sábado, 5 de março de 2011

Moonsorrow - Varjoina Kuljemme Kuolleiden Maassa [Review]

Quatro anos após Viides Luku - Hävitetty, que é pouco inspirado em relação aos outros grandiosos discos da banda, os finlandeses do Moonsorrow (sim, mais finlandeses na parada) voltam com Varjoina Kuljemme Kuolleiden Maassa, um álbum que é tão bom quanto difícil de pronunciar o nome. Apesar de o disco anterior ser um pouco menos inspirado, ele é criativo e inovador e não perde sua essência nórdica devastadora e o clima místico do folk, assim como todos da banda, e não é diferente com esse. Neste álbum a banda traz novamente a mistura do clima soturno e agressivo do black metal com todo o brilhantismo e magia do folk metal, mistura essa que ainda não foi tão explorada pelas bandas desse gênero do metal tão cheio de possibilidades, e o Moonsorrow se destaca por fazê-la com originalidade e maestria.

A estrutura do disco é aquela já conhecida da banda, poucas músicas, porém longas. Este tem quatro músicas que ultrapassam os 10 minutos e 3 interlúdios. Os interlúdios soam como alguém caminhando na neve, até que esse alguém morre. Fica um pouco difícil dizer qualquer coisa porque a tradução das letras é um pouco inacessível, mas as canções fluem de uma maneira para que haja uma sensação de viagem, e o interlúdio Kuolleille e a última música, Kuolleiden Maa (A Terra Dos Mortos) sugerem esse fim para o "personagem".

O que mais impressiona na banda é que o seu som é incrivelmente atmosférico, é como se o som te hipnotizasse. Os vocais limpos foram deixados um pouco de lado nesse disco, ficando mais para as partes faladas, que ligam as diferentes passagens das canções. Na maior parte do tempo, as músicas pendem para o black metal, com guturais e drives bem agressivos num clima sombrio e depressivo, mas também tem belas melodias com um clima folk mais comedido, onde os músicos utilizam os tais intrumentos "diferentes", como viola, flauta, gaita, e a harpa de boca, que é a responsável pelo efeito mola tão usado pela banda, dando um frescor no clima denso e não deixando as canções soarem cansativas, tudo isso numa grandiosa estrutura instrumental, cativante e envolvente, tudo soando muito épico.

Todas essas características se resumem na 5ª faixa, Huuto, o destaque do disco. Ela começa num clima acústico, mas logo explode em agressividade, e também tem muitas outras linhagens e lindas melodias. Nela a banda também mostra um pouco da sua tendência progressiva, pelo fato de ela se repetir um pouco. Todos os sons se misturam, mas cada um fica distinto, todos soando muito bem, é a música que mais exige dos integrantes e a que mais mostra a técnica da banda. É fácil se perder nela.

Este álbum é infalível para agradar aos já adeptos ao gênero, mas também é uma grande recomendação para os que ainda não conhecem a proposta. Poucas bandas conseguem nos transportar para o mundo dos antigos vikings tão bem quanto o Moonsorrow, e este disco é a passagem mais segura e barata para este mundo fascinante.

Nota 10


Tracklist:

1. Tähdetön ( Starless) - 12:44
2. Hävitetty (Ravaged) - 01:34
3. Muinaiset (The Ancient Ones) - 11:43
4. Nälkä, Väsymys Ja Epätoivo (Hunger, Weariness and Despair) - 01:12
5. Huuto (The Scream) - 15:58
6. Kuolleille (To The Dead) - 01:35
7. Kuolleiden Maa (The Land of the Dead) - 16:23

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Visions Of Atlantis - Delta [Review]


Quatro anos após Trinity (2007), os austríacos do Visions Of Atlantis voltam a dar as caras com seu quarto álbum de estúdio, Delta, lançado pela Napalm Records. Com várias trocas de membros desde o último lançamento, Delta também marca a estréia da vocalista grega Maxi Nil e do baixista Mario Lochert.

Com o Symphonic Metal tornando-se cada vez mais um gênero saturado de tantas bandas, poucas conseguem se sobressair das demais ou expandir seus limites criativos dentro do estilo. Infelizmente, isto não é o que acontece em Delta.
Delta possui tudo para agradar os mais fanáticos pelo Metal Sinfônico, e, ao mesmo tempo que isso pode tornar o álbum pouco relevante para o estilo como um todo, também não chega a comprometer demais o resultado final, pois é feito com competência.

O grande destaque em Delta fica por conta das orquestrações, que não estão presentes apenas para enchimento e sim para desempenharem um papel fundamental na criação de atmosferas épicas e dramáticas, tendo também, em certos momentos, um destaque maior que o das guitarras, que não vão muito além de riffs básicos. As linhas vocais funcionam em torno da combinação dos vocais femininos de Maxi Nil com os masculinos de Mario Plank, que alterna sua função entre harmonizar suas linhas com as de Maxi, quando cantadas de maneira limpa, e gerar contraste, quando cantadas de maneira rasgada. Ambos trabalham bem dentro dos que lhes é proposto e tudo funciona corretamente, porém a ausência de refrões realmente marcantes acaba atuando de maneira negativa.

A mudança de vocalistas não causou enorme mudança na sonoridade do Visions Of Atlantis. Apesar de alguns poréns, Delta se mostra um álbum sólido. Talvez falte apenas um pouco mais de confiança na banda para tentarem ir mais além e deslancharem de vez na cena metálica, pois potêncial não é o que falta.

Nota: 7,0


Tracklist:
1. Black River Delta
2. Memento
3. New Dawn
4. Where Daylight Fails
5. Conquest of Others
6. Twist of Fate
7. Elegecy of Existence
8. Reflection
9. Sonar
10. Gravitate Towards Fatality

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A maior música de todos os tempos

A década de 1960 marcou uma importante transição no rock. As letras que abordavam assuntos da juventude como garotas e carros tornaram-se porta voz de temas políticos e sociais, além de tocar em assuntos mais introspectivos.

Antes de gravar Like A Rolling Stone, Bob Dylan já era conhecido por suas letras com engajamento político, tais como Blowin´ In The Wind, The Times They Are A-Chagin´ , Hard Rain’s A-Gonna Fall e Mr. Tambourine Man, mas sempre acompanhado pelo seu violão e gaita. Tudo mudou em 1965, com o disco Bringing All Back Home, que introduziu a guitarra elétrica no folk.

Foi a justamente a guitarra que irritou os puristas e radicais do estilo na época, que durante o lendário show no festival de folk de Newport, chamavam Dylan de ''Judas''. Eles aceitavam as letras de protesto, mas não a nova sonoridade.

O disco seguinte, Highway 61 Revisited, lançado no mesmo ano, aumentou ainda mais a fúria dos conservadores, em especial pela faixa de abertura, Like A Rolling Stone, que contava a história de um socialite que perdeu tudo e caiu na miséria. A música era comandada pelo órgão gospel apocalíptico de Al Kooper, a guitarra afiada de Mike Bloomfield, e acima de tudo, a voz raivosa de Bob Dylan, que parecia confrontar seus críticos em versos como How Does It Fell?. Uma espécie de chamado pra guerra.

Like A Rolling Stone revolucionou as canções do rádio. As canções podiam durar no máximo três minutos, ela tem seis. Os executivos da CBS pediram a Dylan para encurtá-la, ele se rejeitou, e a faixa foi dividida em duas partes para caber em um compacto e para ser divulgada nas rádios. Porém, o público não gostou da idéia, e exigiu que Like A Rolling Stone fosse tocada na íntegra, e assim ela ficou por doze semanas na parada norte-americana, chegando a alcançar o segundo lugar do chart.

Nos primeiros dias de gravação, a faixa era muito diferente da que é conhecida hoje. Estava inserida num tempo de 3/4. Essa versão foi lançada no CD The Bootleg Series Volumes 1–3 (Rare & Unreleased) 1961–1991, lançado em 1991. Uma amostra da versão pode ser ouvida nos arquivos sonoros da wikipédia. A música ganhou sua forma após Dylan convocar o guitarrista da Paul Butterfield Blues Band, Mike Bloomfield, e de Al Kooper, amigo do produtor Tom Wilson, sentar-se ao piano durante uma visita ao estúdio. Bloomfield relembra as instruções de Dylan para a gravação: ''Não quero que você toque nada dessa porcaria de B.B. King, nada dessa porra de blues. Quero que você toque outra coisa''. Essa mesma instrução seria passada aos outros músicos. Mais tarde, Bob adimitiu que a progressão de acordes foi inspirada em La Bamba, de Ritchie Valens.

A influência dessa canção de Dylan é tão grande que teve um livro escrito pelo crítico musical Greil Marcus, chamado Like A Rolling Stone - Bob Dylan Na Encruzilhada. O livro fala de sua influência na música pop conteporânea, com o intuito de provar que, sozinha, essa canção mudou toda a cultura pop ao redor do mundo.

Uma das maiores influências em publicação musical, a Rolling Stone, reuniu, em 2004, críticos, músicos e produtores para fazer uma lista com as maiores músicas de todos os tempos, e Like A Rolling Stone ficou em primeiro lugar. Em 2009 a lista foi re-feita, e lá estava o clássico de Bob Dylan, mais um vez em primeiro lugar. Outro ranking semelhante feito pela Uncut em 2002 e um pela Mojo em 2005 também traziam a mesma música na mesma primeira posição.

Outros músicos de sucesso relembram o impacto que a música teve em suas vidas: Paul McCartney contou qua ia até a casa de John Lennon para ouvir a música, e comentou: ''Parecia ir e ir para sempre. Era simplesmente lindo... Ele mostrou que provou pra todos nós que sempre era possível ir além''.

Frank Zappa foi mais longe: ''Quando eu ouvi Like a Rolling Stone, eu quis desistir da música, porque eu pensei: 'Se isso ganha e faz o que eu deveria fazer, eu não preciso fazer mais nada''.

Mas nenhum relato foi tão apaixonado quanto o de Bruce Springsteen durante o discurso de introdução Bob Dylan ao Rock And Roll Hall Of Fame: ''Quando eu ouvi Bob Dylan pela primeira vez, eu estava no carro com a minha mãe, aí veio aquela pancada seca na bateria que soava como se alguém tivesse aberto a porta de sua mente... Do mesmo jeito que Elvis liberava o seu corpo, Dylan liberava a sua mente, e nos mostrou que só porque a música é era física, ela não precisava ser anti-intelectual. Ele tinha a visão e o talento para fazer a música pop conter o mundo inteiro. Ele inventou uma nova maneira que um cantor poderia soar, quebrou as barreiras das gravações e mudou o rock n´ roll para todo o sempre''.

Like A Rolling Stone abriu as portas para toda a revolução sonora da décade de 1960. Seus seis desafiadores minutos acenderam as mentes dos Beatles, Jimi Hendrix e dos Beach Boys. Não é só o carro-chefe de Highway 61 Revisited - que não por acaso o melhor disco de Dylan -, ou a sua melhor composição, com ele mesmo disse; é a maior música de todos os tempos.

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Jag Panzer - Scourge Of The Light (Resenha)


Após um hiato de sete anos desde o ótimo Casting The Stones (2004), a banda estadunidense de heavy/power metal Jag Panzer é mais uma que retorna ao público com seu novo trabalho denominado Scourge Of The Light.

As composições são bastante heavy, com uma melodia que pende para o power metal dos anos 80. A banda sempre foi e é muito influenciada pelo movimento chamado New Wave Of British Heavy Metal, o que contribui para sua blindagem tradicional. Sua sonoridade apresenta similaridades com o Nevermore, principalmente na atmosfera um tanto dramática das músicas e no vocal que varia do caótico ao compassado.

Apesar da grande baixa que foi a perda do guitarrista Chris Broderick para o Megadeth, a banda conseguiu preencher muito bem o posto com a volta de Christian Lasegue, que em sua reestreia mostrou solos competentíssimos, encaixando muito bem com as bases de Mark Briody. Já o vocalista Harry Conklin continua chamando as atenções para sua potente voz às vezes grave, outras vezes agudíssima. Harry também usa efeitos de delay, combinando bem com o estilo da banda e deixando as frases com mais impacto.

Scourge Of The Light nos traz um repertório redondinho com dez faixas excelentes, sem nenhum momento ruim ou chato. A canção mais agressiva do disco foi escolhida para iniciar: Condemned To Fight vem como um petardo! As faxias seguintes nos trazem um sólido conjunto de músicas melodramáticas no ponto certo, uma respeitável cadeia musical de metal: The Setting Of The Sun, Bringing The End e Call To Arms.

Let It Out possui mais peso, um riff mais "speed" e uma bateria marcante. Stjernquist volta a dar as caras com sua presente batera no riff de Union, que diga-se de passagem, possui o refrão mais "catchy" do disco. Burn, apesar do nome, inicia e termina com uma leveza advinda do piano de Briody; mas no intermédio das passagens desse instrumento, os vocais se apresentam mais marcadamente agudos e as bases são novamente aceleradas. Pra fechar brilhantemente temos The Book Of Kells, mais progressiva, mais sinfônica, com direito até a coros.

Retornando de forma muito digna, o Jag Panzer presenteia seus adoradores com um excelente álbum, muito bem produzido, muito bem feito. De volta à sua forma antiga, eles continuam deixando um fio de esperança para que façam uma inédita passagem pelo Brasil.

Nota: 8,5



Tracklist:

Condemned To Fight
The Setting Of The Sun
Bringing The End
Call To Arms
Cycles
Overlord
Let It Out
Union
Burn
The Book Of Kells

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Quintorigo - English Garden [Review]

Falar mal da cena musical atual já virou ponto comum entre os roqueiros, que dizem que atualmente, só existe ''modinha'' e banda sem criatividade. Mas fato é que esses não percebem a boa música a sua volta porque não se dão o trabalho de ouvir os discos do ano, atiram pedras sem conhecer.

A banda italiana Quintorigo foi formada em 1996. e tem como espinha dorsal o indie rock, mas namora com o rock progressivo, música erudita, pop, psicodelismo e jazz (chegaram gravar um disco em homenagem ao baixista Charles Mingus). A banda não tem guitarrista ou baterista, mas sim um violino, contra-baixo acústico e violoncelo.

Para os que criticam a música atual, aqui constam pequenas obras-primas sinfônicas do rock. Shepherd Of The Sheep, com seu riff cavernoso e How Does It Feel, com uma vocalização dramática, alternando voz feminina e masculina são as melhores faixas do play.

A versatilidade do grupo chama atenção. Eles vão de temas pop ensolarados como English Garden e Teardrops, passando pelo blues sofrível e melancólico Hang Man Blues e chegando até o clima pesado de Lies! e Somewhere Else, que ainda contém algumas mudanças de velocidade no andamento.

Em pouco mais de 43 minutos, o quinteto italiano Quintorigo renova a música pop. Um clássico dos tempos modernos, que abrange vários estilos musicais distintos de forma humana e sem medo de errar. A perfeita combinação entre vanguarda e música radiofônica.

Nota: 9,0


Tracklist:


01. The fault line
02. Teardrops
03. How does it feel?
04. The place they claimed
05. Somewhere else
06. Shepherd of the sheep
07. Candy man
08. Lies!
09. Hang man blues
10. Burning doubts

quinta-feira, 3 de março de 2011

Children Of Bodom - Relentless Reckless Forever (Resenha)


Principal representante do chamado death metal melódico, o Children Of Bodom retorna neste ano de 2011 com certa expectativa. O retorno se deve pelo lançamento do seu sétimo álbum de inéditas, após Skeletons In The Closet, uma coletânea um tanto quanto polêmica devido ao cover da Britney Spears Oops!... I Did It Again; seu título é Relentless Reckless Forever.

Após quatro primeiros álbuns praticamente impecáveis e um excelente (Are You Dead Yet?), o quinteto parece estar começando a esgotar sua criatividade, embarcando em melodias manjadas e estrutura musical repetitiva e chata. No fim de 2010, o líder e frontman da banda, Alexi Laiho, disse em um comunicado que este novo álbum reuniria e ampliaria em dez vezes tudo o que os fãs gostam no Bodom; bem, o caso é que ele acabou prometendo demais para o que está contido no disco. Demais mesmo.

O que mais encantava na música primitiva do grupo era a fusão de death metal e metal neoclássico, criando um heavy extremo e ao mesmo tempo essencialmente melódico e sinfônico. Essa característica foi se perdendo já com "Are You Dead Yet?", porém este despejava uma agressividade contagiante, sendo muito "catchy", de tranquila e provável assimilação. Mas "Relentless..." é ainda mais cru, nem tanto agressivo e muitas vezes entediante. Ao ouvi-lo você se pergunta onde estará Janne Wirman e suas sublimes linhas de teclado e imediatamente sente vontade de ouvir algo como Lake Bodom ou Downfall.

Entretanto, dá para selecionar alguns bons momentos; Not My Funeral até dá um bom ponta-pé inicial, dando alguma esperança de salvação; Roundtrip To Hell And Back vem num ritmo mais cadenciado, deixando um pouco de lado os riffs thrashers para dar lugar à riffs melódicos; além do single que já ganhou vídeo clipe Was It Worth It?, classificado por Alexi como uma música festiva.

Apesar de haver quem goste dessa nova fase do Children Of Bodom, Laiho deveria fechar a casa para um balanço, ponderar os erros e voltar a fazer ao menos uma amostra do som que consagrou a ele e a sua banda.


Nota: 6,0



Tracklist:

Not My Funeral
Shovel Knockout
Roundtrip To Hell And Back
Pussyfoot Miss Suicide
Relentless Reckless Forever
Ugly
Cry Of The Nihilist
Was It Worth It?
Northpole Throwdown

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Turisas - Stand Up And Fight [Review]

Um dos nomes fortes do folk metal da "Terra Das Bandas de Metal", "Paraíso Das Bandas de Metal", ou Finlândia , se preferir, a banda Turisas lançou no dia 24 seu 3º álbum, Stand Up And Fight. Assim como Battle Metal (2004) e The Varangian Way (2007), Stand Up And Fight é mais um excelente disco. Ele segue a mesma fórmula dos anteriores, ou ou a falta de fórmula, pois a banda não tem uma linha musical muito clara, a não ser, é claro, dos elementos folk que põem a banda dentro do folk metal. A pegada sinfônica se mantém, dessa vez com muito mais intensidade, pela adição de instrumentos de corda clássicos finlandeses e de chifres, tocados por músicos clássicos, uma orquestra mesmo. Os corais também permanecem, dando uma atmosfera densa e o clima épico de um verdadeiro campo de batalha.

A primeira faixa é The March Of The Varangian Guard, que continua do ponto onde The Varangian Way terminou, em Constantinopla. No meio da música dá até pra ouvir uma citação de To Holmgard And Beyond, do album anterior. A canção tem o clima de Battle Metal, bem Turisas, e tem um bom destaque no violino. Apesar de essa faixa propor uma continuação do disco anterior, isso não acontece, Take The Day! dá uma desviada no rumo. Ela começa com um som mais conhecido da banda, mas vai se transformando, com Nygard cantando num tom grave enquanto os arranjos orquestrais vão crescendo até que desembocam num refrão forte e com vocais agressivos e coros grandiosos. Música bem temática e épica, com um quê de stadium rock.

Depois de uma batalha dura, os guerreiros param numa taverna para beber e se divertir. É o que Hunting Pirate propõe num clima festivo à la Korpiklaani, dá uma freada no ritmo, que volta com força em Venetoi! - Pasinoi!, com uma uma estrutura incrível, ritmo e orquestrações intensos, e uma passagem muito boa de metais. É quase cinematográfica. Encerrando a primeira metade do álbum temos Stand Up And Fight, trazendo as melodias dos álbuns anteriores de volta, e fazendo o som que consagrou a banda, canção típica do Turisas.

The Great Scape é meio esquisita, tem um início um pouco cru, mas evolui para outras nuances, com fortes orquestrações e coros e um trabalho bonito no teclado no fim. É uma boa faixa, mas flerta com muitas ideias e não encontra um caminho. Fear The Fear tem coros muito bons, mas é um pouco longa e não tem muitas variações. Depois vem End Of An Empire, o destaque do disco, tem linhas de pianos sensacionais, sejam rápidas ou lentas, coros arrepiantes e orquestrações grandiosas, ela alterna muito bem o peso e a leveza, muito épica. Dá até um clima de fim de disco, mas ainda temos The Brosphorus Freezes Over. Imagine um final de filme de guerra, de preferência medieval, com um campo de batalha cheio de corpos no chão. É exatamente o que essa música nos faz enxergar. Perfeita para fechar o disco.

Resumindo tudo, Stand Up And Fight é mais um excelente álbum, e eleva o Turisas à um patamar acima das diversas bandas do folk metal atualmente. Se o álbum soa tão grandioso, é graças a Jens Bogren e o vocalista Mathias Nygard, dupla responsável pela produção e mixagem do disco, trabalho impecável. Nygard também merece destaque pelos vários registros vocais que mostrou saber abordar. Enfim, grande candidato a um dos melhores do ano, super-recomendado a qualquer apreciador de boa música.

Nota 9,5


Tracklist:

1. The March Of The Varangian Guard
2. Take The Day!
3. Hunting Pirates
4. Venetoi Prasinoi!
5. Stand Up And Fight
6. The Great Escape
7. Fear The Fear
8. End Of An Empire
9. The Bosphorous Freezes Over

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terça-feira, 1 de março de 2011

Álbum da Semana: Fire Down Under - Riot


Natural de New York, o Riot foi fundado em 1975 pelo guitarrista Mark Reale e o baterista Peter Bitelli.
Lançado em 1981, Fire Down Under foi um álbum marcante na extensa carreira do grupo que já conta com 13 álbuns de estúdio e diversas mudanças de formação.

Na época, a banda possuia um contrato com a Capitol Records, gravadora ao qual o relacionamento se tornava cada vez mais desgastado com o Riot. Relacionamento que se tornou ainda pior durante o lançamento do terceiro álbum da banda, Fire Down Under.
Após ouvir o resultado final pela primeira vez, a Capitol considerou o álbum "pesado demais", portanto
iniviável comercialmente. Além de se negar a lançar o álbum, a gravadora não permitiu que a banda rescindisse seu contrato, dizendo que se eles desejassem se ver livres do contrato teriam que processá-los.
Os produtores Billy Arnell e Steve Loeb organizaram uma campanha com fãs do mundo inteiro, especialmente no Reino Unido, e fizeram vários protestos em frente a escritorios da EMI Records (gravadora ao qual a Capitol pertence). Com toda a pressão, a banda conseguiu se livrar do antigo contrato e assinou um novo com a Elektra Records, que imediatamente lançou o álbum no mercado, figurando no Top 100 da Billboard e se tornando o maior sucesso comercial do Riot.

Este também foi o último disco da banda a contar com o vocalista Guy Speranza, que deixou a banda por não conseguir conciliar suas crenças religiosas ao seu papel como músico. Guy faleceu em 2003 devido a um câncer no pâncreas.

Todo o esforço para o lançamento valeu a pena devido à enorme qualidade musical de Fire Down Under. Cativante do ínicio até o fim o Hard Rock/Heavy Metal da banda também dá espaço para uma pegada NWOBHM (mesmo a banda sendo americana).
Energético e emblemático, este trabalho é sem dúvidas uma excelente pedida para qualquer fã do estilo.

DOWNLOAD

Tracklist:
 1. Swords And Tequila
 2. Fire Down Under
 3. Feel The Same
 4. Outlaw
 5. Don't Bring Me Down
 6. Don't Hold Back
 7. Altar Of The King
 8. No Lies
 9. Run For Your Life
10. Flashbacks
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Top 3: Creedence Clearwater Revival

Na seção Top 3 vamos mostrar 3 grandes discos para você conheçer uma determinada banda. Vamos começar com o country rock sulista do quarteto Creedence Clearwater Revival.

O Creedence é considerada por muitos como ''a maior banda de singles dos Estados Unidos''. É verdade, o grupo comandado pelo guitarrista, vocalista, compositor e produtor John Forgety, teve muitos compactos de sucesso e hits que são lembrados por pessoas de várias idades até hoje. Alguns tem preconceito com o grupo por causa de seu sucesso comercial, mas a verdade é que o CCR sempre manteve as suas origens, e conseguiu fama sem se vender ou perder força criativa. Vão muito além de Have You Ever See The Rain.

Bayou Country (1969)

Após uma boa repercussão na mídia com o primeiro disco autointitulado, que ganhou disco de platina (250 mil cópias vendidas), o Creedence lança Bayou Country, contendo o seu primeiro hit, Born On The Bayou, que vendeu milhão de cópias. A letra é uma grande saudação ao barco que atravessava o rio Mississipi.

O grupo de John Forgety começava a abraçar o rock n´ roll em músicas como Bootleg, Penthouse Pauper e Good Gooly Miss Molly, que, nos anos 1950, fez sucesso na voz do lendário Little Richards. Apesar disso, a banda ainda continua com seus longos e densos blues em Graveyard Train e Keep On Chooglin´.

Green River (1969)

No segundo disco lançado pelo CCR em 1969, ficou evidente a preferência do líder Forgety pelos ritmos sulistas. É, basicamente, um rock enraizado no country em andamento acelerado; assim podem ser definidas a track list de Green River, com exceção de Lodi e Wrote A Song For Everyone, belíssimas baladas de refrão lento e apaixonante. Ainda há algumas distorções em Tombstone Shadow e Sinister Purpose.

Em 1971, John disse qual era seu disco predileto de sua banda: ''Meu disco favorito é 'Green River'. 'Bad Moon Rising', 'Green River''... Isso é a alma de onde eu vivo musicalmente''. Mais uma vez, o Creedence bate recordes de vendas e consegue platina tripla.

Cosmo´s Factory (1970)

Depois de ter lançado três discos em um ano, o CCR não teve descanso, e logo no ano seguinte lançou o que é, para os fãs e crítica, o seu melhor disco. A letra com referência a guerra do Vietnã e o riff cavernoso de Run Trough The Jungle e a versão definitiva de I Heard Through The Grampvine (que já era conhecida na voz de Marvin Gaye), em uma jam de onze minutos mantém o equilíbrio com as ensolaradas Ooby Dooby, Ramble Tamble, Up Around The Bend e um blues do guitarrista Boo Diddley. Com Cosmo´s Factory, o Creedence consegue mais um fenômeno de vendas: um milhão de cópias vendidas só nos Estados Unidos! O disco mais vendido do grupo.

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Lester Bangs: honesto e impiedoso

Numa época em que internet era coisa de filme de ficção científica, a crítica musical era tão importante quanto a música. Nesse meio um cara se destacou por fazer mais do que simples resenhas. Esse cara foi Lester Bangs, até hoje a maior referência no meio, e considerado como o melhor jornalista musical da décade de 1970, e por alguns, o melhor de todos os tempos.

Ele iniciou sua carreira jornalística na Rolling Stone. Foi chamado para trabalhar na revista após enviar uma crítica negativa do disco Kick Out The Jams, do MC5. Foi demitido por Jann Wenner após escrever outra resenha negativa, dessa vez direcionada ao álbum The New Age, do Canned Heat. Depois disso, Lester Bangs fundou a revista Creem, onde, além de ser redator, era também editor-chefe.

Bangs era polêmico: desprezava o Jethro Tull, que tinha acabado de lançar o aclamado Thick As A Brick. Massacrava o Yes, que estava em seu auge após a contratação do tecladista Rick Wakeman e da gravação de seu maior clássico, Fragile. A banda de Jim Morrison também não impressionava Bangs, que preferia o proto-punk dos Stooges, os canadenses do Guess Who e o quarteto sueco pop ABBA.

Alguns de seus artigos tornaram-se verdadeiros clássicos do rock, como o texto sobre a morte de John Lennon. Em meio a toda comoção mundial, Bangs atacou o sentimentalismo barato: ''Lennon desprezava emoções baratas. Não é por John Lennon, o homem que você está lamentando. A rigor, você está lamentando por você mesmo.'' Ainda escreveu um ''passo-a-passo'' para os que queriam ser críticos músicais, num texto de 1974, intitulado ''How To Be A Rock Critic'', onde ele ironiza os jornalistas que aproveitam discos e shows de graça, que as vezes são horríveis, e todos se sentem obrigados a não falar mal para não perder as outras festinhas; e a competição dos colegas de profissão ao procurar falar de uma banda mais desconhecida do que o outro.

Entretanto, seu principal trabalho é a entrevista que fez completamente chapado de anfetamina com Lou Reed, chamada ''Let Us Now Praise Famous Death Dwarvesi''. Bangs tenta destruir os mitos e estrelas do rock mostrando o comportamento arrogante e agressivo destes. Em uma longa e pessoal introdução, Lester diz que admira as composições de Lou, mas que a personalide hostil e alguns aspectos anti-sociais do músico em álbuns como Berlin e Metal Machine Music o intrigam. Depois de trocar vários insultos pessoais, Bangs desafia Reed a tirar os óculos de sol: ''A pele amarelada de Lou, quase tão amarelo-esbranquiçado como o seu cabelo, o seu rosto e toda a sua moldura haviam transcedentalmente emagrecido, como se ele tivesse mudado totalmente. Seus olhos eram tão enferrujados, como duas moedas de cobre jazindo sob as areias do deserto e debaixo do sol durante o dia todo, com telegramas sussurrantes em cima de sua cabeça, mas ele parecia forte para mim.'' Nesse mesmo texto que se tornaria um marco do jornalismo, Bangs ainda diz: ''Herói é uma coisa idiota pra caramba para você ter em primeiro lugar e um bloqueio geral para qualquer coisa que você tenha que realizar por conta própria.''

Esse era o estilo de Lester Bangs, sempre em primeira pessoa. Ele ainda diz como gostava de fazer suas entrevistas: ''Basicamente, eu começo uma entrevista com as perguntas mais provocativas e insultantes que eu consiga pensar, porque, até agora, me parece que todas as entrevistas com rock-star´s são simplesmente uma puxação de saco para alguém que não é especial. É só um cara, só outra pessoa qualquer.''

Lester era fã de Lou Reed; chegou a dizer em sua resenha para a Creem, que Metal Machine Music era o melhor disco de todos os tempos. Ele tinha suas predileções, mas não tinha apenas elogios aos seus músicos preferidos. Depois de passar várias noites conversando e ter assistido a dezenas de shows de uma turnê de Captain Beefheart, que, vez ou outra, preferia gritar, Bangs escreveu: ''Beefheart é um louco, um sujeito potencialmente perigoso que provavelmente não terá um futuro artístico. Eu não quero ver esse cara de novo...''

Começaram a circular rumores na mídia de que Lester seria o famigerado criador do termo heavy metal, a partir de um artigo sobre o Black Sabbath entitulado ''Bring You Mother To The Slaughter'', que foi dividido em duas partes e publicados em junho e julho de 1972 na revista Creem. Entretanto, não há nenhuma referência a ''Heavy Metal'' no artigo, que ainda apresenta o termo ''downer rock''. Lester pode ser creditado por ter popularizado o termo, assim como o punk.

A música de Bangs

O americano não ficou só escrevendo. Ele formou uma banda com Mickey Leigh, irmão mais novo de Joey Ramone, chamada Birdland. Em uma viagem ao Texas, conheceu a banda punk The Delinquents, com quem gravou o álbum Jook Savages On The Brazos.

O disco é um pequeno diamante bruto, sem muitos artifícios de produção ou mixagem. Um som descompromissado que mistura punk dos Stooges, psicodelia e até folk, como na faixa Legless Bird.

Os maiores destaques são I´m Love With My Walls, com um riff cavernoso e viradas fortes de bateria; Kill Him Again, com um solo de guitarra devastador; e Nuclear War, onde o grupo extravasa toda a sua energia em um ritmo acelerado e contagiante.

Os livros e Quase Famosos

A vida de Lester Bangs inspirou Jim DeRogatis a escrever a biografia Let It Blurt: The Life And Time of Lester Bangs, The America´s Greatest Rock Critic. Outro interessente livro sobre o Bangs é Reações Psicóticas, uma coletânea de textos escritos por Lester para a Rolling Stone, Creem e Vilage Voice. Infelizmente, apenas o segundo teve uma edição publicada no Brasil, e a biografia ainda não tem planos para ser traduzida para o português.

O aclamado filme Quase Famosos também foi inspirado no crítico americano. O longa-metragem escrito e dirigido por Cameron Crowe mostra a trajetória do aspirante a jornalista musical Willian Miller. Este pede alguns conselhos ao seu ídolo, que surge com frases como: "No nosso meio precisa-se construir uma reputação de honesto e impiedoso.'' A cena de Bangs em um programa de rádio sintetiza bem as suas idéias: ''Sabia que The Letter, do The Box Tops, tinha 1 minuto e 58 segundos? Não significa nada. Mas em menos de dois minutos eles conseguem o que o Jethro Tull leva horas para não fazer! Isto é delusão, pseudo-gritaria!''. ''Jim Morrison?! Ele é um befão bêbado posando de poeta. [...] Eu fico com o Guess Who, eles tem coragem de ser bufões bêbados.

Lester Bangs em seu apartamento em 1980.

Lester foi encontrado morto em 1982, quando tentava livrar-se do vício das drogas. Teve uma overdose de medicação receitada por um médico: Darvon, Diazepam e NyQuil. Sua morte foi profetizada no já citado ''How To Be A Rock Critic'', onde ele diz: ''Você vai ser famoso e terá uma morte precoce aos 33 anos''; mesma idade de Bangs quando faleceu. O último disco que ouviu foi Dare!, da banda de Synthpop inglesa The Human League. O vinil ainda girava em seu toca-discos.

Outros bons críticos surgiram; alguns são mais líricos; outros mais acadêmicos; alguns até entendem mais de música, mas nenhum foi tão verdadeiro quanto Lester Bangs, que sempre dizia o que pensava sem nenhum medo. Honesto e impiedoso. Doa a quem doer.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Em Abril o blog Metal Is The Law completa um ano...

... e quem ganhará uma surpresa será você, visitante! Prepararemos algo especial para o dia 04/04 baseado no gosto da maioria dos visitantes, ou seja, faremos uma enquete democrática em que você ajudará a escolher e moldar a nossa surpresa que será revelada só dias antes da data comemorativa.

Portanto, para votar é só ir até a enquete à esquerda da página logo embaixo da lista de seguidores do blog. A votação irá durar um mês, ficando aberta até o final de Março.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Burzum - Fallen [Resenha]


Tocar no assunto Burzum é muitas vezes motivo para discussões e controvérsias. Não pela música em sí, e sim pela figura polêmica que é Varg Vikernes, devido especialmente aos fatos mais do que conhecidos ocorridos na década de 90, quando o músico foi preso
acusado de ter queimado igrejas católicas e assassinado Euronymous, seu ex-companheiro de Mayhem. Deixando comentários sobre o assunto de lado, vamos nos focar naquilo que realmente interessa: a música.

Fallen é o segundo álbum de estúdio do Burzum desde que o mesmo foi reativado, em 2009.
Após os sussurros da faixa de introdução, Fra Verdenstreet, já é possível perceber o que está por vir em Fallen. Percussões secas, guitarras cortantes e vocais agressivos que alternam com passagens mais melódicas de linhas vocais limpas, é assim que Jeg Faller, um dos destaques, funciona. Dá mesma forma vem Valen, uma das faixas mais ricas do disco.

De um modo geral, Fallen é estruturado de maneira semlhante à seu antecessor, Belus (2010). As densas atmosferas somadas aos riffs old-school geram uma experiência interessante ao ouvinte. Por se tratar de um projeto apenas de Varg Vikernes, todos os instrumentos são tocados pelo mesmo, portanto não há como esperar passagens instrumentais técnicas e extremamente trabalhadas, já que é raríssimo conseguir atingir um nível técnico alto em uma grande quantidade de instrumentos diferentes. Porém isto de forma alguma compromete a qualidade do álbum, apesar de em certos momentos a repetição dos riffs se tornar um pouco excessiva. A sonoridade crua também não impede a inserção de arranjos que dão um toque de sofisiticação às músicas sem perder a agressividade. Há também duas faixas ambientes, a já citada Fra Verdenstreet, e o desfecho do álbum, Til Hel og tilbake igjen.

Fallen mostra porque Varg Vikernes ainda é considerado um dos grandes cérebros do Black Metal em um trabalho competente e que flui muito bem. Um prato cheio para os apreciadores da música do Burzum.

Nota: 8,0


Tracklist:
1. Fra verdenstreet
2. Jeg faller
3. Valen
4. Vanvidd
5. Enhver til sitt
6. Budstikken
7. Til Hel og tilbake igjen 


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Evergrey - Glorious Collision (Resenha)


Excelente banda do cenário progressive/power metal oriunda da Suécia, o Evergrey entrou novamente em estúdio para gravar e produzir seu oitavo álbum de estúdio que chega às lojas neste mês: Glorious Collision.

O Evergrey sempre se mostrou uma banda em constante inovação, adicionando novos elementos a cada álbum e evitando ser repetitiva. Porém, já nos últimos dois álbuns, Monday Morning Apocalypse e Torn, o seu som já vinha pecando um pouco pela falta de criatividade em alguns momentos, o que só fez se confirmar com este novo trabalho. As músicas não são ruins, nenhuma delas, mas também não há nada de surpreendente, nada que nos faça por no nível de Recreation Day ou outras pérolas dos suecos.

Dois pontos bastante explorados antes e que perderam força foram o uso de coros e a utilização do teclado. Os coros davam uma leve pitada sinfônica nas composições do grupo, tornando-as mais diversificada, o que foi bem aproveitado em álbuns como Solitude, Dominance, Tragedy e In Search Of Truth, mas infelizmente aparece rápido e raramente agora, sendo em Out Of Reach uma das suas poucas aparições. E o teclado já não tem tanto destaque como antes, com performances até soberbas e eruditas; parece só fazer acompanhamento atualmente.

Outro fator que provavelmente possa ter prejudicado a banda é a mudança quase completa do seu line-up. O guitarrista Henrik Danhage, o baixista Kainulainen e o baterista Ekdahl sairam ano passado e desfalcaram bastante o grupo. Mas apesar disso, a vocalização do fantástico Tom Englund está impecável como de costume, com sua voz muito técnica, e esse é o grande destaque do disco.

Entre as faixas que merecem mais atenção estão a abertura Leave It Behind Us; Wrong e Frozen, ambas com suas belas melodias; e especialmente outras duas: Free que relembra e muito o clima de In Search Of Truth, nos fazendo viajar na sua melancolia e ... And The Distance, também muito bonita.

Infelizmente Glorious Collision não é o que os fãs esperavam e desejavam, até pelo já comprovadíssimo talento do Evergrey. Talvez até agrade os mais fissurados, mas até eles não acharão um grande passo na carreira da banda. Agora é esperar pra ver como eles se sairão daqui pra frente.

Nota: 7,0



Tracklist:

Leave It Behind Us
You
Wrong
Frozen
Restoring The Loss
To Fit The Mold
Out Of Reach
The Phantom Letters
The Disease
It Comes From Within
Free
I'm Drowning Alone
... And The Distance

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Álbum da Semana: Argus - Wishbone Ash

Lançado em 1972, Argus foi o terceiro álbum da carreira do Wishbone Ash e, sem dúvidas, o mais popular. Contando com Derek Lawrence e Martin Birch nos processos de produção, o disco recebeu ótimas críticas na época de seu lançamento, assim como, atualmente, é também bastante aclamado.

Percorrendo o Folk, o Prog e o Hard o álbum exerceu grande importância no desenvolvimento das twin guitars, através do preciso trabalho de Andy Powell e Ted Turner nas 6 cordas.

Logo na primeira faixa, Time Was, já é notável a incursão do som do grupo nos três estilos citados anteriormente: inicia-se com uma levada sutil, torna-se mais pesada e swingada e depois mergulha em extensos e poderosos solos de guitarra. Sometime World, segunda faixa, também segue uma estrutura semelhante a faixa anterior, porém com um caráter mais intimista e melódico. Em Blowin' Free, diferentemente de todas as outras faixas que contém os vocais feitos por Martin Turner/Andy Powell ou Martin Turner/Ted Turner, Martin Turner e os dois guitarristas cantam juntos.

Argus é considerada a obra-prima da banda e ponto de referência para qualquer grupo que queira ter em sua música a grandeza de duas guitarras bem entrosadas.


Tracklist:

Time Was
Sometime World
Blowin' Free
The King Will Come
Leaf and Stream
Warrior
Throw Down the Sword

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Korpiklaani - Ukon Wacka [Review]

Dois anos após Karkelo, que apesar de ser muito bom gerou algumas controvérsias entre os fãs por uma sonoridade um pouco diferente, o Korpiklaani volta com seu mais novo álbum, Ukon Wacka. Diferente do álbum anterior, que tinha alguns momentos mais sombrios, Ukon Wacka tem músicas festivas até o final, e também tem as guitarras mais presentes, com bases rápidas e ácidas, o que torna o álbum um pouco mais acessível àqueles que não são muito chegados ao folk metal, apesar da velha ênfase no acordeon, que o Korpiklaani faz como nenhuma outra banda, ainda estar presente.

O álbum não soa repetitivo, apesar de quase todas as músicas serem animadas e falarem basicamente sobre festa e bebidas. A temática das letras nem tem tanta importância assim, pelos menos para os que não falam finlandês, então o fato de o álbum só ter músicas na língua de origem da banda não atrapalha em nada e ainda torna a sonoridade mais autêntica. Só irá atrapalhar mesmo quando tentar cantar algum de seus refrães pegajosos.

O destaque do álbum vai para Tequila, indiscutivelmente. A música foi lançada como single ano passado e já é tida pelos fãs como um dos clássicos da banda, com uma mistura interessante de ritmos latinos com a sua "humppa metálica". Mas há outros bons momentos, como a própria faixa-título, que dá uma acalmada no disco com seu ritmo um pouco mais lento, e conta com a participação do cantor finlandês Toumari Nurmio, que apresenta um bom "duelo" com Jonne Järvelä. Também vale destacar Vaarinpolkka, instrumentais de bandas folk geralmente são muito boas, e essa não é diferente, e também Surma, a mais longa do disco e também a que difere um pouco das outras, com mais variações de andamentos. Pra completar ainda tem um cover do Motörhead, Iron First, onde as guitarras são substituídas por violinos e acordeons.

O álbum não traz nada de novo ou original, a não ser por Tequila, mas é excelente em sua simplicidade, a banda faz o que sempre fez e o que esperamos que sempre faça, um som alegre e festivo, misturando o metal com sua polka finlandesa na medida perfeita. Quem já conhece a banda com certeza vai gostar deste álbum, e para quem ainda não conhece, ele é uma ótima pedida para começar a se aventurar nesse mundo mágico (ou bêbado).

Nota 8,5



Tracklist:

1. Louhen Yhdeksäs Poika
2. Päät Pois Tai Hirteen
3. Tuoppi Oltta
4. Lonkkaluut
05. Tequila
06. Ukon Wacka
07. Korvesta Liha
08. Koivu Ja Tähti
09. Vaarinpolkka
10. Surma

Bonus Track:

11. Iron First (Motörhead cover)

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