domingo, 3 de julho de 2011

Quando o rock encontra um truta

Assim como o rock, o rap surgiu com negros que estavam à margem da sociedade. Gil Scott-Heron, auto-definido como ''um negro dedicado à expressão do prazer e orgulho da negritude'', é apontado constantemente como ''o padrinho do rap'' devido as ferozes críticas que redigia ao governo e a população através de músicas-manifesto e pela sua vocalização ''falada'', rotulada na época como spoken word, como pode ser ouvido em ''The Revolution Will Not Be Televised'', lançada em 1971 e seu principal epitáfio.

Mas a explosão do rap veio na década seguinte, quando foram lançadas duas faixas que mudaram e definiram o esilo: ''The Message'', do Grandmaster Flash, e ''Fuck Tha Police'', do N.W.A.. A primeira abre e dá nome ao disco de estréia do Grandmaster Flash, e apesar da letra pesada sobre a decadência urbana, com versos que retratam junkies, ruas sujas, armas, gangues, assasinatos e violência, foi muito bem aceita pelo público e pelas rádios, sem contar o clipe que rodava sem parar na MTV.

Já com a polêmica ''Fuck Tha Police'' foi diferente. Sete meses após o seu lançamento, o FBI mandou um boletim para Priority Records. Segundo a corporação, a música ''estimula a violência policial''. Em consequência, a MTV proibiu a veiculação do clipe de ''Straight Outta Compton'', o que aumentou as vendas do álbum e colocou o N.W.A. como os bad boys do rap.

A primeira música que fundiu o rap e o rock foi ''Rapture'', sucesso do Blondie que chegou no topo da parada norte-americana. Com pouco mais de sete minutos, Debbie Harry inovava ao ''rapear'' sob a base rítmica rock no meio da canção. Não por coincidência, ''Rapture'' foi sampleada junto com vários outros hits (entre eles ''Another One Bites To Dust'', do Queen) na faixa ''The Adventures Of Grandmaster Flash On The Wheels Of Steel'', incluída em The Message.

Mas a união dos ritmos só veio definitivamente em 1986, quando o Aerosmith se juntou ao trio Run DMC para regravar uma versão de ''Walk This Way'', lançada originalmente por Tyler e sua trupe em 1975. O sucesso estrondoso da música não só aumentou a popularidade dos rappers, como também botou o Aerosmith em foco novamente depois do fraco Done With Mirros e do pavoroso Rock In A Hard Place.

No mesmo ano, o trio Beastie Boys sacudiu o mundo do rap. Antes de tudo, eram brancos e descendentes de judeus, quebrando o paradigma de que era música de negro. Além disso, incorporavam ritmos do funk e do rock. O debut do trio, até hoje o mais conhecido do grupo, Licensed To Ill, traz uma participação especial de peso: o companheiro de selo Kerry King, guitarrista do Slayer, que faz o solo de ''No Sleep Till Brooklin'' (uma referência ao disco ao vivo do Motörhead No Sleep Till Hammersmith). O álbum chegou ao topo das paradas e vendeu em torno de 360 mil cópias, sendo o primeiro passo na popularização do rap, que a partir daí deixou de ser música de marginal para virar mainstream.

Hoje as rádios exigem ao menos um dedo de rap, o que gerou artistas medíocres que fazem apenas pontas em músicas alheias. Dessa forma, o new metal e seus principais grupos - Korn, Slipknot, Limp Bizkit, Rage Against The Machine - são os nomes mais populares da música pesada atual, agradando jovens que não se identificam com o pop radiofônico e com pouco repertório de rock. A combinação de rap com o rock ou heavy metal assim como com os outros gêneros, já virou lugar comum. Uma fórmula que está sendo repetida cada vez mais vezes e sem criativadade alguma, criando bandas gênericas como o Linkin Park, que só empobrecem a fusão e criam, para os rockeiros mais antigos, o esteriótipo de que rap e rock não funcionam juntos. O jeito agora é esperar que surja alguém e mude tudo isso.

Stream Of Passion - Darker Days [Review]

Um dos destaques dentro do metal sinfônico/progressivo ultimamente, o Stream Of Passion lança Darker Days. A banda foi formada pelo músico holandês Arjen Anthony Lucassen, mentor do projeto Ayreon, e a vocalista e violinista mexicana Marcela Bovio, que já havia trabalhado com Lucassen no Ayreon, nos álbuns The Final Experiment e The Human Equation. Como o nome sugere, o disco mostra a banda apostando numa sonoridade mais obscura. Os solos estão mais ausentes, mas a banda entrega ótimos arranjos, dessa vez bem mais densos, mas ainda impulsionando o foco principal de sua sonoridade: a bela voz de Marcela Bovio.

Darker Days mostra uma banda mais compacta e bem integrada. Marcela Bovio, com toda certeza, é o grande atrativo da banda e isso fica claro em todo o álbum, mas esse destaque é notável em Spark e Nadie Lo Ve, canções acompanhadas boa parte por apenas um piano, e configuram o cenário perfeito para Marcela preencher as suaves melodias com sua linda voz. Mas além de Marcela, outro atrativo da banda é o contraste entre sua voz doce com as melodias das músicas, sempre muito carregadas e por vezes bem agressivas, ganhando até contornos dramáticos, como acontece na faixa de abertura, Lost, e em This Moment e The Hunt. Se você é fã dos antigos trabalhos da vocalista, Reborn, Darker Days e Our Cause têm trechos em espanhol e irão atender suas necessidades, além de Nadie Lo Ve, que é cantada inteiramente na língua.

Alguns elementos progressivos ainda estão presentes. Em Collide - que em alguns momentos lembra Open Your Eyes, do primeiro álbum - Closer e Broken, que é cheia de reviravoltas, são bem notáveis, mas eles acabam ofuscados pelos elementos sinfônicos e os vocais fortes. É preciso um pouco de paciência para perceber as nuances, principalmente pela falta de ganchos acessíveis para puxar o ouvinte e levá-lo junto. Mas isso não é um grande problema, as faixas funcionam muito bem e agarram sua atenção, o que não torna um trabalho árduo ouvir o disco novamente.

No geral, a base do som de Darker Days é o gothic metal, com alguns detalhes progresivos. Mas esses detalhes fazem toda a diferença e torna a banda bem superior a outras do gênero, que há muito tempo está um pouco saturado. Acima de tudo, mostra a banda muito bem resolvida dentro desse estilo, com composições de muito bom gosto. Se você é fã da banda ou do gênero, valerá muito a pena parar para ouvir este disco.


Nota 8,5

Tracklist:
01. Lost
02. Reborn
03. Collide
04. The Scarlet Mark
05. Spark
06. Our Cause
07. Darker Days
08. Broken
09. This Moment
10. Closer
11. The Mirror
12. Nadie Love
13. The World Is Ours
14. The Hunt (Bonus Track)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Álbum da Semana: Shin-Ken - Persefone

Persefone é uma banda andorrana de death metal melódico/progressivo. O grupo foi formado em 2001, e começou fazendo cover de bandas de death melódico, como o Dark Tranquility. O álbum de estreia, e com composições próprias, foi Truth Inside The Shades, no qual a banda utlizava muito elementos de música clássica às suas canções. Em 2006 a banda lançou Core, deixando um pouco de lado os elementos clássicos e apostando numa sonoridade mais grandiosa, moderna e progressiva, contando a história da deusa Perséfone, dividindo-a em três canções épicas com mais de 20 minutos.

Shin-Ken é o terceiro álbum da banda, baseado em histórias de guerras antigas japonesas. Segue a linha do anterior, mas com músicas mais diretas, rápidas e bem mais pesadas, executadas com muita técnica e muito bem trabalhadas. O som é super atmosférico, e tem bons contrastes entre os guturais do vocalista Marc Pia e a voz limpa do tecladista Miguel Espinosa Ortiz, entre guitarras super agressivas e belas passagens de teclado, além de um bom trabalho na bateria, que impõe ritmos poderosos acompanhados de excelentes melodias.

Apesar das músicas mais pesadas, como Fall To Rise, que abre o álbum a todo vapor, a presença do teclado dá espaço para músicas mais calmas, com Purity, que é inteiramente limpa, sem guturais ou guitarras distorcidas, além dos cinco interlúdios que representam os elementos da natureza, que compõem a estrutura do disco e dão mais ênfase à sua atmosfera. Outros destaques são Kusanagi (não banguear ouvindo essa música é impossível), Death Before Dishonour, que mostra toda a técnica da banda, e a faixa título, que é dividida em duas partes, uma super pesada e agressiva e outra mais calma, com bonitas melodias de piano.

Shin-Ken é um álbum complexo, e sempre dá pra perceber algum novo detalhe a cada audição, no qual a banda consegue misturar momentos de pura agressividade com belas melodias como poucas outras, chega a ser difícil acreditar como ela ainda é pouco conhecida. Disco altamente recomendado a fãs do gênero, ou a qualquer um que goste de um som rebuscado e bem trabalhado, que flutue para fora dos padrões.


Tracklist:
01. The Ground Book
02. Fall to Rise
03. Death Before Dishonour
04. The Water Book
05. The Endless Path
06. The Wind Book
07. Purity
08. Rage Stained Blade
09. The Fire Book
10. Kusanagi
11. Shin-Ken Part 1
12. Shin-Ken part 2
13. The Void Book
14. Japanese Poem
15. Sword of The Warrior (Cacophony cover)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Saxon - Call To Arms (Resenha)


Em meio a tantos lançamentos em 2011 de bandas já consagradas e outras buscando esse caminho e, em sua maioria de qualidade satisfatória, o Saxon, um dos grandes pilares do Heavy Metal tradicional, retorna aos holofotes com seu décimo nono álbum de inéditas, "Call To Arms". Sua capa traz uma releitura de "Lord Kitchener Wants You", famoso poster de recrutamento do governo britânico durante a Primeira Guerra Mundial.

O estilo Saxon de tocar e fazer música já é bem conhecido, riffs cortantes e uma levada à la anos 80, e é disso que se trata o novo disco, essa aura dos velhos tempos mesclada com o toque moderno necessário para num deixar a sonoridade ultrapassada e revestida de teias. Biff Byford havia declarado que "Call To Arms" é o melhor trabalho da banda em vinte anos e tamanha empolgação não chega a ser apenas um puro marketing, pois levando-se em conta a competência deste e o fato de que os clássicos absolutos marcaram os anos 80, há mais tempo do que vinte anos, a afirmação é algo a ser concordado.

A intensa Hammer Of The Gods, com cara de hit, e seu raivoso riff entram rasgando. Ótimo início! E como não podia deixar de ser em um álbum do Saxon, Back In 79 é um hino ao rock and roll e uma homenagem direta ao início da carreira do grupo, por isso, até nas notas das guitarras, transmite toda uma atmosfera saudosista. Em seguida mais duas importantes composições: a animada Surviving Against The Odds e Mists Of Avalon.

A faixa-título foi um ponto de grande inspiração da banda, uma balada que se destaca desde a voz de Byford (que em certas passagens lembrou a voz e a forma de cantar do Coverdale) até o belo solo. Sua letra é justamente sobre o chamado para a 1ª Grande Guerra e os pesares de um "alguém" inserido nela. E para dar um ar especial a ela, a última track é uma versão orquestrada muito bem escolhida.

Continuamos agora com Chasing The Bullet, um hard rock animado que é sucedido por Afterburner, uma das melhores faixas, com um riff pesadão de guitarras e bateria. Em When Doomsday Comes há a participação especial do rodado monstro dos teclados Don Airey numa introdução que remete bastante a de John Paul Jones em Kashmir, lendária canção do Led Zeppelin, e em um solo no final da música. E junto com esta última, No Rest For The Wickel foi escrita para o filme "Hybrid Theory", um thriller de ficção científica que narra a aflição de soldados britânicos dentro de uma batalha. Por fim, encerra a Ballad Of The Workin Man.

Para a alegria dos milhares de adoradores do tradicional gênero, a longeva banda inglesa, terra fértil para o heavy metal, volta em muito boa forma e novamente mostra talento em fazer o metal simples e direto que os elevou aos seu atual status.


Nota: 8,0

Tracklist:

Hammer Of The Gods
Back In 79
Surviving Against The Odds
Mists Of Avalon
Call To Arms
Chasing The Bullet
Afterburner
When Doomsday Comes
No Rest For The Wickel
Ballad Of The Working Man
Call To Arms (Orchestral Version)

Within Temptation - The Unforgiving (Resenha)


Em 2007, "The Heart Of Everything" já começava a marcar uma mudança de sonoridade da banda Within Temptation. Porém, com "The Unforgiving", seu quinto álbum de estúdio, conceitualmente baseado em uma história em quadrinhos, eles bateram de vez com o martelo na mesa.

O Within Temptation envereda para um caminho mais comercial, ainda que isso não signifique perda de qualidade, muito pelo contrário. As caracteríticas sinfônicas continuam com coros (Lost, Murder, Stairway To The Skies) e violinos (Fire And Ice, Where Is The Edge, Murder) por todos os lados, o peso aumentou e as composições são muito inteligentes e acessíveis. Ser mais comercial, no caso, também não resultou em clichê, até porque não há músicas ruins, fracas ou chatas, e você simplesmente não consegue ouvir o disco apenas uma ou duas vezes, é impelido a clicar no botão "ligar repetição".

Cada detalhe foi bem pensado e bem posto. Riffs heavy podem ser ouvidos como em In The Middle Of The Night e em Iron carregando um ritmo rápido. E ainda há o toque melódico que não poderia faltar em belíssimas canções como Fire And Ice, Lost e The Last Dance (esta com uma levada folk, lembrando certos momentos do Nightwish). Sem falar da capacidade de hits de músicas como Faster, Shot In The Dark e Sinead. Tudo brilhantemente conduzido pela magnífica voz de Sharon Den Adel, que canta com uma maestria, beleza e leveza incríveis, sendo a atração principal.

Apesar dos críticos da sonoridade mais acessível da banda reclamando da "música fácil", até mesmo os fãs dos dois primeiros álbuns, "Enter" e "Mother Earth", completamente diferentes do que vemos hoje, os holandeses mostram revigoração graças a destreza nas letras, inovação e ao diferencial chamado Sharon.

The Unforgiving, portanto, é um álbum que mostra muito do bom gosto para composições do grupo, com melodias, frases e refrões que entram e latejam dentro da sua cabeça, sendo bastante agradável em todas as audições. Registra um novo começo, algo novo que não passará despercebido, vale muito a pena parar para ouvir.


Nota: 8,5



Tracklist:

Why Not Me
Shot In The Dark
In The Middle Of The Night
Faster
Fire And Ice
Iron
Where Is The Edge?
Sinéad
Lost
Murder
A Demon's Fate
Stairway To The Skies
I Don't Wanna
Empty Eyes
The Last Dance

quarta-feira, 22 de junho de 2011

UnexpecT - Fables of the Sleepless Empire [Review]



Considerados um dos expoentes do avant-guarde metal extremo desde 2006 com "In a Flesh Aquarium", os canadenses do Unexpect (grafado também muitas vezes como uneXpect, unexpecT e UnexpecT) lançaram recentemente seu mais novo álbum de estúdio "Fables of the Sleepless Empire".

Mais variados do que as grafias do nome da banda são os diversos estilos que constituem sua música: black metal, death metal, thrash metal, progressive metal, melodic heavy metal, música clássica, dark cabaret, opera, música medieval, electro, ambient, noise, música cigana, música de circo, funk e jazz. Todas essas influências contribuem para o desenvolvimento do que mais chama a atenção no trabalho do grupo: a complexidade enfatizada em cada faixa de seus álbuns.

Se comparado com seu antecessor, "Fables of the Sleepless Empire" não trouxe grandes inovações. No entanto, é notável sua melhor produção e direcionamento para as composições, assim como o amadurecimento dos músicos, trazendo a tona faixas mais sólidas e coesas. As melodias soam mais claras e mais dinâmicas, mantendo seu brilho com trechos caóticos e por vezes passagens limpas, que se destacam com muita intensidade.

A capacidade técnica de cada integrante da banda é algo a parte. Seja pelo baixo de 9 cordas que cria linhas incríveis de groove juntamente a riffs encorpados de guitarra ou pelo violino totalmente avant que se sobressai com linhas paralelas ao peso do restante dos instrumentos, os músicos se fazem notar com muita virtuose. Os vocais são em sua maioria femininos, mas há também os masculinos. Ambos se destacam pela variedade de rosnados, grunhidos e guturais que muitas vezes criam arranjos se juntando ou alternando com vocais limpos.

"Fables of the Sleepless Empire" é daqueles álbuns que merecem ser ouvidos várias e várias vezes para se assimilar toda a riqueza de detalhes presente em cada uma de suas faixas. As várias camadas instrumentais que beiram a insanidade por tamanha complexidade e diversidade empregadas fazem deste a obra-prima da banda e mais um ponto de referência para o Metal Extremo. Superá-lo não será fácil, assim como foi árduo superar "In a Flesh Aquarium" (o que alguns, ainda, não acreditam ter sido feito). Um dos melhores álbuns de Metal lançados esse ano e acredito que, até o final deste, dificilmente será batido.

Nota: 10

Tracklist:

Unsolved Ideas of a Distorted Guest
Words
Orange Vigilantes
Mechanical Phoenix
The Quantum Symphony
Unfed Pendulum
In the Mind of the Last Whale
Silence this Parasite
A Fading Stance
When the Joyful Dead are Dancing
Until yet a few more Deaths do us Part



terça-feira, 21 de junho de 2011

Anjo Gabriel - O Culto Secreto do Anjo Gabriel [Review]

O rock progressivo fez muito seguidores no Brasil durante a década de 1970, revelando nomes como O Terço e O Som Nosso de Cada Dia. Hoje o estilo não tem a mesma força, mas as caras novas que ainda aderem ao estilo têm tanta qualidade quanto os precursores do gênero no país. O quarteto recifense Anjo Gabriel já se mostra uma grande aposta em sua estréia, O Culto Secreto do Anjo Gabriel, que está disponível no tradicional formato CD e numa caprichada edição em vinil duplo.

O disco é um verdadeiro mergulho nos anos 1970, incluindo a mixagem feita com aparelhos analógicos. O som vai relevando diferentes influências. ''Sunshine in Outer Space'' lembra a psicodelia pesada do Hawkwind (banda formada por Lemmy Killmister em 1969), enquanto ''O Poder do Pássaro Flamejante (Dubdeepsabbath)'', como explica o seu subtítulo, agrega riffs pesados e dinâmicos inspirados pelo Deep Purple e Black Sabbath e o Dub, um segmento do reggae onde se valoriza o baixo e bateria e há inclusão de efeitos eletrônicos.

O ponto forte da banda é o instrumental, muito influenciado pelas jam bands e pelo krautrock. Mas a principal fonte de inspiração é talvez a cena psicodélica nordestina udigrudi, o que resulta em faixas como ''Astralysmo'' e ''Mantra III'' (cujos vocais foram feitos por um grupo hare krishna), que parecem ter saído do Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho.

Bolhas apaixonados pelos anos 1960 e 1970 e que ficam reclamando de que não tem coisa boa atualmente, ouçam O Culto Secreto do Anjo Gabriel e verão que estão redondamente enganados. Pare de reclamar e corra atrás desse petardo!

Nota 9,0:


Tracklist:

1. Peace Karma
2. Sunshine in Outer Space
3. Astralysmo
4. Mantra III
5. 1973
6. O Poder do Pássaro Flamejante (Dubdeepsabbath)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Álbum da semana: Psalm 69 - Ministry

Se o fim do mundo fosse acompanhado de demônios cuspindo fogo e o caos absoluto, este disco seria a trilha sonora ideal.

Sons de sirenes, gritos deseperados, pregações religiosas, guitarras dilacerantes e vocais que parecem evocar alguma maldição antiga. A síntese do metal industrial está aqui, só que feita com muito mais competência e qualidade do gente como o anti-cristo da Walt Disney Marilyn Manson. Psalm 69, uma ópera-rock satânica sobre o fim do mundo, foi concebida por Al Jourgenson e Paul Barker. O som criado pela dupla consegue aliar peso e agressividade a um som atmosférico, uma espécie de filme de terror para os ouvidos.

O clipe de ''Just One Fix'' causou polêmica mostrando um homem em crise de abstinência, e só foi ao ar na MTV depois do sucesso do álbum. ''Jesus Built My Hotrod'' destoa do som obscuro e sombrio das outras músicas, mas o seu single ajudou no sucesso do disco.

Apesar do música nada comercial e de difícil assimilação, Psalm 69 ganhou disco de platina e também foi bem recebido pela crítica, sendo eleito o quinto melhor disco do ano pela revista Spin. Além de marco zero para o metal industrial, também há o flerte da música pesada com a eletrônica em faixas como ''N.W.O.'', também sendo muito recomendado para quem quer começar a ouvir música eletrônica mas acha o Daft Punk repetitivo e o Chemical Brothers muito cabeça.

DOWNLOAD

Tracklist:

1. N.W.O.
2. Just One Fix
3. TV II
4. Hero
5. Jesus Built My Hotrod
6. Scare Crow
7. Psalm 69
8. Corrosion
9. Grace

domingo, 19 de junho de 2011

Rhapsody Of Fire - From Chaos To Eternity [Review]

E enfim a saga terminou. Depois do controverso The Frozen Tears Of Angels, o Rhapsody Of Fire lança From Chaos To Eternity, encerrando a "Emerald Sword Saga", ou as "Crônicas de Algalord", história que vem sendo contada nos álbuns da banda desde a estreia em 1997, com Legendary Tales. E a saga termina com toda a pompa que só cabe aos italianos.

O som característico da banda sempre foi o mesmo, sem tantas mudanças na estrutura, e não é neste álbum que veremos alguma. Um som grandioso, épico, "Hollywoodiano", como a própria banda gosta de dizer é o que se encontra aqui, além de alguns elementos barrocos. E neste álbum a banda conta ainda com o virtuoso Tom Hess, famoso por seus cursos online de guitarra. A entrada do guitarrista só aumentou o poder do grupo, e From Chaos To Eternity apresenta um dos melhores trabalhos instrumentais da banda. O trabalho nos teclados está mais moderno, e conta até com timbres eletrônicos. As orquestrações estão mais simplificadas, mas ainda dão aquela atmosfera épica quando aliadas a corais líricos, e cumprem o seu papel perfeitamente. A produção está impecável, como sempre.

Como de costume, o disco abre com uma narrativa, Ad Infinitum, e Christopher Lee mais uma vez empresta sua voz. A narração é seguida de um coro e já emendada com a faixa-título, rápida e com um poderoso refrão, com coros fortes elevando a atmosfera épica. Em seguida temos Tempesta Di Fuoco, o primeiro speed metal da banda cantada em italiano, possui um bom solo de teclado, com um timbre mais moderno, o que não é muito usual nas canções da banda.

Ghost Of Forgotten Worlds é a próxima faixa, com guitarras ativas e virtuosas, e com uma grande atuação de Fabio Lione. Anima Perduta é uma canção típica dos álbuns da banda, com uma atmosfera bastante lírica e cantada em italiano. Aeons Of Raging Darkness é rápida e tem orquestrações carregadas, e conta até com alguns vocais rasgados de Fabio Lione. I Belong To The Stars é outra com toques mais modernos, possui coros incríveis e diferentes camadas de vozes.

As melhores faixas são as duas últimas. Tornado explora ao máximo as características da banda, tem guitarras limpas e rápidas, boas orquestrações coros inspiradores. Heroes Of The Waterfalls' Kingdom é a faixa que resume toda a história da saga, ao longo de seus vinte minutos. Tem diversas narrações e diálogos, começa como uma folclórica música italiana, depois tem uma passagem mais densa, com orquestrações carregadas e até a presença de guturais, seguida de solos de guitarra em meio ao caos, que dão lugar a um speed metal com coros potentes e refrãos empolgantes, encerrando o álbum com maestria.

From Chaos To Eternity não é o melhor da banda, mas encerra a saga contruída de forma digna. Uma característica da banda é que, apesar de a estrutura seguir a mesma e sem tantas mudanças, as canções dos discos são bem distinguidas, tanto nas letras quanto nas sinfonias, isso faz os discos soarem individuais e faz a banda conseguir renovar a história a cada álbum lançado. Que o fim dessa saga não acabe com a criatividade do grupo, e que venham outras sagas por aí.


Nota 8,5


Tracklist:
1. Ad Infinitum
2. From Chaos to Eternity
3. Tempesta Di Fuoco
4. Ghosts of Forgotten Worlds
5. Anima Perduta
6. Aeons of Raging Darkness
7. I Belong to the Stars
8. Tornado
9. Heroes of the Waterfalls' Kingdom

Black Country Communion - 2 [Review]


Há menos de um ano atrás, o Black Country Communion apresentava ao mundo o seu ótimo debut, "Black Country", conseguindo uma ótima repercussão tanto com os fãs quanto com a mídia especializada. Logo a banda voltou ao estúdio para gravar um novo álbum, intitulado apenas de "2". Para aqueles que ainda não sabem, o Black Country Communion é uma banda formada por Glenn Hughes (baixo, vocal), Joe Bonamassa (guitarra, vocal), Derek Sherinian (teclado) e Jason Bonham (bateria), ou seja, a soma de músicos deste calibre e a amostra que tivemos em "Black Country" tornou iminente a qualidade musical esperada em "2", provando novamente que o Black Country Communion não veio apenas para dar mais volume à lista dos chamados "supergrupos".

No geral, não houveram grandes mudanças no estilo do Black Country, é em sua maior parte o mesmo Hard/Blues Rock presente no primeiro disco, porém o que fica claro logo de cara é que há uma melhor distribuição instrumental em "2", especialmente em relação aos teclados de Derek Sherinian, que deixaram de servir apenas como plano de fundo e se tornaram muito mais presentes nas composições. Não é necessário ir muito longe para perceber isso, basta conferir a primeira faixa, The Outsider, uma paulada perfeita para abrir o disco e que conta com solos de teclado no melhor estilo Deep Purple.

Há algumas fortes influências do Led Zeppelin, seja nos riffs de guitarra ou na forma de tocar de Jason Bonham, que se assemelha a forma que seu pai (John Bonham) tocava. Porém, o que deixará os fãs de Led Zeppelin realmente interessados é a música Save Me, que é uma espécie de faixa inacabada do Zeppelin. Jason começou a compor a música com Jimmy Page e John Paul Jones na época do show de reunião do Led Zeppelin em 2007. O baterista pegou a ideia inicial da canção e terminou de escrevê-la com seus companheiros de banda, o resultado está presente em "2".

Glenn Hughes novamente rouba a cena com seu baixo pulsante e a potência impressionante de sua voz, dando um show de técnica vocal e interpretação, seja em faixas mais agressivas como Man in the Middle (confira o clipe da música aqui) ou em outras mais melancólicas como Little Secret. Esta última, uma música mais bluseira onde Joe Bonamassa simplesmente faz a guitarra chorar. O guitarrista também assume os vocais principais em duas faixas, The Battle for Hadrian's Wall e An Ordinary Son, duas músicas que conseguem se sobressair por suas atmosferas diferenciadas do restante do álbum. Porém, o ápice chega na faixa final, a dramática e viajante Cold.

Pela segunda vez seguida, o Black Country Communion brinda os fãs do bom e velho Rock 'n Roll com um trabalho que resgata o tipo de sonoridade que muitos sentiam falta. Mais uma vez a banda cumpre o que se propõe a fazer com maestria, portanto se você gostou do primeiro não hesite em ir atrás de "2" e aumentar o volume!

Nota: 9,5


Tracklist:
01. The Outsider
02. Man In The Middle
03. The Battle For Hadrian's Wall
04. Save Me
05. Smokestack Woman
06. Faithless
07. An Ordinary Son
08. I Can See Your Spirit
09. Little Secret
10. Crossfire
11. Cold

Amon Amarth - Surtur Rising (Resenha)


Exemplo de banda que sobe de produção a cada álbum de inéditas, o Amon Amarth tem em 2011 a inglória missão de então superar "Twilight Of The Thunder Gods", de 2008. O nome da vez é "Surtur Rising", um dos mais aguardados do ano.

A qualidade musical deles permite fazer um som bem variado mantendo o mesmo peso em todas as músicas. Söderberg e Mikkonen estão bem entrosados nas guitarras e contam com o auxílio de uma cozinha que os guarnece muito bem. Além, é claro, de Johan Hegg, dono de um gutural impressionante, de uma voz cavernosa - em perfeita sintonia com a música - que pouquíssimos conseguiriam fazer ressoar.

Perpassando por temas do folclore celta, as canções correm pelos seus ouvidos repletas de riffs poderosos, rápidos e técnicos. War Of The Gods inicia de forma espetacular e poderia tranquilamente ser encaixada no último álbum; seu solo é excelente e cheio de feeling. Na mesma medida de riffs e solos está Destroyer Of The Universe, outro destaque. Slaves Of Fear e Live Without Regrets entram rasgando com velozes paletadas alternadas e vão ficando mais compassadas no refrão.

Entretanto, após começar a mil por hora, o álbum dá uma acalmada com o ritmo de The Last Stand Of Frej que envolve por toda uma melodia. Em seguida temos mais uma pedrada: For Victory Or Death, que lembra grandes clássicos da banda. O melhor, porém, está em Wrath Of The Norsemen: começa com um riff cadenciado, muda para as velhas palhetadas alternadas e cai no melhor refrão do disco. Doom Over Dead Man, a última faixa, também possui uma bela aura de melodia, possuindo até mesmo algumas passagens de violino.

"Surtur Rising", portanto, tem um repertório redondo, com tudo o que o Amon Amarth teria para oferecer em seu som. Apesar do pouco tempo de lançamento, já está sendo bastante elogiado pela crítica e pelo público. Então, é correr atrás e ouvir!

Nota: 9,0



Tracklist:

War Of The Gods
Tocks Taunt - Lokes Treachery Part II
Destroyer Of The Universe
Slaves Of Fear
Live Without Regrets
The Last Stand Of Frej
For Victory Or Death
Wrath Of The Norsemen
A Beast Am I
Doom Over Dead Man

sábado, 18 de junho de 2011

Vídeo Clipe do Mês

Após a saída de Dio do Black Sabbath, Tony Iommi convidou Ian Gillian para gravar os vocais do próximo disco da banda, Born Again. O disco não foi bem recebido pela crítica nem pelos fãs, que esperavam um pouco mais dessa parceria. Mais de vinte anos depois, Iommi e Gillian se juntam a outros consagrados músicos como Nicko Mcbrain, Jon Lord, Jason Newsted (ex-Metallica) e Linde Lindstrom (HIM) para gravar um compacto em CD com duas faixas para arrecadar fundos para reconstrução de uma escola de música na Armênia que foi destruída por um terremoto. ''Out Of My Mind'' é a faixa principal e a única que ganhou um vídeo clipe.

O segundo vídeo é do amigo e arqui-rival de Frank Zappa, falecido no ano passado, Captain Beefheart e a sua Magic Band com ''Sure Nuff 'N' Yes I Do'', uma faixa do seu disco de estréia Safe As Milk.


Top 3: Caetano Veloso

Quando criança, Caetano recusava os convites para brincar na rua em troca de observar no seu quintal um açucena-lágrima-de-vênus. Essa sensibilidade aguçada não viria para a música logo de primeira, os projetos do jovem baiano ficavam entre a filosofia, literatura, cinema e pintura. Tudo mudou quando um amigo lhe chamou para ouvir um disco de um ''cara que canta diferente, tudo desafinado. A voz dele vai para um lado e ao orquestra vai para o outro.'' Chega de Saudade, de João Gilberto fez Caetano se apaixonar pela música: ''eu já gostava de cantar, mas aquilo colocou a música popular no centro do meu interesse'', conta Caetano.

A obra do filho de dona Canô e irmão de Maria Bethânia desconhce redomas estéticas. O iníciou foi com a bossa, depois eletrificou a MPB e liderou, juntamente com o ídolo e parceiro Gilberto Gil, a tropicália, fez experimentos musicais e música pra assobiar e cantar junto. Além de tudo, Caetano não vive das glórias do passado, nos últimos anos lançou discos de qualidade, como Zii & Zie e Cê, e fez uma parceria de gosto duvidoso com a cantora e - vá lá - compositora Maria Gadú.

Ao tentar explicar que é Caetano Veloso para os americanos e europeus, é feito um híbrido de Bob Dylan, Syd Barret, John Lennon e Bob Marley. Caê é motivo de orgulho nacional, os americanos e europeus jamais terão um Caetano Veloso, e talvez por isso ele é/foi idolatrado por lendas como Kurt Cobain e David Byrne.

Caetano Veloso (1968)

A estréia de Caetano (o primeiro disco, Domingo, foi gravado em parceria com a sua grande amiga Gal Costa) foi pedra fundamental para a consolidação da tropicália, uma versão brasileira rebelde do rock dos Beatles e Stones. ''Trópicalia'' é carregada de metáforas e críticas a política (o ''monumento'' é uma referência ao congresso de Brasília) o ''ta-ta-ta-ta'' no refrão é uma alusão ao som de metralhadoras, todo esse turbilhão de raiva codificado é embalado em um arranjo denso e pesado. ''Alegria, Alegria'' chocou os puristas da MPb - que viam a influência do rock como uma alienação cultural - com a guitarra elétrica tocado pelos argentinos do Beach Boys. Mesmo assim, a canção fez sucesso no festival da rede Record em uma apresentação memorável que lhe rendeu a quarta colocação no festival.

O disco foi um sucesso entre os adolescentes, mas não para a ditadura, que o mandou junto com o seu parceiro Gilberto Gil para o exílio em Londres, o que só veio aumentar o seu status de lenda e renderia pérolas como ''Debaixo dos Caracóis dos Teus Cabelos'', composto por Roberto Carlos para Caetano.

Transa (1972)

Enquanto Caetano Veloso de 1968 era uma raivosa declaração crítica e um chamado aos jovens, Transa era o oposto. Com uma partição tímida de guitarra elétrica, o disco foi composto e gravado na fria capital inglesa, mas lançado no ano em que o músico baiano retorna ao seu país natal.
Os arranjos (não creditados na ficha técnica inexistente) ficaram por conta dos amigos Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. O violão de Caetano é limpo e claro, proporcionando boas melodias, como em You Don´t Know Me, mas vai muito além disso. ''Nine Out Of Ten'' é segundo o próprio músico, sua melhor composição em inglês e ainda segundo ele, ''a primeira vez que algum artista brasileiro toca alguns compassos de Reggae''. A genial letra de ''Mora na Filosofia'' foi composta pelo sambista Monsueto Menezes, e a hiponga ''Triste Bahia'', com fraseados de berimbau, tem uma estrofe do poeta barroco Grégorio de Matos, mais conhecido como ''Boca do Inferno''.

Transa é apontado várias vezes como o melhor disco de Caetano, e ficou em décimo lugar numa lista da Rolling Stone Brasil dos maiores discos da música nacional. Este era apenas o primeiro dos quatro discos que o músico lançaria inspirado pelo seu retorno ao país naquele ano.

Araçá Azul (1972)

Em Araçá Azul a habilidade de harmonizar extremos de Caetano ficou clara: uma desconstrução de música misturando dodecafonia com samba de prato. O disco é altamente experimental e excluiu Caetano de qualquer rótulo já imposto sobre ele. ''De Conversa'' e ''De Palavra em Palavra'' não tem música ou letra, é uma colagem de sons criando uma impressão de música, antecipando (e talvez influenciando) assim a noise music e Lou Reed em Metal Machine Music. ''De Cara/Eu Quero Essa Mulher'' tem uma guitarra distorcida mais pesada do que o Led Zeppelin estava acostumado e mais rápida do que Tony Iommi o Sabbath. Por outro lado, ''Tu Me Acostumbraste'' e ''Araçá Azul'' são lamentos melancólicos amplificados pela interpretação pessoal e intimista de Caetano.

''Um disco para entendidos'', como dizia o texto do interior do LP de capa dupla. Araçá Azul não agradou de imediato e teve inúmeras devoluções pelo seu conteúdo experimental e sons aleatórios sem harmonia alguma. Hoje é considerado uma obra-prima, tanto pela crítica quanto pelos fãs, além de ser o disco oficial mais caro do músico.

DevilDriver - Beast (Resenha)



Banda de death metal originária da Califórnia, EUA, o DevilDriver lança em 2011 "Beast" com a tarefa de tentar igualar ou superar os ótimos "Pray For Villains" (2009) e "The Last Kind Words" (2007).

Muitas bandas deste gênero de metal extremo mais melódico têm caido inevitavelmente na repetição e com seu som se deixando abater pelo tédio. Outras, empolgam mais a cada álbum. O último caso é o do DevilDriver que se não fez nada de tão inédito, conseguiu compor músicas que ultrapassam a barreira da falta de inspiração, fazendo assim uma espécie de greatest hits. Os musicistas imprimiram a mesma pegada do início até a última nota, não permitindo que você fique um só minuto com vontade de trocar de música. Sim, este álbum supera tudo o que o grupo já fez.

Começando já com um petardo, Dead To Rights, música muito bem escolhida como primeira faixa. Com as guitarras ditando os riffs e as batidas da bateria de John Boecklin massacrando simutanemente, a canção vai fluindo de forma avassaladora até o ótimo refrão. Junto com ela, mais duas tracks entram para o top da banda: Bring The Fight (To The Floor) e You Make Me Sick, com riffs potentes e vocais totalmente hostis e soberbos de Dez Fafara, que tem uma atuação impecável. "Beast" ainda tem um desfile de outras pancadas na orelha: Shitlist, Coldblooded, The Blame Game, Black Soul Choir, etc. Todas fantásticas.

"Besta" mostra a força do DevilDriver - que se mostra uma verdadeira monstruosidade sonora, no bom sentido que isso pode ter no contexto do death metal - podendo facilmente figurar entre os melhores do ano. É garantido que agradará a qualquer fã de metal pesado com verdadeiros guturais bem feitos. Recomendadíssimo!


Nota: 9,0




Tracklist:

Dead To Rights
Bring The Fight (To The Floor)
Hardened
Shitlist
Talons Out (Teeth Sharpened)
You Make Me Sick
Coldblooded
Blur
The Blame Game
Black Soul Choir
Crowns Of Creation
Lend Myself To The Night

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Graveyard - Hisingen Blues [Review]


Após o lançamento de seu debut autointitulado, os suecos do Graveyard alcançaram certa notoriedade e passaram um bom tempo na estrada. Contados três anos de pura expectativa por um novo disco de inéditas, eles retornam com Hisingen Blues para acabar com a ansiedade dos fãs.

Como o título deste indica, há uma grande influência trazida por parte do blues, aumentando ainda mais a vibe setentista presente em seu decorrer, com solos estridentes e riffs marcantes. Toda a aura stoner/doom apresentada no disco anterior é mantida, dando espaço mais uma vez para faixas pesadas e arrastadas como "Ungrateful Are The Dead" e "No Good, Mr Holden" onde os vocais encorpados de Joakim Nilsson e Jonathan Ramm ganham destaque, assim como os coros bem encaixados em ótimos aranjos vocais nos refrões. O lado psicodélico do quarteto não é esquecido, aparecendo em Buying Truth (Tack & Förlåt) e "The Siren", que encerra o play.

A atual cena rock sueca não costuma desapontar, o Graveyard é mais uma prova disso, se concretizando como um dos expoentes desta. Apesar de apostar em uma sonoridade baseada basicamente na década de 70, o quarteto consegue soar novo e independente, com somente uma audição para justificar. Hisingen Blues preserva as características que alçaram a banda em seu debut e acrescenta novos elementos para enriquecer sua música. Recomendado aos ouvidos ávidos pelo classic rock, em sua mais pura essência.

Nota: 9

Tracklist:

Ain’t Fit To Live Here
No Good, Mr Holden
Hisingen Blues
Uncomfortably Numb
Buying Truth (Tack & Forlat)
Longing
Ungrateful Are The Dead
Rss
The Siren




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