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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Zé Ramalho: disco em homenagem aos Beatles. Confira o clipe!


Depois de de Bob Dylan, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Raul Seixas, o paraibano Zé Ramalho vai lançar o quinto disco da série Zé Ramalho Canta..., desta vez homenageando os Beatles. O projeto é antigo, deveria ter sido primeiro a ser lançado, mas só vai sair do forno este mês. O clipe de While My Guitar Gently Weeps, uma das 16 faixas que integrará o CD, já está disponível.

A capa é uma referência ao segundo disco do quarteto de Liverpool, With The Beatles. O cantor já homenageou a banda no seu disco Nação Nordestina, de 2000, que emula o lendário Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Beatles: baterista original ganha rua com seu nome

Você já deve conhecer Ringo Starr. Mas e Pete Best, já ouviu falar? Best foi o primeiro baterista dos Beatles, tocando na banda de 1960 à 1962, e agora, graças à uma campanha no Facebook com o apoio de mais de 10 mil pessoas, também é uma rua de Liverpool.

A mãe do baterista também foi homenageada com a rua Casbah Close, uma referência ao Casbah Club, onde a mãe de Pete, Mona Best, trabalhava e que, segundo ele, foi ''o verdadeiro local de nascimento dos Beatles no dia 29 de agosto de 1959.''

Hoje Best tem a sua própria banda, a Pete Best Band.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Garoto de Liverpool [Review]

Existem centenas de filmes sobre os Beatles e mais um punhado sobre John Lennon. Logo, o maior obstáculo para as novas produções sobre o fab four ou algum de seus membros é apresentar algo novo, pouco comentado ou desconhecido.

Com isso, o Garoto de Liverpool (entitulado originalmente como Nowhere Boy) já sai na frente da concorrência. Com direção da estreante Sam Taylor-Wood, o longa retrata a adolescência de John Lennon, muito antes da explosão da beatlemania, que foi criado pela tia e mal conheceu o pai.

Apesar de também abordar a gênese dos Beatles e o encontro com Paul McCartney e George Harrison, o maior destaque é a vida pessoal de Lennon, com momentos decisivos, mas conhecidos apenas pelos fãs mais intensos, que iriam influenciar a sua personalidade. Assim, músicas como ''Julia'' e ''In My Life'', do Beatles e ''Mother'', de sua carreira solo, ficam mais claras, assim como a sua paixão pelo rock simples, ingênuo e juvenil dos anos 1950 (sempre presente na bem construída trilha sonora), que o levou a gravar um disco tributo em 1975, Rock n´ Roll.

O Garoto de Liverpool consegue apresentar algo novo para um assunto já repetido à exaustão. Só isso já é um mérito. Mas também ajuda a explicar um dos maiores ícones da música popular através das lembraças e sentimentos antes da fama. Além disso, também se sustenta sozinho, como um filme sem refêrencias, um drama, boa parte por causa da interpretação de Aaron Johson, que incorpora com brilhantismo o músico.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Martin Scorsese lançará documentário sobre George Harrison

O famoso diretor Martin Scorsese anunciou que irá lançar em DVD o documentário George Harrison: Live in The Material World no dia 10 de outubro. O filme também deve ser exibido em duas partes pelo canal por assinatura HBO nos dias 5 e 6 de outubro.

A viúva de Harrison, Olivia, colaborou co-produzindo o filme, que narra a vida do ex-Beatle desde seus primórdios em Liverpool até tornar-se cineasta e filantropo. Além de filmagens caseiras, o documentário também apresenta entrevistas com Eric Clapton, Paul McCartney, o produtor Phil Spector, Ringo Starr, Jackie Stewart, Terry Gilliam, Yoko Ono e Eric Idle.

Scorsese, que já produziu os documentário Shine A Light e o vencedor do Emmy e Grammy No Direction Of Home, sobre os Rolling Stones e Bob Dylan respectivamente, disse: ''George foi fazer música espiritualmente acordado - todos nós ouvimos e sentimos - e eu acho que foi o motivo que ele veio a ocupar um lugar muito especial em nossas vidas''.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Vídeo clip do mês

Uma das maiores vozes femininas do rock voltou à ativa, a rainha do rockabilly, Wanda Jackson, que re-aparece com o álbum The Party Ain´t Over, que conta com a colaboração do badalado Jack White. Uma das faixas do disco é um cover de Bob Dylan, ''Thunder on The Mountain'', que teve alguns versos re-escritos e foi incrementada com um excelente solo de White, um grande fã de Dylan.

E Ringo Starr vem pro Brasil! E traz um timaço pra lhe acompanhar. A banda de apoio All Starr Band é composta atualmente pelo multi-instrumentista Edgar Winter, o tecladista Gary Wright (Spooky Tooth), o guitarrista Rick Derringer (ex-Edgar Winter, Johnny Winter, Alice Cooper e outros), o vocalista e baixista Richard Page (ex-Elton John, Michael Jackson, Madonna), o vocalista e o guitarrista Wally Palmar (The Romantics). Enquanto o show não começa, a gente curte ''Photograph'', o maior hit da carreira solo de Ringo, em um show tributo à George Harrison.



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pré-bandas

As bandas costumam mudar de nome quando estão em seus primeiros meses de vida. Algumas mudam até de estilo musical e o tipo de roupas que veste. Mas alguns grupos, antes de mudar de nome ou adicionar e/ou retirar algum outro integrante, gravaram alguns discos, hoje disputados a tapa por colecionadores. Esses discos são chamados ''pré'', gravados por pré-bandas. Abaixo você vai conhecer a história desses grupos e poderá ouvir uma música de cada.

The Beatles

Na foto acima você encontrará três rostos conhecidos: John Lennon, Paul McCartney e George Harrison. Mas esse não são os Beatles, são os The Quarrymen, grupo formado em 1957 por Lennon e alguns amigos seus de escola. O pré-Beatles. Eles nunca gravaram um disco completo, mas deixaram diversos singles. Abaixo você ouve ''That´ll Be The Day'', a primeira gravada pelo quinteto (sim, quinteto) de Liverpool.


T. Rex

O T.Rex ganhou fama na década de 1970 com hits como ''Get It On (Bang a Gong)'', ''Children Of Revolution'' e ''20th Century Boy'', liderando o movimento glam rock junto com David Bowie, Gary Glitter, Roxy Music e New York Dolls. Mas uma década antes, o T.Rex era chamado de Tyrannosaurus Rex, era apenas um duo, constituído pelo carismático Marc Bolan e Steve ''Peregrine Took'', que faziam um folk psicodélico. Lançaram quatro discos, sendo o primeiro, My People Were Fair And Had Sky In Their Hair... But Now They Content To Wear Stars In Their Brows, o mais bem sucedido - e também o álbum com título mais extenso já lançado. No vídeo abaixo o duo interpreta ''Debora'', em 1968 no Kempton Park.


Creedence Clearwater Revival

Doug Clifford, Stu Cook, John Forgety e o seu irmão mais velho Tom Forgery formaram um grupo chamado The Blue Velvets para tocar músicas que faziam sucesso nas jukeboks da cidade. Em 1964, a banda assinou um contrato com o selo independente Fantasy. Para o primeiro lançamento do grupo, o vice-presidente da gravadora, Max Weiss, sugeriu um novo nome: The Golliwogs. Os rapazes aceitaram e gravaram o disco. O disco seguinte demorou oito anos para ser lançado e trouxe não só uma formação diferente (Stu deixou o piano e passou a tocar baixo, Tom foi para guitarra base e John virou o líder da banda, compondo tudo), mas também um nome diferente: Creedence Clearwater Revival.




Spooky Tooth

O Art lançou apenas um disco, Supernatural Fairy Tales em 1967 sob o selo Island. Depois adicionou o tecladista Gary Wright (que sairá em turnê este ano com Ringo Starr e sua All Starr Band) à formação e mudou seu nome para Spooky Tooth, tradicional banda de hard progressivo inglesa. O som do Art não tem nada a ver com o prog, trata-se de canções curtas e psicodélicas, mas com refrões fáceis e guitarras afiadas e esporrentas. Um power pop lisérgico.


Queen

Smile era um trio de blues rock formado por amigos de escola: Brian May, Roger Taylor e Tim Staffel. O grupo gravou seis músicas, sendo dois covers, pela gravadora Mercury Records. Em 1970, o baixista e vocalista Staffel saiu da banda e apresentou os rapazes a Farokh Bulsara, que por sua vez, passaria a ser conhecido por Freddie Mercury. Depois de várias audições para encontrar um baixista, John Deacon assumiu as quatro cordas e a banda passou a se chamar Queen. A principal composição do Smile é ''Doing All Right'', que foi regravada pelo Queen e incluída no primeiro disco da banda, com os devidos créditos à dupla que a compôs: May e Staffel.



Black Sabbath

Tudo começou quando Tony Iommi e Bill Ward, respectivamente guitarrista e baterista da banda Mythology, leram um cartaz de um vocalista, ainda sem banda, que dizia: ''Ozzy Zig requires a gig''/(''Ozzy Zig procura um show''). Iommi, que estudou na mesma escola que Ozzy, recusou formar uma banda com ele, mas depois de muita insistência do seu amigo Bill Ward, acabou aceitando. Ozzy trouxe mais dois guitarristas da Rare Breed, sua antiga banda: Gezeer Butler, que passou a ser o baixista, e Jimmy Phillips. Também foi incluído ao line up o saxofonista Alan Clarke, e a banda foi batizada pela primeira vez com o nome - sem noção - Polka Tulk Blues Band, encurtado mais tarde para Polka Tulk.
Após a saída de Jimmy Phillips e Alan Clarke, a banda passou a chamar-se Earth e começou a construir um repertório voltado para o Blues e nas suas pequenas apresentações, fazia covers de Hendrix, Blue Cheer, Cream e Beatles - esta última uma paixão de Ozzy até hoje.

O material que se encontra do Mythology é uma gravação amadora, feita por alguém da platéia no último show da banda. Já o Earth gravou um EP com cinco músicas em 1969. O nome Polka Tulk Blues Band durou apenas um mes, por isso não se encontra registro, nem de gravações amadoras, do seu som.





quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

30 anos sem John Lennon


8 de dezembro de 1980. Cinco tiros são disparados na frente do edifício Dakota, em Nova York. Quatro atingiram John Lennon, e a cena tornou-se um marco na cultura pop. A comoção popular foi enorme, só sendo comparada aos óbitos de Elvis Presley e Michael Jackson.

Lennon era o mais polêmico dos Beatles. Tinha um humor ácido e piadas sarcásticas sempre na ponta da língua. Um dia disse que ''se a juventude continuasse do jeito que estava, os Beatles seriam mais famosos do que Jesus Cristo''! Obviamente, ninguém entendeu a crítica e John foi odiado pelos mais ortodoxos.
Nos Beatles Lennon era o principal letrista e líder do grupo durante a sua primeira fase, a tal ''fase Iê Iê Iê'', ou Yeah Yeah Yeah, se preferirem. A partir do disco Revolver, Paul passou a comandar o Fab Four, mas Lennon não tornou-se obsoleto e compôs obras como A Day In The Life, Stranberry Fields Forever e o hino All You Need Is Love.

Em 1962, John se casou com Cynthia Powell, com quem teve o seu primeiro filho, Julian Lennon, que seguiu o caminho do pai e tornou-se músico, obviamente, sem o mesmo brilhantismo e genialidade. Durante uma viagem de Cynthia, John conheceu a artista plástica Yoko Ono em uma exposição de arte da japonesa que o próprio Lennon teria financiado. John pediu o divórcio e casou-se com Yoko.

Lennon começou a levar sua esposa as gravações dos Beatles, onde o clima já estava pesado, e as brigas aumentara com a presença de uma estranha no ninho. George e Paul não gostavam de Yoko, e a imprensa e os fãs muito menos. Essa tensão teve como cume a separação dos Beatles em 1970, após o meloso e pausterizado (mas nem por isso, ruim) Let It Be. Hoje em dia, muitos culpam Yoko Ono pelo término dos Beatles, e a própria alega ter servido de bode expiatório para algo que iria acontecer em breve.

Durante a carreira solo, John seguiu um lado mais ativista e social, provavelmente, influenciado pela parceira. No seu primeiro disco, Two Virgins, de 1968, em que Lennon e Yoko aparecem nus na capa do disco, cujo lançamento foi negado pela EMI, sendo feito por duas gravadoras independentes e adquirindo o status de peça de colecionar, ainda inédito em alguns países, inclusive o Brasil. Fez vários protestos, como o Bed In. Logo após a sua lua de mel. Ele disse em que quarto e que hotel estariam e que as portas estariam abertas. Obviamente, os repórteres correram para lá, e não viram o que esperavam. O casal não estava fazendo sexo, mas sim protestando, esse foi o Bed In.

John e Yoko no Bed In: ''Fique na cama e deixe o cabelo e barba crescerem''

O primeiro disco após o fim dos Beatles é, para mim, o melhor de sua carreira: Plastic Ono Band, com participações de músicos dos Yardbirds, The Who, Eric Clapton e Alan White, futuro baterista do Yes. o álbum foi produzido pelo lendário Phil Spector, que já tinha produzido o Let It Be.
Depois de Plastic Ono Band, foi lançado Imagine, que colocaria o músico no topo do mundo com a sua música título, um hino da paz, e a ofensa direta a Paul McCartney em Who Do You Sleep?

John e Sean Lennon: ''a fase babá''

John lançou mais um disco por ano durante quatro anos, mas essa sequência foi interrompida pelo nascimento de Julian Lennon, seu segundo filho. Lennon decidiu ficar em casa, cuidando de seu filho, e assim o fez durante cinco longos anos.

O último disco de John

Depois da sua ''fase babá'', Lennon volta aos estúdios e lança Double Fantasy, o seu último disco. Um mês depois, John Lennon sai de seu prédio, dá um autógrafo (este disco autografado é, hoje, um dos discos mais caros do mundo) para seu futuro assasino. John é atencioso e carismático com ele. A noite, o músico retorna, e é baleado por Mark Chapman. Este, por sua vez, era fã de John Lennon. A sua fixação pelo ex-Beatle o fez casar-se com uma japonesa mais velha, assim como Yoko Ono, e assinar, algumas vezes, como John Lennon, ao invés de seu próprio nome.

Chapman pensava que Lennon era hipócrita, cantando músicas como Give Peace A Chance, Power To The People, Imagine e Working Class Hero e morando em um prédio de luxo, como o Dakota. Alegava que Lennon tinha aderido a sociedade de consumo que tanto criticava.

Após os disparos, Chapman não correu. Ficou parado com o revólver e o livro O apanhador no campo de centeio em suas mãos e declarou-se culpado. Mark Chapman foi preso e sentenciado com prisão perpétua. O assasino se diz arrependido, mas que não pediria perdão porque sabia dos danos que causou. Entretanto, em 2000 ele pediu a liberdade, que foi negada. Esse ano, Mark fez seu sexto pedido, mas uma vez, negado.

Pouca gente sabe, mas Mark Chapman adimitiu que também pretendia assasinar o gênio David Bowie. Bowie estava em turnê numa peça teatral, e sabia que na primeira fileira, John e Yoko estariam lá. No dia do espetáculo, as duas cadeiras estavam vazia, além de outra, que descobriram que seria ocupada por Chapman.

O assasinato de John Lennon foi marcante. Hoje, temos uma dúzia de filmes e livros que narram o episódio. Indico o Chapter 27, que fala do assasinato na visão de Mark Chapman.

O museu de John Lennon, no japão fechará suas portas em setembro do mês ano que vem, segundo Yoko Ono. Ela disse que o destino de John é mover-se por todo o mundo. O museu nao deve transformar-se em tumba, do contrário, perderia seu espírito.
''Após dez anos aqui, o espírito de John deve seguir em frente e em busca de um próximo lugar.'' Esperamos assim, que o museu do músico apenas mude de endereço, mas que não seja deletado.

A morte do herói da classe operária destruiu o sonho dos fãs de volta dos Beatles. Mas o interesse no Fab Four continua até hoje. O recente jogo de vídeo game The Beatles Rock Band, em conjunto com os shows de Paul McCartney no Brasil e os relançamentos dos discos de John Lennon mantém vivo o interesse e o gosto popular na banda inglesa, que conquista fãs mais jovens a cada dia.

Não deixe de acessar o fórum Metal Is The Law para debater sobre a vida e a obra de John Lennon!!!

domingo, 7 de novembro de 2010

John x Paul

Por Sérgio Martins
Jornalista
Matéria publicada originalmente na revista Veja. Edição 2189 - ano 43 - nº 44

Os shows de Paul McCartney no Brasil e o relançamento dos discos-solo de John Lennon são uma boa oportunidade para reavivar o mais irresistível debate do Rock: qual dos dois foi o maior beatle?

Entre os fãs de Rock, há uma disputa ancestral para decidir qual é a maior banda de todos os tempos - os Beatles ou os Rolling Stones. E uma divisão ainda mais acirrada corre entre os partidários do quarteto de Liverpool: O Fla-Flu musical entre os parceiros (e depois cordiais inimigos) John Lennon e Paul McCartney, que assinam a maior parte das canções dos Beatles. Dois eventos desta semana permitirão que os beatlemaníacos revisem ou reforcem suas posições nessa querela. Comemorando os 70 anos de nascimento de Lennon e lembrando os trinta de sua morte, que se completarão em 8 de dezembro, está chegando às lojas a reedição completa dos discos-solo do compositor de Imagine, um álbum original e três compilações. E McCartney, 68 anos e ainda o ''beatle bonitão'', desembarca para shows no próximo domingo em Porto Alegre e, nos dias 21 e 22 em São Paulo. Os mais equilibrados argumentarão que esse debate é inútil. Ambos, afinal, eram músicos de talento excepcional, aos quais se pode creditar a invenção do POP. A natureza do fã, porém, tem pouco de equilíbrio - e muito de exaltação.

A criação dos Beatles, em torno de 1960, deve-se sobretudo a Lennon, e nos primeiros anos foi ele seu líder e porta-voz inconteste. Também foi Lennon quem mudou as canções pueris e açucaradas dos primórdios da banda para composições de mais fôlego, ousadas na crítica social e adultas na exploração de dramas pessoais. McCartney assumiu a liderança de fato dos Beatles em 1966, fase em que Lennon estava mais interessado em experiências psicodélicas do que no trabalho de gravação (foi McCartney, entretanto o primeiro beatle a experimentar LSD). Por tanto, o motor criativo dos melhores discos da banda, como Revolver e Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, foi McCartney. Em contraste com o parceiro disciplinado, Lennon era também errático. O técnico de som Geoff Emerick lembra que McCartney dava instruções técnicas, precisas, enquanto Lennon pedia coisas como ''faça-me soar como o Dalai Lama pregando no topo de uma montanha''. Ainda assim, Lennon saía-se com ousadias que até hoje soam criativas e modernas. É o caso de Tomorrow Never Knows, com seus efeitos de guitarra e instrumentos tocando de trás para a frente. Também fpo Lennon quem deu forma revolucionária à canção mais ousada de Sgt. Pepper´s - A Day In Life, uma das últimas parcerias efetivas da dupla.

Nunca totalmente sozinho: Paul McCartney voltou a tocar músicas de John Lennon, o seu eterno parceiro e rival.

Não se deve concluir daí, porém, que McCartney fosse o ''quadradão'' da banda. O biógrafo Barry Miles derrubou esse velho lugar comum. Era McCartney, e não Lennon, quem frequentava o mundo da moda e as galerias de arte (ainda que Lennon tivesse passado pela Liverpool School Of Art e fosse um desenhista talentoso). As várias guinadas musicais do grupo foram quase sempre capitaneadas por McCartney. E esse espítiro inquieto resiste. McCartney surpreendeu os que o acusavam de compor apenas baladas adocicadas quando lançou o projeto The Fireman, em 1994. Trata-se de um trabalho de música eletrônica, gravado ao lado de Youth, baixista do grupo pós-Punk Killing Joke. A parceria foi renovada em um disco de 2008, Eletric Arguments (esse McCartney de rave, porém, não comparece aos shows ao vivo, nos quais prefere se ater aos standards dos Beatles e de sua carreira solo, como Live And Let Die e Band On The Run).

Os dois beatles tinham temperamentos difíceis. Lennon, em particular, era um tipo abrasivo, às vezes até violento - em uma crise de ciúme, chegou a dar com a cabeça da primeira mulher, Cynthia, contra uma parede. Era talvez inevitável que o choque entre eles resultasse na dissolução do grupo, em 1970. A influência da chatonilda Yoko Ono, o grande amor da vida de Lennon, sobre o fim do grupo costuma ser um tanto superestimada. Aliás, um defeito comum aos dois, na carreira-solo foi a inclusão de suas mulheres em shows e discos, em franca desproporção com o talento delas. Paul, pelo menos, parece ter sido feliz com a pandeirista Linda McCartney (o mesmo não se pode dizer de seu casamento com Heather Mills, que há doius anos lhe arrancou 85 milhões de reais em um divórcio litiginoso). A despeito da cultivada imagem de casal maluco beleza, a união de Lennon com Yoko teve lançes que beiram a patologia: em certo período, ela passou a negar sexo ao parceiro, que se entregava então compulsivamente a práticas solitárias.

Aparentemente conciliado com o antigo rival, McCartney hoje até inclui músicas da carreira solo de Lennon, como Give Peace A Chance, no repertório de Up And Coming, turnê que ele traz ao Brasil. E, claro, toca várias canções dos Beatles. 'Um dia, quando eu lançar um disco realmente bom, quem sabe eu possa deixá0las de lado'', ironizou ele certa vez. Não há escapatória: Paul McCartney será para sempre o parceiro de John Lennon, seu rival.

O fla-flu do Rock
Item por item, o embate entre dois beatles - John Lennon e Paul McCartney

  • Melodia
McCartney foi o idealizador de discos como Revolver e Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, que fizeram a banda amadurecer. Mas Lennon compôs canções como Tomorrow Never Knows e A Day In Life, inovadoras nos arranjos e ousadas na melodia

Paul McCartney *
John Lennon *
  • Letras
Depois de ouvir orientações de Bob Dylan, em 1965, Lennon começou a fazer letras mais pessoais, com jogos de palavras criativos e assuntos inusitados, como em I Am The Walrus (Eu Sou A Morsa). McCartney era bom nas mensagens sentimentais, como em The Long And Winding Road e na lindíssima She´s Leaving Home

Paul McCartney
John Lennon *
  • Inovação
Lennon ficou com fama de provocador. Mas, em boa parte do tempo, estava chapado demais para exercê-la. McCartney, assim, foi o verdadeiro beatle de vanguarda, Frequentava galerias de arte, era obcecado por técnicas de estúdio e introduziu novos elementos sonoros na música dos Beatles - como o solo de trompete de Penny Lane, inspirado em Bach.

Paul McCartney *
John Lennon
  • Moda
McCartney frequentava o mundo da moda em Londres, e foi dele a idéia para os figurinos de Sgt. Peppers. Hoje, sua filha Stella é uma estilista respeitada

Paul McCartney *
John Lennon
  • Sucesso com as fãs
McCartney, todo certinho, era chamado de ''o beatle bonitão''. Já Lennon tinha um apelo mais selvagem e imprevisível - foi ele quem descreveu as turnês da banda como orgias intinerantes

Paul McCartney *
John Lennon
  • Escolha de mulheres
Os dois encontraram o grande amor no fim da década de 60: McCartney casou-se com a americana insossa Linda Eastman; Lennon com a japonesa chatonilda Yoko Ono. Ambos a puseram para cantar. Antes não o tivessem feito

Paul McCartney *
John Lennon
  • Trato com os mortais
Lennon e McCartney eram difíceis no trato com os fãs, mas a acidez de Lennon causava mais danos. Ele chegou a fazer um músico que o admirava, da banda Turtles, desistir da carreira.

Paul McCartney *
John Lennon *
  • Carreira pós-Beatles
No trabalho-solo, ambos lançaram discos ótimos e sofríveis. Lennon, porém, emplacou mais canções realmente memoráveis, como Imagine e Happy Christmas (War Is Over)

Paul McCartney
John Lennon *

PLACAR FINAL:

Paul McCartney:
6
John Lennon :
4



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Studios Abbey Road

Criados em 1931, pela EMI, os estúdios Abbey Road alcançaram, merecidamente, o título de estúdio mais famoso do mundo. Boa parcela de sua fama pode ser atribuída aos lendários clássicos dos Beatles e a gravação da música All You Need Is Love, primeira transmissão via-satélite mundial, em 1967, feitos no prédio.

Mas Abbey Road não vive só de Fab Four, nomes fortes da música britânica, e mundial no prédio da EMI. Depois dos Beatles, o Pink Floyd é o exemplo mais conhecido de banda com clássicos gravados no Abbey Road. Por lá, eles gravaram Wish You Were Here; Dark Side Of The Moon e seu disco de estréia, The Piper Gates At Dawn, ainda com Syd Barret no comando do grupo.

Entre outros figurões que fincaram sua marca no prédio, temos Alan Parsons, com os discos Tales Of Mystery And Imagination e I Robot. O Camel, com o conceitual Nude; e o Elvis inglês, Cliff Richard´s, que gravou boa parte de seus discos no Abbey Road.

Com todo esse clima de ''Classic Albuns'', bandas grandes dos anos 90, que eram da EMI, também quiseram entrar no estúdio lendário, e assun foi com o Oasis, que gravou o álbum Be Here Now; e com o Radiohead, que gravou The Bends e as seções de cordas para o seu disco mais famoso e aclamado pela crítica, O.K. Computer. Em 2000, o Radiohead volta à esse mesmo estúdio e grava o disco Kid A, e o Oasis volta para gravar Dig Out Our Souls.

Na década passada, entraram nomes com mais admiração e respeito dos rockers no Abbey Road. O U2 gravou duas músicas inéditas para a coletânea 18 Singles; Nightwish chegou para fazer o Dark Passion Play, e David Guilmor re-lembrou os tempos de Pink Floyd no Abbey Road e saiu de lá com o seu melhor disco solo: On A Island.

Hoje, Abbey Road é ponto turístico de Londres e destino certo de beatlemaníacos, que imitam a pose dos Fab Four, deixando os motoristas irritados e usando as suas buzinas ao máximo.


Se você quer saber mais sobre os esúdios Abbey Road, acesse o site oficial, que contém uma câmera 24 horas ao vivo para todo mundo ver pela internet:

http://www.abbeyroad.com/

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