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domingo, 10 de abril de 2011

Ozzy Osbourne (Mineirinho, Belo Horizonte, 09/04/11)


O "bom velhinho" Ozzy Osbourne passou pelo Brasil durante o fim de março e início de abril com sua turnê de divulgação do recente álbum "Scream", se apresentando em cinco cidades, terminando com o concerto em Belo Horizonte diante de 12 mil espectadores.

A banda de abertura foi os gaúchos do Hibria que às 20:30 mandaram os primeiros acordes da noite com Nonconforming Minds. Eles exploraram bem as canções do seu último álbum "Blind Ride", tocando, além da supracitada, Welcome To The Horror Show, Shoot Me Down e Blinded By Faith, além de algumas outras dos dois primeiros discos, demonstrando muita disposição e qualidade. Porém, a essa altura, o local ainda não estava lotado, com muita gente do lado de fora tentando retirar seu ingresso nas bilheterias ou esperando dar a hora do espetáculo principal.

Ao som dos coros que gritavam seu nome, Ozzy então subiu no palco exatamente no horário marcado, ao contrário de outros shows, levando a multidão ao delírio assim que entrou. Bark At The Moon iniciou seu repertório e deu sequência com Let Me Hear You Scream, ambas agitando o público, principalmente a segunda que foi entoada fortemente. Então vieram dois clássicos do seu debut em carreira solo: Mr. Crowley, um dos momentos mais emocionantes da noite, e I Don't Know. Em seguida, foi tocada a primeira música do Black Sabbath da setlist, Fairies Wear Boots.

Entre os gritos de "olê, olê olê, Ozzy, Ozzy" foram ouvidos coros pedindo No More Tears durante todo o show, mostrando que foi a ausência mais sentida. Apesar do clamor pela canção, ela não foi tocada. Mas Suicide Solution foi e agitou os presentes mais uma vez. Road To Nowhere, uma das baladas mais prestigiadas do cantor britânico, veio desacelerar o ritmo um pouco, o que não significa que não foi apreciada.

War Pigs veio e com ela outra cena ocorrida em Porto Alegre: Ozzy que já havia se enrolado em uma bandeira do Grêmio, desta vez acolheu uma bandeira do Atlético-MG, dividindo, é claro, o barulho entre gritos eufóricos de atleticanos e vaias de cruzeirenses. Mas as divergências futebolísticas logo foram esquecidas com Shot In The Dark, após uma rápida apresentação dos integrantes da banda.
Para dar um descanso pro Madman, os outros músicos apresentaram Rat Salad, além de solos de Gus G. (entre eles uma versão de "Brasileirinho" na guitarra), que parece ter agradado de uma forma geral pelo menos a maioria, e do baterista Tommy Clufetos, com sua performance excêntrica, puxando uma interação com o público. Com Ozzy de volta ao palco, Iron Man foi outro ponto alto, tendo seu riff cantado em uníssono. I Don't Want To Change The World e Crazy Train também foram cantadas alto, principalmente no refrão. Após uma rápida retirada, o grupo volta para fechar com chave de ouro tocando Mama, I'm Coming Home e a alucinante Paranoid.

O ícone do rock passava um entusiasmo contagiante e parecia estar muito feliz e satisfeito por estar cantando e se apresentando pra milhares de pessoas. O único ponto negativo foi que a acústica do local não é um primor, às vezes produzindo até alguns ecos. Mas nada que estragasse o brilhantismo do espetáculo.

Ozzy mais uma vez mostrou que ignora completamente sua idade em suas apresentações e manteve constantemente brincadeiras com o público (o que o faz ser um dos melhores ao vivo), com direito à baldes de água e jatos de espuma. Com uma tracklist repleta de clássicos antigos (só uma posterior ao álbum "No More Tears", de 1991, foi tocada), se despede temporariamente do Brasil com um show à altura do seu nome, provando que ainda tem muito gás para gastar.


Fotos: Jornal do Brasil/Portal UAI


Setlist:

Bark At The Moon
Let Me Hear You Scream
Mr. Crowley
I Don't Know
Fairies Wear Boots
Suicide Solution
Road To Nowhere
War Pigs
Shot In The Dark
Rat Salad
Iron Man
I Don't Want To Change The World
Crazy Train
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Mama, I'm Coming Home
Paranoid

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ozzy Osbourne (Gigantinho, Porto Alegre, 30/03/11)


Com os ingressos esgotados, a primeira das cinco apresentações de Ozzy Osbourne no Brasil levou mais de 12 mil fãs ao Ginásio Gigantinho em Porto Alegre, na última quarta-feira (30). Os shows fazem parte da turnê de divulgação do álbum mais recente do cantor, "Scream", lançado no ano passado.

Quase no mesmo horário, o time do Internacional enfrentava o Jorge Wilstermann pela Taça Libertadores, gerando um contraste na entrada entre os uniformes vermelhos dos torcedores colorados e as roupas pretas dos headbangers, já que o Gigantinho faz parte do complexo do Estádio Beira-Rio e se localiza apenas a alguns metros do mesmo.

Após o show de abertura do Gunport, o Madman, como também é conhecido, subiu ao palco pontualmente às 21:00 horas ao lado de sua banda para abrir o show com um clássico: Bark At The Moon. Com uma produção reduzida em relação aos shows mais recentes na América do Norte, o palco não contava com o telão gigante ao fundo, efeitos pirotécnicos e o vídeo de abertura ao qual Ozzy satiriza vários filmes famosos, porém estes detalhes não chegaram nem perto de fazerem falta. Ainda na primeira música, um torcedor jogou uma bandeira do Grêmio ao palco e Ozzy a vestiu como uma capa por alguns segundos, em pleno ginásio do arqui-rival. Para aumentar ainda mais a irá dos torcedores colorados, o músico ainda ignorou uma bandeira do Inter arremessada ao palco mais tarde. A provocação, provavelmente involuntária, vem sendo bastante comentada em diversos veículos de comunicação.

Apesar de ser uma turnê para a divulgação de "Scream", apenas uma música do álbum foi tocada, Let Me Hear You Scream. Daí em diante foram apenas clássicos, iniciando com uma dobradinha do álbum "Blizzard Of Ozz" para deixar qualquer fã louco: Mr. Crowley e I Don't Know.

Fairies Wear Boots foi a primeira música do Black Sabbath da noite, seguida de Suicide Solution. Road to Nowhere veio para dar uma acalmada no público antes do lugar ir abaixo com mais um clássico do Black Sabbath, War Pigs.

Shot In The Dark, do álbum "The Ultimate Sin" foi muito bem recebida. Na sequência foi a vez do guitarrista grego, Gus G., mostrar porque foi escolhido como o novo guitarrista de Ozzy em um solo virtuoso emendado com a instrumental Rat Salad, que ainda deu espaço para um longo solo de bateria de Tommy Clufetos, sempre chamando atenção com seus movimentos exagerados. Esta foi a única música do Sabbath tocada em que Adam Wakeman, filho do lendário Rick Wakeman, não abandonou os teclados para tocar a guitarra base. Rob "Blasko" também se mostrou um ótimo baixista e com uma enorme presença de palco, assim como todos da banda.

O clássico absoluto, Iron Man, teve seu riff cantado em coro pelos fãs, assim como os refrões das duas músicas que encerraram o set principal, I Don't Want to Change The World e Crazy Train. Rapidamente os músicos retornaram ao palco para a balada Mama I'm Coming Home e a insana Paranoid para encerrar a apresentação. O setlist foi o mesmo dos últimos shows da turnê e para a tristeza de muitos, deixou No More Tears de fora.


Aqueles que foram esperando um show de um velho roqueiro sem fôlego e estático no palco se surpreenderam ao verem Ozzy indo de um lado para o outro, pulando, jogando baldes de água e jatos de espuma no público, sempre muito carismático e interagindo com os fãs, seja atiçando-os ao puxar coros de "olê, olê, Ozzy, Ozzy" ou brincando com os morcegos de plástico que eram jogados no palco. É fato para todos que sua performance vocal não é das melhores, porém não houveram falhas absurdas e ninguém parecia ligar muito para isso, todos se preocupavam apenas em aproveitar o show de uma das figuras mais emblemáticas do Heavy Metal. A banda foi um show a parte e Gus G., estreante em solo brasileiro com Ozzy, foi muito bem recebido pelo público que também comemorava e cantava cada clássico que era tocado. Sem dúvidas um show memorável. Resta agora vermos se Ozzy cumprirá a promessa feita em Porto Alegre e voltará no ano que vem.

Setlist:
1. Bark At The Moon
2. Let Me Hear You Scream
3. Mr. Crowley
4. I Don't Know
5. Fairies Wear Boots
6. Suicide Solution
7. Road To Nowhere
8. War Pigs
9. Shot In The Dark
10. Rat Salad
11. Iron Man
12. I Don't Want To Change The World
13. Crazy Train
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14. Mama I'm Coming Home
15. Paranoid


Fotos: Divulgação/By Paz Fotos
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ozzy Osbourne - Scream (Review)

Nota: 8

Após três anos Ozzy Osbourne está de volta com seu mais novo álbum de estúdio, Scream, que chega hoje às lojas brasileiras. O álbum marca a entrada do guitarrista Gus G. (Firewind, ex-Dream Evil) e do baterista Tommy Clufetos (Alice Cooper, Ted Nugent, Rob Zombie) e vem com a proposta de trazer um som renovado em relação aos últimos lançamentos do vocalista.

Scream apresenta uma sonoridade bastante pesada e moderna com fortes riffs de guitarra e solos bastante técnicos, algo que já poderíamos esperar de Gus G. Apesar de todos preverem algo diferente dos últimos álbuns não é o que acontece ao ouvirmos o primeiro riff de Let It Die que possuí um estilo bastante Zakk Wylde (talvez pelo fato de que uma boa parte do álbum já estava escrita antes de Gus G. entrar para a banda), porém a partir do solo já podemos ver mais claramente o estilo de Gus G, o mesmo se repete em boa parte das músicas.

Let Me Hear You Scream é primeiro single do álbum, provavelmente já ouvido por todos, é uma boa música, não chega a ser a melhor, a bateria deixa um pouco a desejar nesta faixa. Mas uma coisa é praticamente certa: essa música funcionará muito bem ao vivo.

Um dos melhores momentos é em Life Won’t Wait com um ótimo trabalho na parte do baixo por Rob Blasko e com violões dando um toque sutil à música que ganha peso no refrão. A faixa seguinte, Diggin’ Me Down, também merece destaque. Esta também possui uma bela introdução com violão que aos poucos começa a ganhar um clima soturno antes de explodir em um pesadíssimo riff de guitarra. O título de melhor música fica com Time com uma bela melodia e bom solo de guitarra.

Soul Sucker, Crucify e I Want It More são boas músicas, não tanto quanto as citadas anteriormente, mas se encaixam bem no contexto geral do disco. A grande falha do disco fica com as músicas Fearless e Latimer’s Mercy, essas duas não animam e não fariam falta de tivessem ficado de fora. O álbum encerra com a curta I Love You All que é uma mensagem de Ozzy para seus fãs.

Apesar de ser um bom disco Scream não inova. Gus G.é um excelente guitarrista, conseguiu compor solos bons e bastante técnicos, mas ainda podemos sentir muito a influência dos outros guitarristas que tocaram com o ‘Madman’, especialmente Zakk Wylde. Isso pode não parecer ruim, mas não traz nada de realmente novo ao som de Ozzy. Se quiserem ver do que Gus G. é realmente capaz recomendo o DVD Live Premonition do Firewind. Se ele estivesse mais envolvido no processo de composição com certeza teria deixado sua marca muito mais em evidência, isso com certeza acontecerá se Ozzy vier a lançar um novo álbum.

Os vocais de Ozzy estão bons, nada que ultrapasse o limite daquilo que ele consegue fazer ao vivo. Rob Blasko fez novamente um bom trabalho, assim como Tommy Clufetos no geral, apesar de deixar um pouco a desejar em algumas músicas.

Scream é mais um bom lançamento para a discografia de Ozzy. O álbum alterna entre ótimas faixas e outras nem tanto e soa como o caminho mais natural a ser tomado após o último álbum, Black Rain. Não espere um álbum clássico como Blizzard Of Oz, Bark At The Moon e No More Tears, Scream é bom, mas dentro daquilo que podemos esperar do Madman atualmente. Por isso o álbum recebe a nota 8, um tanto quanto generosa, afinal não é qualquer um que consegue lançar músicas com o peso e energia que vemos aqui com 61 anos nas costas. O álbum vem recebendo críticas bastante variadas desde seu lançamento no exterior, mas estamos diante do que talvez seja o melhor álbum desde Ozzmosis. Com certeza merece ser ouvido.

  1. "Let It Die" - 6:05
  2. "Let Me Hear You Scream" 3:25
  3. "Soul Sucker" - 4:34
  4. "Life Won't Wait" - 5:06
  5. "Diggin’ Me Down" - 6:03
  6. "Crucify" - 3:29
  7. "Fearless" - 3:41
  8. "Time" - 5:31
  9. "I Want It More" - 5:36
  10. "Latimer’s Mercy" - 4:27
  11. "I Love You All" - 1:04
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