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A década de 1960 marcou uma importante transição no rock. As letras que abordavam assuntos da juventude como garotas e carros tornaram-se porta voz de temas políticos e sociais, além de tocar em assuntos mais introspectivos.Antes de gravar Like A Rolling Stone, Bob Dylan já era conhecido por suas letras com engajamento político, tais como Blowin´ In The Wind, The Times They Are A-Chagin´ , Hard Rain’s A-Gonna Fall e Mr. Tambourine Man, mas sempre acompanhado pelo seu violão e gaita. Tudo mudou em 1965, com o disco Bringing All Back Home, que introduziu a guitarra elétrica no folk.
Foi a justamente a guitarra que irritou os puristas e radicais do estilo na época, que durante o lendário show no festival de folk de Newport, chamavam Dylan de ''Judas''. Eles aceitavam as letras de protesto, mas não a nova sonoridade.
O disco seguinte, Highway 61 Revisited, lançado no mesmo ano, aumentou ainda mais a fúria dos conservadores, em especial pela faixa de abertura, Like A Rolling Stone, que contava a história de um socialite que perdeu tudo e caiu na miséria. A música era comandada pelo órgão gospel apocalíptico de Al Kooper, a guitarra afiada de Mike Bloomfield, e acima de tudo, a voz raivosa de Bob Dylan, que parecia confrontar seus críticos em versos como How Does It Fell?. Uma espécie de chamado pra guerra.

Like A Rolling Stone revolucionou as canções do rádio. As canções podiam durar no máximo três minutos, ela tem seis. Os executivos da CBS pediram a Dylan para encurtá-la, ele se rejeitou, e a faixa foi dividida em duas partes para caber em um compacto e para ser divulgada nas rádios. Porém, o público não gostou da idéia, e exigiu que Like A Rolling Stone fosse tocada na íntegra, e assim ela ficou por doze semanas na parada norte-americana, chegando a alcançar o segundo lugar do chart.
Nos primeiros dias de gravação, a faixa era muito diferente da que é conhecida hoje. Estava inserida num tempo de 3/4. Essa versão foi lançada no CD The Bootleg Series Volumes 1–3 (Rare & Unreleased) 1961–1991, lançado em 1991. Uma amostra da versão pode ser ouvida nos arquivos sonoros da wikipédia. A música ganhou sua forma após Dylan convocar o guitarrista da Paul Butterfield Blues Band, Mike Bloomfield, e de Al Kooper, amigo do produtor Tom Wilson, sentar-se ao piano durante uma visita ao estúdio. Bloomfield relembra as instruções de Dylan para a gravação: ''Não quero que você toque nada dessa porcaria de B.B. King, nada dessa porra de blues. Quero que você toque outra coisa''. Essa mesma instrução seria passada aos outros músicos. Mais tarde, Bob adimitiu que a progressão de acordes foi inspirada em La Bamba, de Ritchie Valens.
A influência dessa canção de Dylan é tão grande que teve um livro escrito pelo crítico musical Greil Marcus, chamado Like A Rolling Stone - Bob Dylan Na Encruzilhada. O livro fala de sua influência na música pop conteporânea, com o intuito de provar que, sozinha, essa canção mudou toda a cultura pop ao redor do mundo.
Uma das maiores influências em publicação musical, a Rolling Stone, reuniu, em 2004, críticos, músicos e produtores para fazer uma lista com as maiores músicas de todos os tempos, e Like A Rolling Stone ficou em primeiro lugar. Em 2009 a lista foi re-feita, e lá estava o clássico de Bob Dylan, mais um vez em primeiro lugar. Outro ranking semelhante feito pela Uncut em 2002 e um pela Mojo em 2005 também traziam a mesma música na mesma primeira posição.
Outros músicos de sucesso relembram o impacto que a música teve em suas vidas: Paul McCartney contou qua ia até a casa de John Lennon para ouvir a música, e comentou: ''Parecia ir e ir para sempre. Era simplesmente lindo... Ele mostrou que provou pra todos nós que sempre era possível ir além''.
Frank Zappa foi mais longe: ''Quando eu ouvi Like a Rolling Stone, eu quis desistir da música, porque eu pensei: 'Se isso ganha e faz o que eu deveria fazer, eu não preciso fazer mais nada''.
Mas nenhum relato foi tão apaixonado quanto o de Bruce Springsteen durante o discurso de introdução Bob Dylan ao Rock And Roll Hall Of Fame: ''Quando eu ouvi Bob Dylan pela primeira vez, eu estava no carro com a minha mãe, aí veio aquela pancada seca na bateria que soava como se alguém tivesse aberto a porta de sua mente... Do mesmo jeito que Elvis liberava o seu corpo, Dylan liberava a sua mente, e nos mostrou que só porque a música é era física, ela não precisava ser anti-intelectual. Ele tinha a visão e o talento para fazer a música pop conter o mundo inteiro. Ele inventou uma nova maneira que um cantor poderia soar, quebrou as barreiras das gravações e mudou o rock n´ roll para todo o sempre''.

Like A Rolling Stone abriu as portas para toda a revolução sonora da décade de 1960. Seus seis desafiadores minutos acenderam as mentes dos Beatles, Jimi Hendrix e dos Beach Boys. Não é só o carro-chefe de Highway 61 Revisited - que não por acaso o melhor disco de Dylan -, ou a sua melhor composição, com ele mesmo disse; é a maior música de todos os tempos.
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Falar mal da cena musical atual já virou ponto comum entre os roqueiros, que dizem que atualmente, só existe ''modinha'' e banda sem criatividade. Mas fato é que esses não percebem a boa música a sua volta porque não se dão o trabalho de ouvir os discos do ano, atiram pedras sem conhecer. A banda italiana Quintorigo foi formada em 1996. e tem como espinha dorsal o indie rock, mas namora com o rock progressivo, música erudita, pop, psicodelismo e jazz (chegaram gravar um disco em homenagem ao baixista Charles Mingus). A banda não tem guitarrista ou baterista, mas sim um violino, contra-baixo acústico e violoncelo.
Para os que criticam a música atual, aqui constam pequenas obras-primas sinfônicas do rock. Shepherd Of The Sheep, com seu riff cavernoso e How Does It Feel, com uma vocalização dramática, alternando voz feminina e masculina são as melhores faixas do play.
A versatilidade do grupo chama atenção. Eles vão de temas pop ensolarados como English Garden e Teardrops, passando pelo blues sofrível e melancólico Hang Man Blues e chegando até o clima pesado de Lies! e Somewhere Else, que ainda contém algumas mudanças de velocidade no andamento.
Em pouco mais de 43 minutos, o quinteto italiano Quintorigo renova a música pop. Um clássico dos tempos modernos, que abrange vários estilos musicais distintos de forma humana e sem medo de errar. A perfeita combinação entre vanguarda e música radiofônica.

Nota: 9,0

Tracklist:
01. The fault line
02. Teardrops
03. How does it feel?
04. The place they claimed
05. Somewhere else
06. Shepherd of the sheep
07. Candy man
08. Lies!
09. Hang man blues
10. Burning doubts






Na seção Top 3 vamos mostrar 3 grandes discos para você conheçer uma determinada banda. Vamos começar com o country rock sulista do quarteto Creedence Clearwater Revival.
O Creedence é considerada por muitos como ''a maior banda de singles dos Estados Unidos''. É verdade, o grupo comandado pelo guitarrista, vocalista, compositor e produtor John Forgety, teve muitos compactos de sucesso e hits que são lembrados por pessoas de várias idades até hoje. Alguns tem preconceito com o grupo por causa de seu sucesso comercial, mas a verdade é que o CCR sempre manteve as suas origens, e conseguiu fama sem se vender ou perder força criativa. Vão muito além de Have You Ever See The Rain.

Bayou Country (1969)
Após uma boa repercussão na mídia com o primeiro disco autointitulado, que ganhou disco de platina (250 mil cópias vendidas), o Creedence lança Bayou Country, contendo o seu primeiro hit, Born On The Bayou, que vendeu milhão de cópias. A letra é uma grande saudação ao barco que atravessava o rio Mississipi.
O grupo de John Forgety começava a abraçar o rock n´ roll em músicas como Bootleg, Penthouse Pauper e Good Gooly Miss Molly, que, nos anos 1950, fez sucesso na voz do lendário Little Richards. Apesar disso, a banda ainda continua com seus longos e densos blues em Graveyard Train e Keep On Chooglin´.

Green River (1969)
No segundo disco lançado pelo CCR em 1969, ficou evidente a preferência do líder Forgety pelos ritmos sulistas. É, basicamente, um rock enraizado no country em andamento acelerado; assim podem ser definidas a track list de Green River, com exceção de Lodi e Wrote A Song For Everyone, belíssimas baladas de refrão lento e apaixonante. Ainda há algumas distorções em Tombstone Shadow e Sinister Purpose.
Em 1971, John disse qual era seu disco predileto de sua banda: ''Meu disco favorito é 'Green River'. 'Bad Moon Rising', 'Green River''... Isso é a alma de onde eu vivo musicalmente''. Mais uma vez, o Creedence bate recordes de vendas e consegue platina tripla.
Cosmo´s Factory (1970)
Depois de ter lançado três discos em um ano, o CCR não teve descanso, e logo no ano seguinte lançou o que é, para os fãs e crítica, o seu melhor disco. A letra com referência a guerra do Vietnã e o riff cavernoso de Run Trough The Jungle e a versão definitiva de I Heard Through The Grampvine (que já era conhecida na voz de Marvin Gaye), em uma jam de onze minutos mantém o equilíbrio com as ensolaradas Ooby Dooby, Ramble Tamble, Up Around The Bend e um blues do guitarrista Boo Diddley. Com Cosmo´s Factory, o Creedence consegue mais um fenômeno de vendas: um milhão de cópias vendidas só nos Estados Unidos! O disco mais vendido do grupo.
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Numa época em que internet era coisa de filme de ficção científica, a crítica musical era tão importante quanto a música. Nesse meio um cara se destacou por fazer mais do que simples resenhas. Esse cara foi Lester Bangs, até hoje a maior referência no meio, e considerado como o melhor jornalista musical da décade de 1970, e por alguns, o melhor de todos os tempos.
Ele iniciou sua carreira jornalística na Rolling Stone. Foi chamado para trabalhar na revista após enviar uma crítica negativa do disco Kick Out The Jams, do MC5. Foi demitido por Jann Wenner após escrever outra resenha negativa, dessa vez direcionada ao álbum The New Age, do Canned Heat. Depois disso, Lester Bangs fundou a revista Creem, onde, além de ser redator, era também editor-chefe.
Bangs era polêmico: desprezava o Jethro Tull, que tinha acabado de lançar o aclamado Thick As A Brick. Massacrava o Yes, que estava em seu auge após a contratação do tecladista Rick Wakeman e da gravação de seu maior clássico, Fragile. A banda de Jim Morrison também não impressionava Bangs, que preferia o proto-punk dos Stooges, os canadenses do Guess Who e o quarteto sueco pop ABBA.
Alguns de seus artigos tornaram-se verdadeiros clássicos do rock, como o texto sobre a morte de John Lennon. Em meio a toda comoção mundial, Bangs atacou o sentimentalismo barato: ''Lennon desprezava emoções baratas. Não é por John Lennon, o homem que você está lamentando. A rigor, você está lamentando por você mesmo.'' Ainda escreveu um ''passo-a-passo'' para os que queriam ser críticos músicais, num texto de 1974, intitulado ''How To Be A Rock Critic'', onde ele ironiza os jornalistas que aproveitam discos e shows de graça, que as vezes são horríveis, e todos se sentem obrigados a não falar mal para não perder as outras festinhas; e a competição dos colegas de profissão ao procurar falar de uma banda mais desconhecida do que o outro.
Entretanto, seu principal trabalho é a entrevista que fez completamente chapado de anfetamina com Lou Reed, chamada ''Let Us Now Praise Famous Death Dwarvesi''. Bangs tenta destruir os mitos e estrelas do rock mostrando o comportamento arrogante e agressivo destes. Em uma longa e pessoal introdução, Lester diz que admira as composições de Lou, mas que a personalide hostil e alguns aspectos anti-sociais do músico em álbuns como Berlin e Metal Machine Music o intrigam. Depois de trocar vários insultos pessoais, Bangs desafia Reed a tirar os óculos de sol: ''A pele amarelada de Lou, quase tão amarelo-esbranquiçado como o seu cabelo, o seu rosto e toda a sua moldura haviam transcedentalmente emagrecido, como se ele tivesse mudado totalmente. Seus olhos eram tão enferrujados, como duas moedas de cobre jazindo sob as areias do deserto e debaixo do sol durante o dia todo, com telegramas sussurrantes em cima de sua cabeça, mas ele parecia forte para mim.'' Nesse mesmo texto que se tornaria um marco do jornalismo, Bangs ainda diz: ''Herói é uma coisa idiota pra caramba para você ter em primeiro lugar e um bloqueio geral para qualquer coisa que você tenha que realizar por conta própria.''
Esse era o estilo de Lester Bangs, sempre em primeira pessoa. Ele ainda diz como gostava de fazer suas entrevistas: ''Basicamente, eu começo uma entrevista com as perguntas mais provocativas e insultantes que eu consiga pensar, porque, até agora, me parece que todas as entrevistas com rock-star´s são simplesmente uma puxação de saco para alguém que não é especial. É só um cara, só outra pessoa qualquer.''
Lester era fã de Lou Reed; chegou a dizer em sua resenha para a Creem, que Metal Machine Music era o melhor disco de todos os tempos. Ele tinha suas predileções, mas não tinha apenas elogios aos seus músicos preferidos. Depois de passar várias noites conversando e ter assistido a dezenas de shows de uma turnê de Captain Beefheart, que, vez ou outra, preferia gritar, Bangs escreveu: ''Beefheart é um louco, um sujeito potencialmente perigoso que provavelmente não terá um futuro artístico. Eu não quero ver esse cara de novo...''
Começaram a circular rumores na mídia de que Lester seria o famigerado criador do termo heavy metal, a partir de um artigo sobre o Black Sabbath entitulado ''Bring You Mother To The Slaughter'', que foi dividido em duas partes e publicados em junho e julho de 1972 na revista Creem. Entretanto, não há nenhuma referência a ''Heavy Metal'' no artigo, que ainda apresenta o termo ''downer rock''. Lester pode ser creditado por ter popularizado o termo, assim como o punk.
A música de Bangs

O americano não ficou só escrevendo. Ele formou uma banda com Mickey Leigh, irmão mais novo de Joey Ramone, chamada Birdland. Em uma viagem ao Texas, conheceu a banda punk The Delinquents, com quem gravou o álbum Jook Savages On The Brazos.
O disco é um pequeno diamante bruto, sem muitos artifícios de produção ou mixagem. Um som descompromissado que mistura punk dos Stooges, psicodelia e até folk, como na faixa Legless Bird.
Os maiores destaques são I´m Love With My Walls, com um riff cavernoso e viradas fortes de bateria; Kill Him Again, com um solo de guitarra devastador; e Nuclear War, onde o grupo extravasa toda a sua energia em um ritmo acelerado e contagiante.
Os livros e Quase Famosos
A vida de Lester Bangs inspirou Jim DeRogatis a escrever a biografia Let It Blurt: The Life And Time of Lester Bangs, The America´s Greatest Rock Critic. Outro interessente livro sobre o Bangs é Reações Psicóticas, uma coletânea de textos escritos por Lester para a Rolling Stone, Creem e Vilage Voice. Infelizmente, apenas o segundo teve uma edição publicada no Brasil, e a biografia ainda não tem planos para ser traduzida para o português.
O aclamado filme Quase Famosos também foi inspirado no crítico americano. O longa-metragem escrito e dirigido por Cameron Crowe mostra a trajetória do aspirante a jornalista musical Willian Miller. Este pede alguns conselhos ao seu ídolo, que surge com frases como: "No nosso meio precisa-se construir uma reputação de honesto e impiedoso.'' A cena de Bangs em um programa de rádio sintetiza bem as suas idéias: ''Sabia que The Letter, do The Box Tops, tinha 1 minuto e 58 segundos? Não significa nada. Mas em menos de dois minutos eles conseguem o que o Jethro Tull leva horas para não fazer! Isto é delusão, pseudo-gritaria!''. ''Jim Morrison?! Ele é um befão bêbado posando de poeta. [...] Eu fico com o Guess Who, eles tem coragem de ser bufões bêbados.

Lester Bangs em seu apartamento em 1980.
Lester foi encontrado morto em 1982, quando tentava livrar-se do vício das drogas. Teve uma overdose de medicação receitada por um médico: Darvon, Diazepam e NyQuil. Sua morte foi profetizada no já citado ''How To Be A Rock Critic'', onde ele diz: ''Você vai ser famoso e terá uma morte precoce aos 33 anos''; mesma idade de Bangs quando faleceu. O último disco que ouviu foi Dare!, da banda de Synthpop inglesa The Human League. O vinil ainda girava em seu toca-discos.




Dois anos após Karkelo, que apesar de ser muito bom gerou algumas controvérsias entre os fãs por uma sonoridade um pouco diferente, o Korpiklaani volta com seu mais novo álbum, Ukon Wacka. Diferente do álbum anterior, que tinha alguns momentos mais sombrios, Ukon Wacka tem músicas festivas até o final, e também tem as guitarras mais presentes, com bases rápidas e ácidas, o que torna o álbum um pouco mais acessível àqueles que não são muito chegados ao folk metal, apesar da velha ênfase no acordeon, que o Korpiklaani faz como nenhuma outra banda, ainda estar presente.