domingo, 12 de junho de 2011

Foo Fighters - Wasting Light [Review]

Depois de quatro anos sem lançar disco, Dave Grohl resolveu reunir a sua banda na garagem de sua casa e gravar o novo disco do Foo Fighters. Grohl explicou a sua vontade de voltar às origens: ''A forma como você faz um álbum dita a forma como ele vai soar. Um dos meus discos favoritos [do Foo Fighters] foi nosso terceiro, que fizemos em meu porão na Virginia.'' Para fechar o ciclo de ''volta aos bons tempos'', o guitarrista Pat Smear retornou ao grupo e a produção ficou por conta de Butch Vig, que também produziu o Nevermind do Nirvana.

O riff metralhado seguido de um grito de Grohl em ''Bridge Burning'' mais o vocal quase Ininteligível e a guitarra distorcida em ''White Limo'' já são a prova de que este é o álbum mais pesado do conjunto americano.

Mas nem tudo é uma pancada seca. Há faixas que conciliam de forma majestosa peso e melodia, como ''Dear Rosemary', ''Back & Forth'' e ''Arlandria''. ''I Should Have Know'', que conta com o ex-companheiro de Nirvana Krist Novoselic no baixo, é introduzida como uma balada, mas se desenvolve numa ponte sedutora até eclodir em um grande refrão. ''One Of These Days'' também é uma espécie de semibalada com refrão grudento e instrumental sacolejante.

Com quase toda a discografia em nível mediano, o Foo Fighters produz um rock de garagem direto ao ponto e sem aparatos tecnológicos de última geração em Wasting Light. Começou com cinco caras tocando e se divertindo numa garagem e terminou o melhor álbum já lançado pela banda e grande concorrente as listas de melhores do ano.

Nota 9,5:


Tracklist:

01 – Bridge Burning
02 – Rope
03 – Dear Rosemary
04 – White Limo
05 – Arlandria
06 – These Days
07 – Back & Forth
08 – A Matter Of Time
09 – Miss The Misery
10 – I Should Have Known
11 – Walk

sábado, 11 de junho de 2011

Kairos - Sepultura (Resenha)


Tradição, metal na veia, distorção ensurdecedora, ritmos brasileiros. Tudo isso colocado dentro de um caldeirão fervente resultou na bomba chamada Sepultura, bomba essa que resolveu explodir furiosamente nos anos 90. Entretanto, a banda atravessou momentos difíceis depois do seu auge e tenta reviver os bons tempos com seu décimo segundo lançamento de estúdio, Kairos.

Palavra vinda do grego, "Kairos" possui um significado relacionado à tempo (bem representado também na arte da capa), com isso o Sepultura faz uma viagem pela sua própria história e a narra em suas letras, como bem contou o baixista Paulo Jr. Os temas líricos também repreendem os severos críticos anônimos de internet que, segundo eles, têm sido muito injustos em seus julgamentos sobre a banda. O álbum pode então ser, de certa maneira, considerado conceitual como seus dois antecessores A-Lex (baseado em A Laranja Mecânica de Anthony Burgess) e Dante XXI (sobre A Divina Comédia de Dante Alighieri)

Mas e na sonoridade? Há essa retomada do passado? Essa era a principal pergunta que se faziam os fãs. A verdade é que o Sepultura é dividido em três fases: a primeira calcada no death metal sem Andreas Kisser; a segunda, o ápice, com os irmãos Cavalera e Andreas; e a atual, sem os Cavalera e com Andreas, com um metal mais industrial e com toque de hard core. Kairos mantém essa nova pegada, mas com alguns resquícios de temas de Arise e Chaos A.D. Kisser compôs bons solos e riffs bem cadenciados. Derrick Green, apesar de não fazer o gosto de grande parte do público, é competente no vocal.

Porém, ainda há muito o que melhorar. O início é bom com faixas empolgantes como Spectrum, Kairos, Relentless, Dialog e Mask, mas depois começa a cair na repetição e peca um pouco na falta de inspiração. A ausência de uma segunda guitarra faz muita falta no que poderia dar uma consistência maior ao som. E muitas vezes falta também uma pegada mais thrash e impetuosa ao estilo Refuse/Resist.

Pelo andamento das coisas, será muito difícil uma reunião da formação clássica, então é bom os fãs que são a favor do reencontro irem se conformando tentando ver os pontos positivos da atual composição. Esta é a maior banda brasileira de metal da história buscando uma estabilização com um disco que provavelmente dividirá opiniões como os últimos.

Nota: 7,5



Tracklist:

Spectrum
Kairos
Relentless
2011
Just One Fix
Dialog
Mask
1433
Seethe
Born Strong
Embrace The Storm
5772
No One Will Stand
Structure Violence (Azzes)
Adicionar imagem

Illud Divinum Insanus - Morbid Angel (Resenha)


Aclamada por milhares de headbangers em todo o mundo, o Morbid Angel, uma das bandas mais tradicionais do Death Metal, lança agora em Junho seu oitavo álbum de estúdio intitulado Illud Divinum Insanus. O álbum começar com a letra "I" não é coincidência, uma vez que é costume do Morbid seguir uma ordem alfabética das inicias dos nomes dos discos, sendo o anterior denominado Heretic.

Uma infelicidade havia ocorrido em 2010, o emblemático baterista Pete Sandoval fora obrigado a se afastar temporariamente do grupo por ter tido que se submeter a uma cirurgia nas costas. O seu substituto eleito foi Tim Yeung (All That Remains, Hate Eternal) que foi eficiente no seu propósito. O guitarrista Destructhor também foi uma novidade para a gravação deste novo álbum. No mais, David Vicent ataca mais uma vez com seu vocal matador, não à toa é uma das principais figuras do gênero.

A sonoridade da banda, como acontece com diversas outras "old-school", vai ganhando toques de metal mais moderno, riffs um pouco mais limpos (isso não quer dizer que perderam a pegada "death") e uma técnica mais apurada. Apesar disso, algumas tracks nos remetem aos áureos anos 90, como Blades For Baal e a single Nevermore. Essas são boas músicas que, em nome da qualidade do conjunto, se juntam com os pontos altos Too Extreme, I Am Morbid (ambas como uma metalinguagem da banda e seu estilo) e a excelente 10 More Dead. As músicas vêm carregadas com curtos, mas bons solos.

Após longuíssimos oito anos de espera, o Morbid Angel brinda seus fãs com mais uma de suas aulas de metal extremo, competentes como sempre. Provavelmente agradará em cheio seus apreciadores e trará novo sangue à banda. Boa audição!

Nota: 8,5



Tracklist:

Omni Potens
Too Extreme
Existo Vulgore
Blades For Baal
I Am Morbid
10 More Dead
Destructos Vs. The Earth - Attack
Nevermore
Beauty Meets Beast
Radikult
Profundis - Mea Culpa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pagan's Mind - Heavenly Ecstasy [Review]

Dando início em seus trabalhos em 2000, os noruegueses do Pagan's Mind vinham se destacando dentro do universo do metal progressivo depois de dois excelentes álbuns, e consolidou de vez seu nome dentro desse cenário com o impecável Enigmatic: Calling, e depois com o ótimo God's Equation em 2007, que dividiu um pouco os fãs. Quatro anos depois, a banda volta com Heavenly Ecstasy, um álbum que mistura a sonoridade do início de sua carreira com a adotada ao longo dela, a já conhecida mistura da melodia do power metal com pitadas de thrash, resultando num prog metal único e com identidade. A mistura já mostrou ser muito boa, mas neste álbum soa bem previsível, o que compromete o resultado final.

Ainda assim primorosa musicalidade do grupo pode ser vista neste álbum. Nils K. Rue se destaca novamente, pois além de mostrar o lado melódico de sua voz, também consegue mesclar a suavidade com momentos bem agressivos, como em Intermission e na faixa mais longa do disco, Revelation To The End. O guitarrista Jorn Viggo também se destaca, impondo bons riffs e solos muito bem executados, mesclando boas melodias com alguns riffs mais grooveados, como em Eyes Of Fire. E o som do Pagan's Mind não estaria completo sem o onipresente teclado de Ronny Tegner, com texturas muito ricas e até sintetizadores à la anos 80, como em Follow Your Way.

O principal motivo das queixas contra God's Equation foi a sonoridade um pouco repetitiva, e o peso extra nas canções foi vista como uma tentativa de comercializar o som. Depois de três discos com canções praticamente com a mesma fórmula, a banda criou uma identidade. Acontece que o Pagan's Mind lançou álbuns com composições ricas e mesmo depois de três discos, o talento dos integrantes na execução das músicas não deixavam elas soarem repetitivas, o que, infelizmente, não acontece neste álbum.

No geral, Heavenly Ecstasy é um bom álbum, mas muito aquém das expectativas e mostra que já está na hora de a banda tentar ousar um pouco mais e apostar em estruturas musicais mais variadas. Fica a torcida para que isso aconteça no próximo disco.


Nota 7,0

Tracklist:
01. Contact
02. Eyes Of Fire
03. Intermission
04. Into The Aftermath
05. Walk Away In Silence
06. Revelation To The End
07. Follow Your Way
08. Live Your Life Like A Dream
09. The Master`s Voice
10. Never Walk Alone
11. When Angels Unite
12. Create Your Destiny
13. Power Of Mindscape

quarta-feira, 8 de junho de 2011

TV On The Radio - Nine Types Of Light (Resenha)

Os americanos do TV On The Radio já deixaram claro que suas influências vão do free jazz à eletrônica passando pelo trip hop. Em Nine Types Of Light, quarto disco oficial (eles lançaram dois EP´s e uma demo) do grupo liderado pelo vocalista Tunde Adebimpe (que também é ator e diretor), essa mistura de gêneros fica mais clara e mais bem montada.

Adebimpe é versátil em suas vocalizações, vai desde falsetes fantasmagóricos (''You'') à la Bee Gees, lamentos insólitos que ecoam os murmurios do Radiohead (''Killer Crane'') e chegam ao quase rap em ''No Future Shock''. As guitarras são mais pesadas em alguns momentos, como ''Repetition'', em outros fazem uma base simples para ritmos dançantes, tal como ''Caffeinated Consciousness''. Mas a canção que mais chama atenção é ''Will Do'', uma singela balada de amor de refrão fácil e agradável.

A cada disco o TV On The Radio amadurece e mostra que vai além da esfera taxativa e limitativa do indie rock. Apesar de ainda ter um pé nesse segmento, sua diversificação e abrangência de estilos é o maior ponto forte e a característica que mais atrai no grupo, mas ainda assim, falta mais criatividade do grupo para lançar um trabalho de qualidade além do mediano.

Nota: 8,5


Tracklist:

01 – Second Song
02 – Keep Your Heart
03 – You
04 – No Future Shock
05 – Killer Crane
06 – Will Do
07 – New Cannonball Blues
08 – Repetition
09 – Forgotten
10 – Caffeinated Consciousness
11 – All Falls Down

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Arch Enemy - Khaos Legions [Review]

Desde a chegada de Angela Gossow, no álbum Wages Of Sin, o Arch Enemy vem adotando uma sonoridade mais melódica e acessível, o que não agradou tanto aos fãs mais antigos, mas impulsionou a carreira da banda e a tornou conhecida mundialmente. Há quatro anos sem lançar um álbum de inéditas, a banda deixou todos numa grande expectativa quando anunciou Khaos Legions. O novo álbum é ótimo, mas dá a sensação de que algo está faltando.

O álbum abre com Khaos Overture, uma instrumental que começa apenas com a guitarra de Michael Amott, que logo é seguida por baixo e bateria e "sons de caos", remete um pouco a Tears Down The Walls, de Anthems Of Rebellion. Uma passagem falada dá final a intro e impulsiona o riff simples de Yesterday Is Dead And Gone. A faixa conta com uma ótima performance dos irmãos Amott e abre o álbum de forma convincente.

Em seguida temos Bloodstained Cross, com riffs super rápidos, mostrando a veia thrash da banda, boas melodias de guitarra e um excelente solo. Under Black Flags We March tem boas linhas de baixo e um riff mais lento e pesado, canção bem ao estilo Arch Enemy pós-Anthems Of Rebbelion. No Gods, No Masters é uma boa música, mas fica totalmente deslocada do restante do álbum.

City Of The Dead bota o álbum nos trilhos novamente, com Angela Gossow despejando brutalidade, como também faz em Through The Eyes Of a Raven, uma das mais técnicas do álbum, alia peso, velocidade e boas melodias, com uma boa passagem de violão clássico no final. Cruelty Without Beauty e Cult of Chaos são rápidas e lembram um pouco a sonoridade de Burning Bridges, com ótima performance do baterista Daniel Erlandsson e dos irmãos Amott, que se destacam também na faixa seguinte, Thons In My Flesh.

Depois mais uma desnecessária faixa instrumental temos Vengeance Is Mine, com o melhor riff do disco, com uma pegada bem thrash à la Slayer, seguida da melódica Secrets, que soa um pouco power metal. A versão japonesa do álbum conta ainda com dois bônus, um cover de The Zoo, clássico do Scorpions, e a intrumental Snowbound, uma versão acústica da mesma lançada no álbum Wages Of Sin. The Zoo ganha uma boa dose de peso, mas assim como a faixa seguinte, fica um pouco a parte no álbum.

Khaos Legions não é o álbum que todos esperavam, mas ainda assim é um ótimo disco. Como de costume, os irmão Amott foram o destaque, com riffs e solos excelentes aliando técnica e feeling, e esse disco os credencia como uma das melhores duplas do metal atualmente. Um ponto negativo são as faixas instrumentais. Tirando a intro, elas são desnecessárias, principalmente Turn To Dust, que de certa forma quebra o ritmo por estar no meio de Thons In My Flesh e Vengeance Is Mine, duas faixas bem rápidas. Também sente-se a falta de um refrão marcante, mas, ainda assim, o álbum tem qualidade suficiente para figurar na consistente discografia do Arch Enemy e deixar a banda na elite do melodic death metal.


Nota 8,0

Tracklist:
1. Khaos Overture
2. Yesterday is Dead and Gone
3. Bloodstained Cross
4. Under Black Flags We March
5. No Gods, No Masters
6. City of the Dead
7. Through the Eyes of a Raven
8. Cruelty Without Beauty
9. We are a Godless Entity
10. Cult of Chaos
11. Thorns in My Flesh
12. Turn to Dust
13. Vengeance is Mine
14. Secrets
15. The Zoo (Sorpions cover)
16. Snowbound (Acoustic)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Týr - The Lay Of Thrym [Review]

Formada em 1998, o Týr foi uma banda que causou uma certa má impressão pelo seu álbum de estreia um tanto precipitado, How Far To Asgaard, que lembra muito pouco a atual sonoridade da banda. O segundo álbum, Eric The Red, já mostrava uma grande evolução, principalmente pelo fato de que o guitarrista Heri Joensen assumiu também os vocais, com a saída do vocalista Pól Arni Holm. A voz de Joensen se tornou uma das principais marcas do Týr. O som primitivo e simples do primeiro álbum dava lugar um som mais progressivo, recheado de passagens épicas. Desde então a banda vem progredindo substancialmente.

The Lay Of Thrym é inspirado em Þrymskviða (A Canção de Thrym), um poema da Edda Poética, uma coleção de poesia nórdica antiga. O poema conta a história do gigante Thrym, que rouba o martelo de Thor e exige a deusa Freya como pagamento.

É sensível a evolução da banda em relação aos discos anteriores. As linhas instrumentais estão bem mais pesadas e trabalhadas, principalmente a cozinha, baixo e bateria estão bem mais variados. As guitarras também evoluíram, e são o destaque do disco, com riffs marcantes e solos muito bem compostos. Como já dito, Heri Joensen se tornou uma das marcas da banda, pois seu timbre e o modo simples de cantar casam perfeitamente com o som proposto, e o vocalista foi outro a evoluir, apresentando um vocal mais maleável e potente. Além disso tudo, a produção está cristalina.

Esse disco também mostra um repertório mais versátil, como a pesada Fields Of Fallen, um heavy metal com levada mais tradicional, a belíssima balada Evening Star, e Konning Hans, cantada em Feroês. Outros destaques são Flames Of The Free, que abre o álbum com tudo, Hall Of Freedom, canção que resume basicamente o som da banda, e Take Your Tyrant, com seu refrão forte e pegajoso. Os covers de Black Sabbath e Rainbow, I e Stargazer, ambas cantadas por Ronnie James Dio, ficaram corretas e até simples, mas com a identidade da banda.

A maior força do Týr está na diversão ao ouvi-la, a banda mostra muita energia em todas as canções e os refrãos fáceis contribuem muito para isso, e também percebemos algumas características que facilmente são reconhecidas como somente da banda, mostrando que eles já definiram um estilo próprio. The Lay Of Thrym é um álbum sólido, poderoso e representa o ápice da evolução da banda e o ponto alto de sua discografia.


Nota 8,5


Tracklist:
01. Flames of the Free
02. Shadow of the Swastika
03. Take Your Tyrant
04. Evening Star
05. Hall of Freedom
06. Fields of the Fallen
07. Konning Hans
08. Ellindur Bondi a Jadri
09. Nine Words of Lore
10. The Lay of Thrym

Bonus Tracks:
11. I [Black Sabbath cover]
12. Stargazer [Rainbow Cover]

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Álbum da Semana: Wyllt - Black Math Horseman

Wyllt, lançado em 2009, foi o debut do quarteto norte-americano Black Math Horseman. Calcado em uma sonoridade sombria, misteriosa e pesada, o álbum dentre outras, chama a atenção pelo vocal intenso e encorpado da bela Sera Timms, também baixista da banda.

Como não poderia deixar de ser as influências do grupo se mostram com bases na década de 70, em especial Black Sabbath e Led Zeppelin. Adicionaram a essa, várias referências dos mais contemporâneos rock/metal progressivo, atmospheric doom metal e rock psicodélico, tornando o som devastador e sutil.

Se gostar desse, fique no aguardo, em breve estarão lançando um novo disco.




Tracklist:

01. Tyrant
02. Deerslayer
03. A Barren Cause
04. Origin of Savagery
05. Torment of the Metals
06. Bird Of All Faiths And None - Bell From Madrone

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Amorphis - The Beginning Of Times [Review]

Consolidada nos últimos anos como uma das bandas mais relevantes do metal depois de três álbuns impecáveis, Eclipse (2006), Silent Waters (2007) e Skyforger (2009), o Amorphis volta agora com The Beginning Of Times. Não coindidentemente, o Amorphis deu uma guinada depois de Eclipse, justamente o álbum de estreia de Tomi Joutsen nos vocais. O fato é que Joutsen deu uma bela rejuvenescida no som da banda, que já vinha mudando desde Elegy (1996), com sua voz repleta de emoção e personalidade e foi importante para a construção da sonoridade única do Amorphis. O novo álbum segue a linha dos anteriores, com melodias cativantes e envolventes, belas passagens calmas de teclado, e alguns resquícios de música extrema.

Também como os anteriores, as letras The Beginning Of Times foram inspiradas no Kalevala - um poema épico finlandês - e seus personagens, especificamente em Väinämöinen, descrito pela banda como "um icônico herói da mitologia finlandesa".

Em The Beginning Of Times as músicas estão um pouco mais rápidas, e também mais melancólicas e progressivas, mas os refrãos de fácil audição ainda estão presentes e dão mais feeling às canções, principalmente pela performance Tomi Joutsen, orientado por Marco Hietala (Tarot, Nightwish). Entre os destaques estão Battle For The Light, a faixa que abre o álbum, com uma introdução típica do Amorphis: o teclado sozinho numa melodia triste, que logo é acompanhada pelas guitarras e a bateria. É o que acontece também com Mermaid, a segunda faixa, porém nela o teclado é acompanhado de vocais femininos. A música tem guitarras mais presentes e um bom riff, e também um bom solo de teclado. You I Need foi lançada como single, tem um solo muito bom de guitarra, que é impulsionado por um tímido vocal feminino no fim de uma bela passagem de teclado.

Song Of The Sage é a mais variada do disco, começa com um riff de guitarra bem power metal e um andamento rápido, mas possui passagens com ritmos com origem folk metal e até a presença de flautas. Three Words é uma bela música, com passagens bem calmas valorizando a voz de Joutsen. Vale destacar também faixa bônus Heart's Song, com flautas e hammonds tímidos ao fundo e um belo trabalho na guitarra. As demais faixas seguem a mesma fórmula , mas as diferentes transposições entre os instrumentos não deixam as canções soarem repetitivas e dão uma forte sensação de individualidade à cada uma, transformando cada faixa em um elo importante.

Os guturais estão mais presentes do que no último álbum da banda, mas são usados de maneira muito coerente, e ao contrário do que acontece muito em bandas que misturam o melódico com o brutal, os guturais não são usados apenas como contraste com a voz limpa, pois a transição entre os dois está bem suave, com exceção de Soothsayer, onde os vocais guturais e limpos são executados até ao mesmo tempo e tem até a participação de um vocal feminino.

The Beiginning Of Times continua com a mesma sonoridade dos álbum anteriores, e, se erra por falta de variedade, acerta, e muito, na qualidade das canções. Um ponto interessante é que existem riffs e passagens mais sutis que são quase imperceptíveis na primeira audição, e talvez até na segunda. Isso gera uma sensação de descoberta constante e só contribui para a grandiosidade do trabalho. Eis mais um disco consistente na carreira do Amorphis, mostrando que a banda ainda não perdeu criatividade e a deixando ainda como uma das mais relevantes do metal moderno.


Nota 9,5


Tracklist:

01. Battle For Light
02. Mermaid
03. My Enemy
04. You I Need
05. Song Of The Sage
06. Three Words
07. Reformation
08. Soothsayer
09. On A Stranded Shore
10. Escape
11. Crack In A Stone
12. Beginning Of Time
13. Heart’s Song (digipack bonus)

domingo, 29 de maio de 2011

Arctic Monkeys - Suck It And See [Review]

Quando foi lançado o vídeo clipe de ''Don´t Sit Down ´Cause I´ve Moved Your Chair'' e a capa de Suck It And See foi divulgada, esperava-se que o novo álbum do quarteto inglês Arctic Monkeys, já queridinhos dos indies e conhecidos na Europa, fosse inspirado na música psicodélica dos anos 1960 e começou um debate sobre a banda seguir o caminho ''neo-psicodélico'' de bandas como o Black Angels. Mas a grande maioria dos que defendiam essa hipótese não souberam (ou ignoraram mesmo) a declaração do baterista Matt Helders, que afirmava que Suck It And See seria mais ''instantâneo, mais pop'' do que o antecessor Humbug.

Nenhuma das palavras estava errada: o novo disco do Arctic Monkeys é carregado de canções fáceis e com apelo mais popular, mas também tem leves pinceladas de psicodelismo e hard rock.

Há influências evidentes de John Cale (multi-instrumentista, ex-guitarrista e líder do Velvet Underground juntamente com Lou Reed) na guitarra distorcida de ''Library Pictures'' nos riffs hipnóticos de ''Don´t Sit Down ´Cause I´ve Moved Your Chair'' e ''She´s Thunderstorm'', ainda que essa tenha última tenha uma mudança de andamento e passe a ser uma adocicada canção pop com vocais tímidos de Alex Turner. A intro de baixo em ''Reckless Serenate'', o rock direto ao ponto de ''Brick By Brick'' e as variações em ''The Hellcat Spangled Shalalala'' são os outros momentos a serem exaltados.

Suck It And See está envolto em expectativas de que seja criado algo realmente criativo e digno da atenção que o quarteto tem na mídia e decepciona mais um vez. Nada além do que já é de praxe: um disco legal com boas passagens, baladas repetitivas que parecem seguir a mesma fórmula e a supervalorização de Alex Turner.
Nota 8:


Tracklist:

01 – She’s Thunderstorms
02 – Black Treacle
03 – Brick By Brick
04 – The Hellcat Spangled Shalalala
05 – Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair
06 – Library Pictures
07 – All My Own Stunts
08 – Reckless Serenade
09 – Piledriver Waltz
10 – Love Is A Laserquest
11 – Suck It And See
12 – That’s Where You’re Wrong

terça-feira, 24 de maio de 2011

Álbum da Semana: Nighmares Made Flesh - Bloodbath

Lançado em 2004, Nightamares Made Flesh é o segundo álbum de estúdio do supergrupo de death metal Bloodbath. A banda é formada atualmente por Mikael Åkerfeldt (Opeth), Anders Nyström (Katatonia, Diabolical Masquerade, Bewitched), Jonas Renkse (Katatonia, Long Distance Calling), Per "Sodomizer" Eriksson (Katatonia) e Martin Axenrot (Opeth, Witchery, Satanic Slaughter). Neste álbum, Mikael é substituído por Peter Tagtgrën (Hypocrisy, The Abyss) e Dan Swanö (Edge Of Sanity, Nightingale) vai para as guitarraa para dar lugar a Martin Axenrot na bateria.

Se no Opeth e no Katatonia temos alguns momentos de calmaria e belas passagens acústicas, no Bloodbath temos uma sonoridade mais clássica do death metal, brutalidade do início ao fim. As canções são diretas, rápidas (a maior faixa tem 4:33), mas estão longe de soarem cruas, os riffs são bem trabalhados e tem boas melodias, como já é de se esperar de uma banda de death metal da Suécia. Outro ponto positivo é que os músicos levam o projeto a sério e mostram muita categoria, mas sem nenhum exibicionismo, como costuma acontecer com alguns supergrupos.

Todas as canções seguem a mesma fórmula, e é impossível dar um destaque, simplesmente todas são boas, uma verdadeira aula de death metal. Disco indispensável a qualquer fã de metal extremo.

DOWNLOAD


Tracklist:

1. Cancer Of The Soul
2. Brave New Hell
3. Soul Evisceration
4. Outnumbering the Day
5. Feeding the Undead
6. Eaten
7. Bastard Son of God
8. Year of the Cadaver Race
9. The Ascension
10. Draped in Disease
11. Stillborn Saviour
12. Blood Vortex
13. Breeding Death (demo) (Bonus Track)
14. Omnious Bloodvomit (demo) (Bonus Track)
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domingo, 22 de maio de 2011

Ecliptyka - A Tale of Decadence [Review]


Na ativa desde 1999, os paulistanos do Ecliptyka recentemente lançaram seu primeiro álbum de estúdio, "A Tale of Decadence", através da Die Hard Records. Formado atualmente por Helena Martins (vocal), Helio Valisc (guitarra), Guilherme Bollini (guitarra), Tiago Catala (bateria) e Eric Zambonini (baixo), o Ecliptyka já havia lançado uma demo intitulada "The First Petal Falls" que lhes rendeu uma pequena turnê europeia.

Não é uma tarefa fácil tentar rotular o som da banda, já que as influências vão desde o Power ao Death Metal. As letras de "A Tale of Decadence" abordam temas como a destruição do planeta pelo homem, política e guerras.
Ao longo de suas treze faixas, o álbum mostra uma banda mais coesa e confiante em relação à demo "The First Petal Falls". Sem abusar demais de clichês, o disco traz de forma bem equilibrada a alternância dos vocais limpos de Helena Martins com os guturais de Guilherme Bollini, essa fusão entre o melódico e a brutalidade, além dos arranjos, é fundamental para que o álbum não possua uma única atmosfera padrão, evitando assim uma sonoridade repetitiva demais. Há também duas participações especiais, Marcelo Carvalho (Hateful) no petardo We Are The Same e Danilo Herbert (Mindflow) realizando um belo dueto com Helena em Splendid Cradle, um dos destaques do álbum ao lado de Why Should They Pay?. Vale citar também a faixa bonûs, Berço Esplêndido, que se trata da música Splendid Cradle, porém cantada em português.

Graças aos 12 anos de carreira, "A Tale of Decadence" demonstra uma maturidade que boa parte das bandas de Heavy Metal não possuem em sua estreia. Um debut consistente e muito competente dentro daquilo que se propõe a fazer. Fica agora a expectativa para acompanharmos a evolução do Ecliptyka, tanto musicalmente quanto na árdua luta por espaço no cenário musical brasileiro.

Nota: 8,0


Tracklist:
01. The Age of Decadence
02. We Are The Same
03. Splendid Cradle
04. Fight Back
05. Dead Eyes
06. Echoes From War
07. Hate
08. Why Should They Pay?
09. Look at Yourself
10. I've Had Everything
11. Unnatural Evolution
12. Eyes Closed
13. Berço Esplêndido [Bonus Track]


sábado, 21 de maio de 2011

Hugh Laurie - Let Them Talk [Review]


''Vou lançar um disco. Sei que atores não costumam fazer algo bom na música, mas esse será legal.'', foi assim que Hugh Laurie, protagonista do seriado House anunciou Let Them Talk - mesmo que ainda não houvesse título definido.

De fato, o históricos de atores que resolveram tentar a sorte na música não é muito favorável: Eddie Murphy, Russel Crowe, Steven Segal e Bruce Willis cometarem verdadeiras atrocidades sonoras; mas o Dr. House, quer dizer, Hugh Laurie, faz parte de um grupo minoritário dos atores que se aventuram na música e dão bons frutos, como é o caso de Juliette Lewis, que lidera o Juliette & The Licks.

Sentado ao piano ou empunhando a sua guitarra, se mosta à vontade e até passa uma certa sensação de experiencia ao executar as belas melodias de ''St. James Infirmary'' e ''Let Them Talk'', e também mostra sua versatilidade em composições com um clima R&B e até rockabilly, tais como ''John Henry'', ''Swanne River'', ''They´re Red Hot'' e ''Baby, Please Make A Change''. Mas a coluna dorsal de Let Them Talk é o blues, com influências certeiras de Robert Johnson e John Lee Hooker captadas em ''Six Feet Cold Ground'' e ''You Don´t Know My Mind'', respectivamente.

A banda de apoio também merece destaque, em especial ao baixo; que se sobressai em ''Winnin´ Boy'' e na vigorosa ''Battle Of Jericho'', junto com alguns violinos; e os sopros, que regem ''Baby, Please Make A Change'', amplificam ''Tipitania'' e dão um toque especial com a tímida aparição em ''You Don´t Know My Mind''.

Hugh Laurie não tem uma voz de barítono, Let Them Talk não é um grande disco, mas é claramente um bom trabalho, muito bem produzido também. Uma adição prazerosa, nada grandioso ou mirabolante, no ponto. Não acreditaram, mas ele avisou que seria bom. Promessa cumprida.


Nota 8,5:


Tracklist:

1. St. James Infirmary
2. You Don´t Know My Mind
3. Six Feet Cold Ground
4. Buddy Bolden´s Blues
5. Batttle Of Jericho
6. After You´ve Gone
7. Swanne River
8. The Whale Was Swallod
9. John Henry
10. Police Dog Blues
11. Tipitania
12. Winnin´ Boy Blues
13. They´re Red Hot
14. Baby, Please Make A Change
15. Let Them Talk

sexta-feira, 20 de maio de 2011

10 discos fundamentais do início do heavy metal

É quase impossível definir com precisão quando algum movimento artístico se inicia. Apesar de ter um determinado momento chave e crucial, tudo se dá por um conjunto de fatores e pessoas. Com o heavy metal é a mesma coisa. As opiniões sobre a primeira música e álbum do estilo variam.
Inúmeros discos foram lançados nos últimos anos da década de 1960 e no começo da década seguinte que, juntos, definiram uma boa parte do heavy metal e da música pesada em geral. A lista que você vai ver a seguir pode não conter os melhores discos do que veio a se chamar proto-metal - som pesado que veio antes do metal em si, também sendo rotulado algumas vezes como hardão -, mas sim álbuns essenciais, que ajudaram na formação e lhe ajudará, de certo modo, a enteder esse gênero tão complexo e diversificado que é o heavy metal.

The Beatles - The Beatles (White Album) (1968)

O White Album, como é mais conhecido, não é bem um disco de proto-metal. Tem até várias baladas, tais como ''While My Guitar Gently Weeps'', ''Dear Prudence'' e ''Blackbird'', e até uma peça cômica (''Ob-La-Di, Ob-La-Da''), mas trazia a primeira canção de heavy metal da história, seu nome é ''Helter Skelter''. Esse divisor de águas surgiu após Paul McCartney ler uma entrevista de Pete Townshend na revista Melody Maker, onde o guitarrista do The Who afirma que ''I Can See For Miles'' era a música mais alta, suja e barulhenta que sua banda já havia feito. McCartney descordou, acho que tudo não passava de um ''caos organizado'' e resolveu criar sua canção mais alta, suja e barulhenta. Assim surgiu o primeiro heavy metal - ainda que o termo só fosse inventado anos depois. O famoso assasino Charles Manson adotou ''Helter Skelter'' como um hino, e disse também que a letra fazia profecias de uma ''apocalíptica guerra racional''.
Até hoje, o metal é mal visto pela mídia de massa, que quando descobre que algum assassino gosta do gênero, persegue todos os headbanguers e estampa capas de revistas com títulos similares a ''Música para matadores'', ''O som do capeta'' e etc.

Blue Cheer - Vincebus Eruptum (1968)

O Blue Cheer é uma espécie de heavy Cream norte-americano. Sua coluna dorsal é o blues, mas desconfigurado com distorções e feedbacks. A versão sujona - e definitiva - de ''Summertime Blues'', tazia o vocal cru de Dickie Peterson aliado com som denso da bateria de Paul Whaley. ''Out Of Focus'' e ''Parchment Farm'' demostravam a força destruidora das seis cordas Leigh Stephens com riffs cadenciados e solos distorcidos. Não apenas um dos melhores discos de estréia da história, mas ''um marco dos primeiros tempos do heavy metal'', como diria Tom Hughes, co-editor da bíblia da música ''1001 discos para ouvir antes de morrer''. Curiosidade: na primeira vez que o trio tentou gravar Vincebus Eruptum, a mesa de mixagem estourou.

Steppenwolf - Steppenwolf (1968)

Apesar de hoje estar associado a grupos de motocliclistas em suas Harley Davidson´s, os canadenses do Steppenwolf já foram um grupo de muito sucesso, com 23 discos de ouro. O grupo teve início com o nome de Sparrow, tocando blues e em seguida folk, até que o produtor Gabriel Mekler sugeriu que a banda tomasse o rumo do hard rock. Seguindo o caminho apontado por Makler, o Steppenwolf gravou Born To Be Wild, que foi usada como música tema do filme Easy Rider (Sem Destino). Trazia em sua letra a passagem ''Heavy Metal Thunder'', a primeira vez que o termo ''heavy metal'' era usado na música - já havia sido usado na literatura e ''heavy'' era uma gíria usada pelos hippies. Também é considerada por muitos o primeiro heavy metal.

Jeeff Beck - Truth (1968)

Após saírem dos Yardbirds, Jimmy Page e Eric Clapton tiveram uma carreira de sucesso. Com Jeff Beck não foi bem assim, mas sua genialidade sempre esteve presente, o que gerou discos históricos, como é o caso de Truth, onde Beck pôs em prática as experimentações que tinha em mente. O que chama atenção é o super time reunido pelo guitarrista: Rod Stewart (na época, um ilustre desconhecido), Ron Wood (que depois entraria para o Rolling Stones) no baixo e os convidados especiais Jimmy Page e Keith Moon, que tocaram na famosa ''Beck´s Bolero''.
Truth poderia ser rotulado como ''essencial'' uma banda dessas tocando, mas ainda há excelentes momentos sem os convidados, como ''Shapes Of Things'', ''Rock My Plimsoul'' e ''Morning Dew''.

MC5 - Kick Out The Jams (1969)

O MC5 foi descoberto por acaso. A Elektra estava interessada em contratar o Stooges, até que a diretora da gravadora, Danny Fields, assistiu a um show do grupo em Chicago e deu uma chance aos rapazes. O disco de estréia foi gravado ao vivo, o que captou toda a energia destrutiva do MC5 em faixas como ''Come Together'', ''Ramblin´Rose'' e o clássico que dá nome ao álbum, eternizada pela frase que o vocalista Rob Tyner usava para anunciá-la ''Kick out the jams, motherfuckers'', quase como um chamado para a guerra.
Na época, a imprensa musical detonou o álbum. O famoso crítico Lester Bangs disse que era ''ridículo, arrogante e pretencioso''. Hoje, está em listas de ''álbuns definitivos do rock n´roll'' e tem nota máxima no site All Music Guide, onde qualquer usuários avaliam tal disco e o site cria uma média com os votos; ou seja, todos que avaliaram Kick Out The Jams lhe deram nota máxima.

Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)

As maiores influências do Led Zeppelin eram o folk (que seria mais explorado no seu terceiro disco) e o blues, como fica claro em ''You Shook Me'' e ''I Can´t Quit You, Baby'', duas canções do bluesman Willie Dixon. Entretanto, a guitarra afiada, límpida e direta de Jimmy Page, a voz aguda de Robert Plant e os sucessivos ataques de John Bonham e John Paul Jones em faixas como ''Communication Breakdown'', ''Good Times, Bad Times'' e ''Dazed and Confused'' elevaram o Led para referência da música pesada até os dias atuais. Em seu disco de estréia, o que se ouve é apenas uma prévia de uma banda prestes a dominar o mundo e que definiu a música da década seguinte.

Sir Lord Baltimore - Kingdom Come (1970)

O Sir Lord Baltimore teve apenas três discos lançados - sendo um em 2006 com uma reunião do power trio que o formava -, mas o seu debut, Kingdom Come foi, junto com o Vincebus Eruptum, do Blue Cheer, a pedra fundamental do início do metal, e é o disco de estúdio mais pesado nesse top 10. O som do ''Sir Lordão'', como é carinhosamente chamado pelos fãs, conquista pela sua descontração típica do rock da década de 50, como ''Helium Head'' e ''I Got A Woman'' e os riffs alucinógenos, como ''Kingdom Come''.

Mountain - Climbing! (1970)

Considerado por muitos como o melhor disco do Mountain, Climbing! foi a estréia do quarteto americano que contava com duas figuras já conhecidas: o baixista Felix Lappardi, que foi produtor do Cream, e o guitarrista e vocalista Leslie West, que gravou outra pélora do hard pesado no anterior, chamado Leslie West Mountain.
A emocionante "Theme For An Imaginary Western", e as acústicas ''To My Friend'' e ''Laird'' podem fazer as pessoas se perguntarem por qual motivo esse disco é tão aclamado pelos fãs de hard rock setentista, mas os riffs trovejantes de ''Silver Paper'', ''Never In My Life'' e clássica ''Mississipi Queen'', a canção mais famosa do quarteto, fazem jus a recomendação do verso do LP: ''This Record Was Made To Be Played Loud'', em bom português, ''Este disco foi feito para ser tocado alto''.

Black Sabbath - Black Sabbath (1970)

A reação do pai de Ozzy ao ouvir o primeiro LP do Sabbath foi: ''Você tem certeza que só anda fumando cigarro?'', e ainda fez uma corrente com uma cruz de alumínio para cada um dos integrantes da banda. O pai do lendário vocalista não foi o único a se assustar com o som da banda, Ozzy e o baixista Geezer Butler disseram que quando começavam a tocar, as pessoas saim correndo com medo. Eles tinham começado como um grupo de blues, o Mithology, mas mudaram seu estilo após Butler, fã de filmes de terror, ter a ideia de fazer ''música de terror''.
A faixa título, que narra uma ''invasão'' do demônio à terra, se tornou um verdadeiro hino, e a atmosfera tensa e sombria criada pela banda definiu, basicamente, o som do heavy e inventara o doom metal.

Deep Purple - In Rock (1970)

O Deep Purple já havia lançado três discos de estúdio e um ao vivo, todos transitando pelo universo pop e até leves doses de psicodelia. In Rock foi uma total virada de mesa, com a banda a investindo no rock pesado. Faixas como ''Bloodsucker'', ''Hard Lovin´Man'' e ''Flight Of The Rat'' deram ao Purple um lugar no hall das bandas mais barulhentas de sua época, mas com instrumentistas de muita técnica, como mostra ''Child In Time'', um improviso que o tecladista Jon Lord fazia sobre ''Bombay Calling'', da banda psicodélica It´s A Beautiful Day. A impecável interpretação de Ian Gillian em ''Child...'', lhe rendeu o papel de Jesus na primeira versão da ópera-rock Jesus Christh Superstar após os diretores ouvirem uma versão ainda não lançada da canção.

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