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sábado, 18 de junho de 2011

Top 3: Caetano Veloso

Quando criança, Caetano recusava os convites para brincar na rua em troca de observar no seu quintal um açucena-lágrima-de-vênus. Essa sensibilidade aguçada não viria para a música logo de primeira, os projetos do jovem baiano ficavam entre a filosofia, literatura, cinema e pintura. Tudo mudou quando um amigo lhe chamou para ouvir um disco de um ''cara que canta diferente, tudo desafinado. A voz dele vai para um lado e ao orquestra vai para o outro.'' Chega de Saudade, de João Gilberto fez Caetano se apaixonar pela música: ''eu já gostava de cantar, mas aquilo colocou a música popular no centro do meu interesse'', conta Caetano.

A obra do filho de dona Canô e irmão de Maria Bethânia desconhce redomas estéticas. O iníciou foi com a bossa, depois eletrificou a MPB e liderou, juntamente com o ídolo e parceiro Gilberto Gil, a tropicália, fez experimentos musicais e música pra assobiar e cantar junto. Além de tudo, Caetano não vive das glórias do passado, nos últimos anos lançou discos de qualidade, como Zii & Zie e , e fez uma parceria de gosto duvidoso com a cantora e - vá lá - compositora Maria Gadú.

Ao tentar explicar que é Caetano Veloso para os americanos e europeus, é feito um híbrido de Bob Dylan, Syd Barret, John Lennon e Bob Marley. Caê é motivo de orgulho nacional, os americanos e europeus jamais terão um Caetano Veloso, e talvez por isso ele é/foi idolatrado por lendas como Kurt Cobain e David Byrne.

Caetano Veloso (1968)

A estréia de Caetano (o primeiro disco, Domingo, foi gravado em parceria com a sua grande amiga Gal Costa) foi pedra fundamental para a consolidação da tropicália, uma versão brasileira rebelde do rock dos Beatles e Stones. ''Trópicalia'' é carregada de metáforas e críticas a política (o ''monumento'' é uma referência ao congresso de Brasília) o ''ta-ta-ta-ta'' no refrão é uma alusão ao som de metralhadoras, todo esse turbilhão de raiva codificado é embalado em um arranjo denso e pesado. ''Alegria, Alegria'' chocou os puristas da MPb - que viam a influência do rock como uma alienação cultural - com a guitarra elétrica tocado pelos argentinos do Beach Boys. Mesmo assim, a canção fez sucesso no festival da rede Record em uma apresentação memorável que lhe rendeu a quarta colocação no festival.

O disco foi um sucesso entre os adolescentes, mas não para a ditadura, que o mandou junto com o seu parceiro Gilberto Gil para o exílio em Londres, o que só veio aumentar o seu status de lenda e renderia pérolas como ''Debaixo dos Caracóis dos Teus Cabelos'', composto por Roberto Carlos para Caetano.

Transa (1972)

Enquanto Caetano Veloso de 1968 era uma raivosa declaração crítica e um chamado aos jovens, Transa era o oposto. Com uma partição tímida de guitarra elétrica, o disco foi composto e gravado na fria capital inglesa, mas lançado no ano em que o músico baiano retorna ao seu país natal.
Os arranjos (não creditados na ficha técnica inexistente) ficaram por conta dos amigos Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. O violão de Caetano é limpo e claro, proporcionando boas melodias, como em You Don´t Know Me, mas vai muito além disso. ''Nine Out Of Ten'' é segundo o próprio músico, sua melhor composição em inglês e ainda segundo ele, ''a primeira vez que algum artista brasileiro toca alguns compassos de Reggae''. A genial letra de ''Mora na Filosofia'' foi composta pelo sambista Monsueto Menezes, e a hiponga ''Triste Bahia'', com fraseados de berimbau, tem uma estrofe do poeta barroco Grégorio de Matos, mais conhecido como ''Boca do Inferno''.

Transa é apontado várias vezes como o melhor disco de Caetano, e ficou em décimo lugar numa lista da Rolling Stone Brasil dos maiores discos da música nacional. Este era apenas o primeiro dos quatro discos que o músico lançaria inspirado pelo seu retorno ao país naquele ano.

Araçá Azul (1972)

Em Araçá Azul a habilidade de harmonizar extremos de Caetano ficou clara: uma desconstrução de música misturando dodecafonia com samba de prato. O disco é altamente experimental e excluiu Caetano de qualquer rótulo já imposto sobre ele. ''De Conversa'' e ''De Palavra em Palavra'' não tem música ou letra, é uma colagem de sons criando uma impressão de música, antecipando (e talvez influenciando) assim a noise music e Lou Reed em Metal Machine Music. ''De Cara/Eu Quero Essa Mulher'' tem uma guitarra distorcida mais pesada do que o Led Zeppelin estava acostumado e mais rápida do que Tony Iommi o Sabbath. Por outro lado, ''Tu Me Acostumbraste'' e ''Araçá Azul'' são lamentos melancólicos amplificados pela interpretação pessoal e intimista de Caetano.

''Um disco para entendidos'', como dizia o texto do interior do LP de capa dupla. Araçá Azul não agradou de imediato e teve inúmeras devoluções pelo seu conteúdo experimental e sons aleatórios sem harmonia alguma. Hoje é considerado uma obra-prima, tanto pela crítica quanto pelos fãs, além de ser o disco oficial mais caro do músico.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Caetano Veloso - MTV ao Vivo Zii e Zie [Review]

Depois de sair em turnê pelo país com Maria Gadú, Caetano Veloso lança MTV ao Vivo Zii e Zie, gravado na cidade do Rio de Janeiro e está disponível em três versões: CD, DVD simples e duplo, que traz, além do show, um documentário e o DVD extra obra em progresso, com oito músicas.

Acompanhado pela banda Cê, que também o acompanhou na gravação de Zii e Zie, em 2009, Caetano interpreta clássicos, como Maria Bethânia, Eu Sou Neguinha?, e Trem Das Cores, em meio a músicas de seu último disco de estúdio.

As músicas mais lentas (Aquele Frevo Axé, Volver, Não Identificado e Trem das Cores) parecem ser as mais esperadas pelo público, que costuma cantar todos os seus versos. Mas são nas mais ritmadas, como Eu Sou Neguinha?, Base de Guantánamo, Água e o agitado e distorcido medley que abre o show A Voz do Morto - Cole na Corda - Viola - Kudura que fica evidente a qualidade da banda de apoio e o entrosamento dos músicos.

Entre as faixas mais recentes, destacam-se Sem Cais, Perdeu, o samba acelerado de A Cor Amarela e Lapa, uma ode ao bairro de mesmo nome. Apesar do audiencia ainda não conhecer bem essas canções, elas são aprovadas com aplausos crescentes e entusiasmados no final de cada uma.

O ponto negativo é a falta de interação de Caetano Veloso com a platéia; em momento algum é ouvida a tradicional conversa do músico com a platéia. Entretanto, o diálogo pode ter sido cortado para que as músicas coubessem no CD, já que outras seis músicas também ficaram de foram do formato em áudio, incluídas apenas no DVD.

O que mais chama atenção nesse novo álbum é a sua liberdade. Caetano não se prende a hits manjados como Você é Linda, Leãozinho e Lua de São Jorge, explorando de forma segura o seu novo e bom repertório. Entretanto, este álbum ao vivo não chega a ser um dos melhores pontos em sua discografia; é apenas bom.


Nota: 8,0


Tracklist:

1. A voz Do Morto
2. Sem Cais
3. Trem Das cores
4. Perdeu
5. Por quem?
6. Lobão Tem Razão
7. Maria Bethânia
8. Irene
9. Volver
10. Aquele Frevo Axé
11. Não Identificado
12. Base de Guantanamo
13. Lapa
14. Água
15. A Cor Amarela
16. Eu Sou Neguinha
17. Força Estranha

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