan para a gravação: ''Não quero que você toque nada dessa porcaria de B.B. King, nada dessa porra de blues. Quero que você toque outra coisa''. Essa mesma instrução seria passada aos outros músicos. Mais tarde, Bob adimitiu que a progressão de acordes foi inspirada em La Bamba, de Ritchie Valens.

A influência dessa canção de Dylan é tão grande que teve um livro escrito pelo crítico musical Greil Marcus, chamado Like A Rolling Stone - Bob Dylan Na Encruzilhada. O livro fala de sua influência na música pop conteporânea, com o intuito de provar que, sozinha, essa canção mudou toda a cultura pop ao redor do mundo.

Uma das maiores influências em publicação musical, a Rolling Stone, reuniu, em 2004, críticos, músicos e produtores para fazer uma lista com as maiores músicas de todos os tempos, e Like A Rolling Stone ficou em primeiro lugar. Em 2009 a lista foi re-feita, e lá estava o clássico de Bob Dylan, mais um vez em primeiro lugar. Outro ranking semelhante feito pela Uncut em 2002 e um pela Mojo em 2005 também traziam a mesma música na mesma primeira posição.

Outros músicos de sucesso relembram o impacto que a música teve em suas vidas: Paul McCartney contou qua ia até a casa de John Lennon para ouvir a música, e comentou: ''Parecia ir e ir para sempre. Era simplesmente lindo... Ele mostrou que provou pra todos nós que sempre era possível ir além''.

Frank Zappa foi mais longe: ''Quando eu ouvi Like a Rolling Stone, eu quis desistir da música, porque eu pensei: 'Se isso ganha e faz o que eu deveria fazer, eu não preciso fazer mais nada''.

Mas nenhum relato foi tão apaixonado quanto o de Bruce Springsteen durante o discurso de introdução Bob Dylan ao Rock And Roll Hall Of Fame: ''Quando eu ouvi Bob Dylan pela primeira vez, eu estava no carro com a minha mãe, aí veio aquela pancada seca na bateria que soava como se alguém tivesse aberto a porta de sua mente... Do mesmo jeito que Elvis liberava o seu corpo, Dylan liberava a sua mente, e nos mostrou que só porque a música é era física, ela não precisava ser anti-intelectual. Ele tinha a visão e o talento para fazer a música pop conter o mundo inteiro. Ele inventou uma nova maneira que um cantor poderia soar, quebrou as barreiras das gravações e mudou o rock n´ roll para todo o sempre''.

Like A Rolling Stone abriu as portas para toda a revolução sonora da décade de 1960. Seus seis desafiadores minutos acenderam as mentes dos Beatles, Jimi Hendrix e dos Beach Boys. Não é só o carro-chefe de Highway 61 Revisited - que não por acaso o melhor disco de Dylan -, ou a sua melhor composição, com ele mesmo disse; é a maior música de todos os tempos.

Acesse o fórum Metal Is The Law e converse mais sobre Bob Dylan, um grande gênio da música!


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Lester Bangs: honesto e impiedoso

Numa época em que internet era coisa de filme de ficção científica, a crítica musical era tão importante quanto a música. Nesse meio um cara se destacou por fazer mais do que simples resenhas. Esse cara foi Lester Bangs, até hoje a maior referência no meio, e considerado como o melhor jornalista musical da décade de 1970, e por alguns, o melhor de todos os tempos.

Ele iniciou sua carreira jornalística na Rolling Stone. Foi chamado para trabalhar na revista após enviar uma crítica negativa do disco Kick Out The Jams, do MC5. Foi demitido por Jann Wenner após escrever outra resenha negativa, dessa vez direcionada ao álbum The New Age, do Canned Heat. Depois disso, Lester Bangs fundou a revista Creem, onde, além de ser redator, era também editor-chefe.

Bangs era polêmico: desprezava o Jethro Tull, que tinha acabado de lançar o aclamado Thick As A Brick. Massacrava o Yes, que estava em seu auge após a contratação do tecladista Rick Wakeman e da gravação de seu maior clássico, Fragile. A banda de Jim Morrison também não impressionava Bangs, que preferia o proto-punk dos Stooges, os canadenses do Guess Who e o quarteto sueco pop ABBA.

Alguns de seus artigos tornaram-se verdadeiros clássicos do rock, como o texto sobre a morte de John Lennon. Em meio a toda comoção mundial, Bangs atacou o sentimentalismo barato: ''Lennon desprezava emoções baratas. Não é por John Lennon, o homem que você está lamentando. A rigor, você está lamentando por você mesmo.'' Ainda escreveu um ''passo-a-passo'' para os que queriam ser críticos músicais, num texto de 1974, intitulado ''How To Be A Rock Critic'', onde ele ironiza os jornalistas que aproveitam discos e shows de graça, que as vezes são horríveis, e todos se sentem obrigados a não falar mal para não perder as outras festinhas; e a competição dos colegas de profissão ao procurar falar de uma banda mais desconhecida do que o outro.

Entretanto, seu principal trabalho é a entrevista que fez completamente chapado de anfetamina com Lou Reed, chamada ''Let Us Now Praise Famous Death Dwarvesi''. Bangs tenta destruir os mitos e estrelas do rock mostrando o comportamento arrogante e agressivo destes. Em uma longa e pessoal introdução, Lester diz que admira as composições de Lou, mas que a personalide hostil e alguns aspectos anti-sociais do músico em álbuns como Berlin e Metal Machine Music o intrigam. Depois de trocar vários insultos pessoais, Bangs desafia Reed a tirar os óculos de sol: ''A pele amarelada de Lou, quase tão amarelo-esbranquiçado como o seu cabelo, o seu rosto e toda a sua moldura haviam transcedentalmente emagrecido, como se ele tivesse mudado totalmente. Seus olhos eram tão enferrujados, como duas moedas de cobre jazindo sob as areias do deserto e debaixo do sol durante o dia todo, com telegramas sussurrantes em cima de sua cabeça, mas ele parecia forte para mim.'' Nesse mesmo texto que se tornaria um marco do jornalismo, Bangs ainda diz: ''Herói é uma coisa idiota pra caramba para você ter em primeiro lugar e um bloqueio geral para qualquer coisa que você tenha que realizar por conta própria.''

Esse era o estilo de Lester Bangs, sempre em primeira pessoa. Ele ainda diz como gostava de fazer suas entrevistas: ''Basicamente, eu começo uma entrevista com as perguntas mais provocativas e insultantes que eu consiga pensar, porque, até agora, me parece que todas as entrevistas com rock-star´s são simplesmente uma puxação de saco para alguém que não é especial. É só um cara, só outra pessoa qualquer.''

Lester era fã de Lou Reed; chegou a dizer em sua resenha para a Creem, que Metal Machine Music era o melhor disco de todos os tempos. Ele tinha suas predileções, mas não tinha apenas elogios aos seus músicos preferidos. Depois de passar várias noites conversando e ter assistido a dezenas de shows de uma turnê de Captain Beefheart, que, vez ou outra, preferia gritar, Bangs escreveu: ''Beefheart é um louco, um sujeito potencialmente perigoso que provavelmente não terá um futuro artístico. Eu não quero ver esse cara de novo...''

Começaram a circular rumores na mídia de que Lester seria o famigerado criador do termo heavy metal, a partir de um artigo sobre o Black Sabbath entitulado ''Bring You Mother To The Slaughter'', que foi dividido em duas partes e publicados em junho e julho de 1972 na revista Creem. Entretanto, não há nenhuma referência a ''Heavy Metal'' no artigo, que ainda apresenta o termo ''downer rock''. Lester pode ser creditado por ter popularizado o termo, assim como o punk.

A música de Bangs

O americano não ficou só escrevendo. Ele formou uma banda com Mickey Leigh, irmão mais novo de Joey Ramone, chamada Birdland. Em uma viagem ao Texas, conheceu a banda punk The Delinquents, com quem gravou o álbum Jook Savages On The Brazos.

O disco é um pequeno diamante bruto, sem muitos artifícios de produção ou mixagem. Um som descompromissado que mistura punk dos Stooges, psicodelia e até folk, como na faixa Legless Bird.

Os maiores destaques são I´m Love With My Walls, com um riff cavernoso e viradas fortes de bateria; Kill Him Again, com um solo de guitarra devastador; e Nuclear War, onde o grupo extravasa toda a sua energia em um ritmo acelerado e contagiante.

Os livros e Quase Famosos

A vida de Lester Bangs inspirou Jim DeRogatis a escrever a biografia Let It Blurt: The Life And Time of Lester Bangs, The America´s Greatest Rock Critic. Outro interessente livro sobre o Bangs é Reações Psicóticas, uma coletânea de textos escritos por Lester para a Rolling Stone, Creem e Vilage Voice. Infelizmente, apenas o segundo teve uma edição publicada no Brasil, e a biografia ainda não tem planos para ser traduzida para o português.

O aclamado filme Quase Famosos também foi inspirado no crítico americano. O longa-metragem escrito e dirigido por Cameron Crowe mostra a trajetória do aspirante a jornalista musical Willian Miller. Este pede alguns conselhos ao seu ídolo, que surge com frases como: "No nosso meio precisa-se construir uma reputação de honesto e impiedoso.'' A cena de Bangs em um programa de rádio sintetiza bem as suas idéias: ''Sabia que The Letter, do The Box Tops, tinha 1 minuto e 58 segundos? Não significa nada. Mas em menos de dois minutos eles conseguem o que o Jethro Tull leva horas para não fazer! Isto é delusão, pseudo-gritaria!''. ''Jim Morrison?! Ele é um befão bêbado posando de poeta. [...] Eu fico com o Guess Who, eles tem coragem de ser bufões bêbados.

Lester Bangs em seu apartamento em 1980.

Lester foi encontrado morto em 1982, quando tentava livrar-se do vício das drogas. Teve uma overdose de medicação receitada por um médico: Darvon, Diazepam e NyQuil. Sua morte foi profetizada no já citado ''How To Be A Rock Critic'', onde ele diz: ''Você vai ser famoso e terá uma morte precoce aos 33 anos''; mesma idade de Bangs quando faleceu. O último disco que ouviu foi Dare!, da banda de Synthpop inglesa The Human League. O vinil ainda girava em seu toca-discos.

Outros bons críticos surgiram; alguns são mais líricos; outros mais acadêmicos; alguns até entendem mais de música, mas nenhum foi tão verdadeiro quanto Lester Bangs, que sempre dizia o que pensava sem nenhum medo. Honesto e impiedoso. Doa a quem doer.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Grande Revelação

O Grammy, premiação mais tradicional da música aconteceu essa semana, no Los Angeles Staples Center. O evento premia os artistas que se destacaram em diversas categorias, como disco e música do ano; melhor performance instrumental de pop, rock e jazz; melhor performance de hard rock; melhor performance vocal masculina de R&B, entre outras. Essa edição de número 53 trouxe uma agradável surpresa no vencedor do prêmio de 'melhor novo artista', ou revelação.

Entre os indicados, estava o ídolo pop Justin Bieber, e devido a sua grande popularidade e aprovação popular, era o grande 'favorito' da noite. Mas o envelope revela uma surpresa: o 'best new artist' nao é Bieber, mas sim a vocalista e contra-baixista americana Esperanza Spalding!

Esperanza tem apenas 26 anos de idade, e seu precoce interesse pela música surgiu aos quatro anos de idade, após assistir uma apresentação do violoncelista Yo-Yo Ma. Um ano depois, a moça já tocava violino, mas largou o instrumento aos quinze. Nesse período de tempo, ela integrou, como primeira violinista, a orquestra comunitária de sua cidade, a The Chamber Music Society Of Oregon; e ainda aprendeu a tocar oboé e clarineta.

Apesar do tom basicamente jazzístico, a música de Spalding mescla o soul, funk, MPB e o improviso. Sua apreciação pelo Brasil fica explícita nas versões de Samba Em Prelúdio, de Baden Powell; Inútil Paisagem, de Tom Jobim e Ponta de Areia, de Milton Nascimento.

A consagração foi conquistada no terceiro álbum, Chamber Music Society, que conta com a participação especial de um de seus ídolos: Milton Nascimento, que divide a vocalização com a moça em Apple Blossom. Aqui a sua harmoniosa e cristalina voz tem maior mérito do que seu instrumento.

O amadurecimento gradativo de Esperanza é notável. Desta vez o seu som é mais preciso e bem direcionado. Boa parte disso deve-se a produção impecável e os arranjos de Gil Goldstein, que também participa como co-produtor.

Little Fly, Really Very Small, Knowledge Of Good And Evil e Short And Sweet se sobressaem das demais faixas do tracklist. Um retrato muito aproximado do novo jazz fundido a uma atmosfera ambiental e simultaneamente simples, que cresce a cada audição.

As pesquisas na internet sobre Esperaza aumentaram. Enfurecidos, fãs de Justin Bieber invadiram sua página biográfica no site wikipédia modificaram o texto do site com xingamentos; um deles dizia: ''Justin merecia o prêmio. Você deveria morrer. Afinal, quem é você mesmo?''. Uma legenda de uma foto ainda dizia ''Você não chega nem ao tênis da Nike que Bieber usa para ir ao shopping na Califórnia''. Os insultos já foram deletados do site.

Ao ouvir Esperanza pela primeira vez, o famoso entrevistador americano David Letterman disse: "Você é absolutamente maravilhosa!"

Com todo o assédio e buscas pelos discos e músicas da cantora, já correm rumores sobre uma possível apresentação no Brasil. A última vez foi no Tim Festival, realizado em São Paulo e Rio de Janeiro em outubro de 2008.

Agora o mundo começa conhecer a boa música inovadora de Esperanza Spalding, uma artista livre de redomas estéticas e do conservadorismo predominante no jazz. Seus três discos são um prelúdio de uma grande carreira. Uma instrumentista que capta toda a sua proposta abrangente em todas as gravações, e que vai consquistando o mundo aos poucos. Ou como diria a influente revista Down Beat, ''a melhor baixista acústica em ascensão''.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gary Moore (1952 - 2011): 10 vídeos para relembrar a carreira do músico

O dia de ontem (06/02/11) iniciou com uma notícia que abalou o mundo da música: Gary Moore havia falecido. O músico de 58 anos foi encontrado morto em seu quarto de hotel em Estepona, na Espanha. A causa de sua morte ainda não foi revelada.

O músico norte-irlandês era dono de uma carreira extensa, tendo gravado dezenas de discos e tocado em várias bandas. Gary Moore começou a ganhar destaque no meio musical com o Skid Row (não confunda com a banda de Sebastian Bach), ao qual formou com 16 anos de idade e lançou dois álbuns de estúdio. Sua carreira solo iniciou em 1973 com o lançamento do álbum "Grinding Stone". Até 1989 seus álbuns tinham enorme presença do Hard Rock e Heavy Metal, porém apartir do disco "Still Got The Blues" (1990) o músico entrou de cabeça no Blues.
Foi também em sua carreira solo que Moore trabalhou pela primeira vez com seu amigo Phil Lynott, líder da banda de Hard Rock Thin Lizzy, ao qual viria a se tornar membro fixo de 1978 à 1979, além de ter tocado e composto no 9º álbum de estúdio da banda: "Black Rose: A Rock Legend".
Gary Moore também desempenhou um papel notável em outras bandas como no Colosseum II - banda que nasceu das cinzas da banda Colloseum- no BBM - basicamente um Cream com Gary Moore no lugar de Eric Clapton - e Scars. Moore também tocou em dois álbuns solo de Greg Lake, além de ter tocado em alguns shows ao vivo do músico.

Novamente a música perde um de seus grandes nomes, que com certeza deixará saudades e milhares de fãs desolados. Abaixo, 10 vídeos para relembrarmos as várias fases da carreira e legado musical de Gary Moore:










sábado, 1 de janeiro de 2011

Mentes Que Inspiram - J. R. R. Tolkien

No primeiro "Mentes Que Inspiram", tratamos da vida e obra do ocultista Aleister Crowley e da música inspirada por ele. Desta vez trataremos de J. R. R. Tolkien, um dos maiores nomes da literatura do século XX, e suas obras, que continuam servindo de fonte de inspiração para músicos dos mais diversos gêneros musicais até hoje.

John Ronald Reuel Tolkien nasceu em Bloemfontein na África do Sul em 3 de Janeiro de 1892. Aos 3 anos de idade, Tolkien, seu irmão Hilary Arthur e sua mãe, Mabel Suffield, mudaram-se para a Inglaterra. O plano era passarem apenas uma temporada no país, devido a questões de saúde de Mabel e seus filhos, mas acabaram permanecendo ali por toda a vida, pois em 1896 o pai, Arthur Tolkien, faleceu antes de se juntar à família.
Mabel passou a ensinar seus filhos em casa, onde Tolkien ganhou interesse pela botânica e leitura, mais tarde passou a estudar na King Edward's School. Aos 12 anos, sua mãe faleceu devido à diabetes. Ele e seu irmão passaram a viver com o Padre Francis Xavier Morgan e converteu-se ao catolicismo.

Iniciou sua carreira acadêmica em 1911, na Universidade de Oxford. Estudou inicialmente Arte e Culturas Clássicas, mas em 1913 mudou-se para o curso de Inglês e Literatura, se formando em 1915 como o primeiro aluno da classe.
Em 1916, mesmo ano em que se casou, Tolkien foi chamado para defender a Inglaterra na Primeira Guerra Mundial, tendo sobrevivido à Batalha do Somme, na França. Um ano depois nasceu seu primeiro filho e no ano seguinte, após contrair tifo, J. R. R. Tolkien pode retornar à Inglaterra. Durante este período ele iniciou o "Livro dos Contos Perdidos", que mais tarde se converteria para "O Silmarillion". Após o fim da guerra, passou a trabalhar como professor e filólogo, sendo um importante contribuidor para o New English Dictionary.

A idéia para "O Hobbit" surgiu em 1928 enquanto corrigia as provas de seus alunos, ele contou que: "Um dos alunos deixou uma das páginas em branco – possivelmente a melhor coisa que poderia ocorrer a um examinador – e eu escrevi nela: Em um buraco no chão vivia um hobbit, não sabia e não sei por quê." Somente dois anos depois ele começou a escrever "O Hobbit" a partir desta frase, porém abandonou a obra no meio. Mais tarde foi encorajado a terminar o livro e em 1937 foi publicada a primeira edição.
Com o enorme sucesso da publicação, a editora queria lançar mais obras de Tolkien. Ele ofereceu "O Silmarillion", considerada por ele sua principal obra, mas a editora não o considerou "comercialmente publicável" e sugeriu uma sequência para "O Hobbit". Tolkien aceitou o desafio.

"O Senhor dos Anéis" chegou às mãos da editora em 1949, porém só foi publicado em 1954, pois a idéia de Tolkien era que "O Silmarillion" também fosse lançado, como uma espécie de primeiro volume, mas foi novamente rejeitado pela editora. Graças ao "Senhor dos Anéis", o escritor ganhou reconhecimento internacional. A obra criou um chamado "mundo secundário" e graças ao enorme conhecimento linguístico do escritor também criou novas línguas para suas obras, onde a mais elaborada é o élfico. Dentre as influências literárias presentes em "O Senhor do Anéis" pode-se notar principalmente as mitologias nórdica e britânica, além de obras como o "Anel de Nibelungo" e "Beowulf".

J. R. R. Tolkien morreu na Inglaterra no dia 02 de Setembro de 1973. Outros trabalhos do escritor foram lançados após sua morte, entre eles "O Silmarillion".

Apesar de não serem as únicas, as obras que mais influênciaram músicos foram "O Hobbit", "O Silmarillion" e "O Senhor dos Anéis". No Heavy Metal, talvez o fato mais notável seja o Blind Guardian, que lançou o álbum "Nightfall in Middle-Earth" inteiramente inspirado em "O Silmarillion". Além é claro das diversas canções inspiradas nos livros de Tolkien presentes em outros álbum, a mais óbiva de todas é sem dúvida Lord of the Rings do álbum "Tales from the Twilight World". O Summoning também possui inúmeras canções sobre o tema, assim como o Battlelore, que possui toda a discografia tratando do mundo de Tolkien. Entre os dinossauros do Rock, não se pode deixar de citar o Led Zeppelin; Jimmy Page e Robert Plant eram dois leitores de Tolkien, as músicas inspiradas em suas histórias são: Ramble On, The Battle of Evermore e Misty Mountain Hop. A banda austriaca, Rivendell, possui influências desde seu nome (Rivendell é uma cidade fictícia da Terra Média), que é também o nome de uma canção do Rush presente no álbum "Fly by Night", além de The Necromancer do álbum "Caress of Steel". Fora o Rivendell, outras bandas também se inspiraram em Tolkien para escolherem seus nomes, como o Gorgoroth (nome de uma área de Mordor) o Burzum e Amon Amarth.
As influências não param por aí, por isso separamos algumas músicas "Tolkien-based" na playlist abaixo. Óbviamente não são todas, mas deixa a noção da enorme influência do escritor sobre bandas de Rock e Heavy Metal:



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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

30 anos sem John Lennon


8 de dezembro de 1980. Cinco tiros são disparados na frente do edifício Dakota, em Nova York. Quatro atingiram John Lennon, e a cena tornou-se um marco na cultura pop. A comoção popular foi enorme, só sendo comparada aos óbitos de Elvis Presley e Michael Jackson.

Lennon era o mais polêmico dos Beatles. Tinha um humor ácido e piadas sarcásticas sempre na ponta da língua. Um dia disse que ''se a juventude continuasse do jeito que estava, os Beatles seriam mais famosos do que Jesus Cristo''! Obviamente, ninguém entendeu a crítica e John foi odiado pelos mais ortodoxos.
Nos Beatles Lennon era o principal letrista e líder do grupo durante a sua primeira fase, a tal ''fase Iê Iê Iê'', ou Yeah Yeah Yeah, se preferirem. A partir do disco Revolver, Paul passou a comandar o Fab Four, mas Lennon não tornou-se obsoleto e compôs obras como A Day In The Life, Stranberry Fields Forever e o hino All You Need Is Love.

Em 1962, John se casou com Cynthia Powell, com quem teve o seu primeiro filho, Julian Lennon, que seguiu o caminho do pai e tornou-se músico, obviamente, sem o mesmo brilhantismo e genialidade. Durante uma viagem de Cynthia, John conheceu a artista plástica Yoko Ono em uma exposição de arte da japonesa que o próprio Lennon teria financiado. John pediu o divórcio e casou-se com Yoko.

Lennon começou a levar sua esposa as gravações dos Beatles, onde o clima já estava pesado, e as brigas aumentara com a presença de uma estranha no ninho. George e Paul não gostavam de Yoko, e a imprensa e os fãs muito menos. Essa tensão teve como cume a separação dos Beatles em 1970, após o meloso e pausterizado (mas nem por isso, ruim) Let It Be. Hoje em dia, muitos culpam Yoko Ono pelo término dos Beatles, e a própria alega ter servido de bode expiatório para algo que iria acontecer em breve.

Durante a carreira solo, John seguiu um lado mais ativista e social, provavelmente, influenciado pela parceira. No seu primeiro disco, Two Virgins, de 1968, em que Lennon e Yoko aparecem nus na capa do disco, cujo lançamento foi negado pela EMI, sendo feito por duas gravadoras independentes e adquirindo o status de peça de colecionar, ainda inédito em alguns países, inclusive o Brasil. Fez vários protestos, como o Bed In. Logo após a sua lua de mel. Ele disse em que quarto e que hotel estariam e que as portas estariam abertas. Obviamente, os repórteres correram para lá, e não viram o que esperavam. O casal não estava fazendo sexo, mas sim protestando, esse foi o Bed In.

John e Yoko no Bed In: ''Fique na cama e deixe o cabelo e barba crescerem''

O primeiro disco após o fim dos Beatles é, para mim, o melhor de sua carreira: Plastic Ono Band, com participações de músicos dos Yardbirds, The Who, Eric Clapton e Alan White, futuro baterista do Yes. o álbum foi produzido pelo lendário Phil Spector, que já tinha produzido o Let It Be.
Depois de Plastic Ono Band, foi lançado Imagine, que colocaria o músico no topo do mundo com a sua música título, um hino da paz, e a ofensa direta a Paul McCartney em Who Do You Sleep?

John e Sean Lennon: ''a fase babá''

John lançou mais um disco por ano durante quatro anos, mas essa sequência foi interrompida pelo nascimento de Julian Lennon, seu segundo filho. Lennon decidiu ficar em casa, cuidando de seu filho, e assim o fez durante cinco longos anos.

O último disco de John

Depois da sua ''fase babá'', Lennon volta aos estúdios e lança Double Fantasy, o seu último disco. Um mês depois, John Lennon sai de seu prédio, dá um autógrafo (este disco autografado é, hoje, um dos discos mais caros do mundo) para seu futuro assasino. John é atencioso e carismático com ele. A noite, o músico retorna, e é baleado por Mark Chapman. Este, por sua vez, era fã de John Lennon. A sua fixação pelo ex-Beatle o fez casar-se com uma japonesa mais velha, assim como Yoko Ono, e assinar, algumas vezes, como John Lennon, ao invés de seu próprio nome.

Chapman pensava que Lennon era hipócrita, cantando músicas como Give Peace A Chance, Power To The People, Imagine e Working Class Hero e morando em um prédio de luxo, como o Dakota. Alegava que Lennon tinha aderido a sociedade de consumo que tanto criticava.

Após os disparos, Chapman não correu. Ficou parado com o revólver e o livro O apanhador no campo de centeio em suas mãos e declarou-se culpado. Mark Chapman foi preso e sentenciado com prisão perpétua. O assasino se diz arrependido, mas que não pediria perdão porque sabia dos danos que causou. Entretanto, em 2000 ele pediu a liberdade, que foi negada. Esse ano, Mark fez seu sexto pedido, mas uma vez, negado.

Pouca gente sabe, mas Mark Chapman adimitiu que também pretendia assasinar o gênio David Bowie. Bowie estava em turnê numa peça teatral, e sabia que na primeira fileira, John e Yoko estariam lá. No dia do espetáculo, as duas cadeiras estavam vazia, além de outra, que descobriram que seria ocupada por Chapman.

O assasinato de John Lennon foi marcante. Hoje, temos uma dúzia de filmes e livros que narram o episódio. Indico o Chapter 27, que fala do assasinato na visão de Mark Chapman.

O museu de John Lennon, no japão fechará suas portas em setembro do mês ano que vem, segundo Yoko Ono. Ela disse que o destino de John é mover-se por todo o mundo. O museu nao deve transformar-se em tumba, do contrário, perderia seu espírito.
''Após dez anos aqui, o espírito de John deve seguir em frente e em busca de um próximo lugar.'' Esperamos assim, que o museu do músico apenas mude de endereço, mas que não seja deletado.

A morte do herói da classe operária destruiu o sonho dos fãs de volta dos Beatles. Mas o interesse no Fab Four continua até hoje. O recente jogo de vídeo game The Beatles Rock Band, em conjunto com os shows de Paul McCartney no Brasil e os relançamentos dos discos de John Lennon mantém vivo o interesse e o gosto popular na banda inglesa, que conquista fãs mais jovens a cada dia.

Não deixe de acessar o fórum Metal Is The Law para debater sobre a vida e a obra de John Lennon!!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Os 35 anos de Come Taste The Band do Deep Purple

Há 35 anos atrás era lançado Come Taste The Band, o décimo álbum de estúdio do Deep Purple que continua até hoje sendo apreciado por muitos e criticado por outros que não concordavam com a direção musical que banda tomou neste álbum.

Em 1974 o Deep Purple havia lançado o álbum Stormbringer, o segundo e último a contar com a formação Mk III que consistia em: David Coverdale (vocais), Ian Paice (bateria), Jon Lord (teclados), Glenn Hughes (baixo, vocais) e Ritchie Blackmore (guitarra). Neste álbum os elementos do funk e soul que a banda já havia começado a incorporar de leve em seu sucessor, Burn (1974), ganharam ainda mais destaque, fato que não agradou o guitarrista Ritchie Blackmore que deixou a banda em 21 de Junho de 1975 e formou o Rainbow.

Com a saída de Blackmore muitos duvidavam que o Deep Purple fosse seguir em frente, mas David Coverdale encorajou Jon Lord para que a banda continuasse e foi o que aconteceu. O próximo passo era encontrar um novo guitarrista. A banda não queria uma opção óbvia demais, que servisse apenas para ocupar a vaga deixada por Blackmore, eles queriam alguém com um estilo diferente e que tivesse algo de novo para acrescentar, logo acabaram optando, para a surpresa de muitos, pelo jovem Tommy Bolin.
Ainda pouco famoso, Bolin era reconhecido pelo seu trabalho como músico de estúdio e já havia gravado com músicos como Billy Cobham e na banda James Gang. Quando o convite para integrar o Purple foi aceito Tommy Bolin estava trabalhando em seu primeiro álbum solo chamado Teaser, que foi lançado em Novembro de 1975 e recebeu avaliações bastante positivas da crítica especializada.
As músicas para Come Taste The Band foram compostas em Los Angeles, porém o álbum foi gravado no Musicland Studio em Munique. As gravações foram de 3 de Agosto de 1975 à 1 de Setembro e o disco foi lançado em 10 de Outubro do mesmo ano.
A influência do funk estava mais evidente do que nunca, porém todo o peso do hard rock ainda estava lá, sendo arrastado pela guitarra de Tommy Bolin o principal responsável pela nova cara do Deep Purple. Mesmo com a enorme qualidade das canções o álbum foi muito criticado por uma parte dos fãs que não aceitavam a nova direção da banda e diziam que este não era um álbum do Deep Purple.

A abertura fica por conta da frenética Comin' Home, porém o baixo que é ouvido na versão de estúdio não foi tocado por Glenn Hughes e sim por Tommy Bolin. O motivo foi que Glenn Hughes não recebeu a backing track para que pudesse trabalhar na música e quando ele se reuniu com o restante da banda na Europa a música já estava gravada com Bolin no baixo e Jon Lord no backing vocal, por isso pode-se ouvir um backing vocal mais grave durante o refrão que de fato não é de Hughes.

Lady Luck foi escrita originalmente por Jeff Cook que era vocalista do Energy, banda de Tommy Bolin no início dos anos 70 e que nunca chegou a lançar um álbum oficialmente. Durante um ensaio Bolin começou a tocar a música, a banda gostou e decidiu gravá-lá, porém Bolin não se lembrava completamente da letra, então Coverdale escreveu uma nova.

O momento mais marcante de Bolin no Deep Purple talvez seja em Gettin' Tighter que foi escrita por ele e Glenn Hughes que também é o vocalista durante a canção. Esta acabou sendo a única música que foi composta exclusivamente pelos dois. Na época os dois moravam juntos em Beverly Hills e em uma noite Bolin apareceu com o riff principal, os dois sentaram e trabalharam juntos na letra e no resto da música.

Certa madrugada no estúdio onde o álbum estava sendo gravado, Martin Birch estava mixando a parte instrumental de Dealer e Coverdale estava dormindo. Glenn Hughes então perguntou se podia gravar os vocais para Birch, ele disse que sim e Hughes cantou os versos e a ponte e depois foi embora. Cerca de três semanas depois quando o álbum estava completamente mixado Glenn Hughes estava no Rolls-Royce de Ian Pace e colocaram o álbum para ouvir pela primeira vez, na hora de Dealer Hughes ficou na expectativa e acabou se decepcionando ao ver que era a voz de Coverdale que estava cantando a música e não aquilo que havia gravado.

I Need Love, escrita por Coverdale e Bolin, é algo mais na vibe de Bolin e também um dos melhores exemplos do que era a sonoridade da Mk IV. O mesmo vale para Drifter com algumas influências trazidas por Bolin do James Gang. Love Child uma das mais "roqueiras" do álbum dá grande liberdade para Coverdale cantar com todo seu potencial.

Em seguida chega This Time Around, o momento mais pessoal de Hughes, autor da letra, no álbum, segundo ele a letra era "um enorme grito por ajuda" devido aos seus problemas pessoais e abuso no uso de drogas. A música nasceu quando Jon Lord estava tocando algumas coisas aleatórias em seu piano no estúdio às 3 horas da madrugada. Glenn Hughes estava na sala ao lado ouvindo tudo e quando Lord se levantou para ir embora Hughes veio desesperado querendo saber o que era aquilo que havia acabado de ser tocado. 10 minutos depois ele voltou com a letra e os dois gravaram a canção. Quando Bolin ouviu a música pela primeira vez ele comentou que a instrumental Owed to G (que havia sido escrita antes do guitarrista entrar para o Deep Purple) possuía o mesmo tempo de This Time Around, Lord então sugeriu unir as duas.

O ápice de Come Taste The Band chega na última faixa, You Keep On Moving, que Hughes e Coverdale escreveram juntos no flat de Coverdale em Julho de 1973 e era para ser uma música do álbum Burn, porém Ritchie Blackmore achou que ela não combinava com o álbum e ela ficou de fora.

Após o lançamento do álbum o clima na banda não era nada bom, os problemas pessoais dos integrantes estavam atrapalhando e os problemas com drogas de Bolin e Hughes estavam ainda piores resultando no cancelamento de alguns shows da turnê. A decisão de Ian Paice e Jon Lord de encerrar as atividades da banda foi tornada pública em Julho de 1976.
No mesmo ano Bolin havia lançado seu segundo álbum solo e estava em turnê junto com Peter Frampton e Jeff Beck e no dia 4 de Dezembro de 1976 foi encontrado morto em Miami devido à uma overdose de drogas. Seu último show havia sido na noite anterior, Bolin tinha apenas 25 anos de idade.
Tommy Bolin e Jeff Beck após o último show de Bolin, horas antes de ser encontrado morto.
Oito anos depois o Deep Purple voltaria às atividades com a formação Mk II e lançaria dois álbuns com ela, mas isso já faz parte de outra história.......

Este ano foi lançada uma edição comemorativa de Come Taste The Band, que conta com dois discos, o primeiro com o álbum original remasterizado por Glenn Hughes e o segundo com remasterização de Kevin Shirley e duas faixas bônus nunca lançadas anteriormente, além de This Time Around e Owed to G estarem separadas. Burn e Stormbringer também ganharam edições comemorativas em seus respectivos aniversários de 35 anos.

O link para download de Come Taste The Band você encontra no Forum Metal Is The Law clicando aqui, é necessário ser um membro para poder visualizá-lo, se você ainda não se registrou clique aqui.
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