quarta-feira, 15 de junho de 2011

Heróis do Udigrudi


O Brasil teve vários movimentos musicais que sacudiram o mundo. A bossa nova no fim década de 1950 e a tropicália nos últimos anos da década seguinte. O udigrudi surgiu no recife e conciliava o rock psicodélico e a música regional. O movimento tinha caráter de contra-cultura, uma espécie de ''pós-woodstock recifense'' e ia muito além da música, englobando também peças teatrais, o cinema, artes plásticas, literatura e artesanato.

O pioneiro dessa fusão de ritmos distintos foi Lula Cortês, que abriu as portas do udigrudi com o seu disco de estréia, Satwa, que também incursionava pela música oriental e era movido a cogumelos alucinógenos. Foi lançado em 1973 com a participação de Lailson - que ganhou fama internacional pelos seus cartuns e charges publicados nos jornais Diário de Pernambuco e O Pasquim - tocando craviola e do prodígio da guitarra Robertinho do Recife. Lailson diz que Satwa é todo instrumental porque não queria apresentar as letras à polícia federal - o que era lei na época da ditadura militar. O álbum também foi o primeiro independente nacional e não teve boa repercussão na época, um lenda underground obscurecida. A distribuição foi basicamente regional; não houve reedição em vinil e ainda permanece inédito em CD.


Cortês abriu as portas de sua casa e a transformou num recanto cultura, um verdadeiro ''QG da psicodelia'', como descreveu Zé da Flauta, um ativo participante do movimento. ''uma escola de artes aberta onde se fazia livros, discos, shows, fotografia, filmes Super 8, trabalhos gráficos e se ouvia muita música, muita!'', relembra. Com a sua casa transformada em ponto de encontro, é de se entender porque o disco seguinte, Paêbiru, o ''Tropicalia nordestino'' (uma comparação sensata, tendo em vista que reuniu grandes nomes da cena, como Geraldo Azevedo e Alceu
Valença) demorou dois anos para ser lançado. Mas também não há motivos para reclamar: Paêbiru não só apresentou o paraibano Zé Ramalho - cansado de embalar músicas iê iê iê e da jovem guarda em bailinhos de João Pessoa - ao mundo, é um dos melhores discos nacionais da história, com pedradas como ''Nas Paredes da Pedra Encantada, O Segredo Talhado Por Sumé'', a pancada lisérgica de ''Trilha de Sumé'' e ''Não Existe Molhado Igual ao Pranto'', claramente feita sob efeito de ''expansores do músculo cerebral'', como diria o grande Arnaldo Baptista.
Os quatro lados do vinil duplo homenageavam os quatro elementos da natureza. Houve apenas uma prensagem do álbum de 1.300 cópias, sendo que 1.000 foram destruídas após a enchente que abalou a capital pernambucana naquele ano e abalou o estúdio em que estavam estocados; as cópias restantes que estavam no carro de Kátia Mesel, esposa de Lula e responsável pela mística arte da bolacha. Hoje Paêbiru é o disco mais caro do Brasil, superando a estréia de Roberto Carlos em Louco Por Você. Uma cópia da primeira tiragem em bom estado pode valer até 4.000 reais.

A casa de Côrtes e sua esposa Kátia não era o único ponto de referência dos artistas do movimento. O Beco do Barato, na avenida Conde da Boa Vista, centro do Recife, abrigava reuniões da vanguarda. Zé da Flauta, Lula Cortês, Lailson e integrantes do Ave Sangria eram figurinhas carimbadas de lá. Em 2004, foi lançado o CD A Turma do Beco do Barato - Antologia 70. O projeto foi idealizado por Humberto Felipe, que explicou o porquê da realização do CD para o jornalista Marcos Toledo, do JC Online: “Toda essa história ficou meio esquecida, tanto de gente de hoje quanto de quem viveu a época e não estava antenado.” Fã do Ave Sangria, conta que a idéia sugiu como uma homenagem a banda com participações especiais. “Ao invés de ficar limitado a um nome, resolvi ampliar, não usar o nome Ave Sangria, mas pegar o mais representativo e fazer a Antologia 70”, explica.

A decisão foi sábia: das onze canções da tracklist, sete são inéditas, duas que a Phetus (que contava com Lailson e Zé da Flauta) e a Ave Sangria fizeram a cerca de 30 anos atrás mas nunca tiveram a chance de gravar. As regravações de ''Dois Navegantes'' e ''O Pirata'' por Almir e Marco Polo respectivamente, os principais compositores do Ave Sangria, e ''As Estradas'' e ''Dos Inimigos'' foram valorizadas pela ótima qualidade da gravação, constratando com o som das versões originais.

O Ave Sangria é banda mais popular do udigrudi (talvez por ter sido a única que assinou com uma grande gravadora, a Continental) e até hoje se apresenta em alguns festivais, como
aconteceu nas últimas edições do Psicodália e do Abril Pro-Rock, se apresentando ao lado dos admiradores conterrâneos da Anjo Gabriel. A Ave tinha uma postura que chocava a todos: usavam batom e se beijavam em pleno palco. Mais tarde, Rafles - uma espécie de acessor do grupo e notório doidão da época que chegou a mandar um baseado pelos correios para Paul McCartney (e recebeu em resposta uma fotografia autografada e o devido agradecimento do Beatle) - acaba com a lenda em volta da banda: ''O batom era 'Mertiolate', que a gente usava para chocar. Não sei de onde surgiu essa história de beijo na boca, a única coisa diferente na turma eram os cabelos e as roupas.''
Apesar de ter sido pouco divulgado, o primeiro e único disco homônimo do conjunto teve uma boa repercussão, principalmente no Sudeste, mas a faixa de maior sucesso, o samba-choro ''Seu Waldir'' foi censurada pela ditadura da época, que a considerou como uma ''apologia ao homossexualismo''. O álbum foi relançado sem a polêmica música, mas a mídia já tinha perdido o interesse nos rapazes. A rede Globo, por exemplo, não transmitiu o clipe de ''Georgia A Carniceira'' feito para o Fantástico. Com isso o grupo perdeu o pique: ''A gente era um bando de caras pobres, alguns já com filhos, a grana sempre curta. No aperto, chegamos até a gravar vinhetas para a TV Jornal (uma delas para o programa Jorge Chau)", relembra Marco Polo

Começaram a aparecer teorias de que o Waldir citado na música era real e o vocalista havia se apaixonado por ele. Marco esclarece tudo: "Eu fiz Seu Waldir, no Rio, antes de entrar na banda. Ela foi encomendada por Marília Pera para a trilha da peça A Vida Escrachada de Baby Stomponato, de Bráulio Pedroso, que acabou não aproveitando a música".

Outro disco que merece ser destacado é No Sub Reino dos Metazoários, do paraibano Marconi Notaro. Em ''Ah Vida Ávida'', Notaro, Cortês e Zé Ramalho fazem uma pequena obra prima, um lamento viajandão, mas o momento mais radical é ''Made In PB'', um rockão com a épica guitarra distorcida de Robertinho do Recife e efeitos de eco.

Alceu Valença e Geraldo Azevedo foram outros que simpatizaram com udigrudi: a estréia dos dois foi com o disco Quadrafônico, que denotava influência da cena em canções como ''Planetário'' e sua letra viajandona, e na dramática ''Erosão'', carregada de variações de andamento. Alceu ainda beberia mais da fonte psicodélica no disco Vivo!, de 1976.

Hoje em dia, o udigrudi é desconhecido da maioria dos brasileiros, amado por colecionadores e gringos fãs da música brasileira. Lamentável, a cena foi muito mais do que ''o hippie nordestino'' ou mais alguma reação pós woodstock, revelou artistas de renome, respeito e qualidade inquestionáveis e influênciou outras revoluções da música que surgiriam a seguir, como o manguebeat, liderado pelo memorável Chico Science na década de 1990. Mas também não ficou só na música, o udigrudi combateu a ditadura valorizando a força do pensamento e das idéias e mostrou um novo jeito de ser e de fazer.

Recomendado:

Álbum da Semana: Fused - Tony Iommi & Glenn Hughes


A primeira parceria entre os lendários Tony Iommi e Glenn Hughes aconteceu em 1985 quando Iommi foi abandonado pelo restante de seus parceiros no Black Sabbath. Iommi recrutou uma nova formação, que incluía Glenn Hughes, para o que seria seu primeiro álbum solo, "Seventh Star". Porém por pressão da gravadora, o disco foi lançado como um álbum do Black Sabbath e gerou uma certa polêmica entre os fãs, por se afastar um pouco da sonoridade tradicional do Sabbath.

Glenn Hughes foi demitido após alguns shows da turnê de "Seventh Star", sendo substituído por Ray Gillen. A dupla voltou a trabalhar novamente em 1996 quando gravaram algumas canções, porém sem a intenção de lançarem um álbum. As gravações logo caíram nas mãos de fãs e passaram a circular entre o público, o bootleg recebeu o nome de "Eighth Star". Somente em 2004 as gravações foram remixadas e lançadas no EP "The 1996 DEP Sessions".

Com a boa repercussão do EP, Iommi e Hughes se juntaram um ano depois e lançaram o ótimo "Fused". O casamento perfeito entre a grandeza da voz de Glenn Hughes e o peso dos riffs de Tony Iommi. Um disco avassalador do começo ao fim e talvez o auge da parceria desta dupla. Altamente recomendado!

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Tracklist:
01. Dopamine
02. Wasted Again
03. Saviour of the Real
04. Resolution Song
05. Grace
06. Deep Inside a Shell
07. What You're Living For
08. Face Your Fear
09. The Spell
10. I Go Insane

(Para ter acesso ao link é necessário estar cadastrado no Forum Metal Is The Law).

MaYaN - Quarterpast [Review]


Mayan é o novo projeto paralelo de Mark Jansen, fundador, guitarrista e vocalista do Epica. O Mayan (ou MaYaN, como a banda gosta de escrever) traz um excelente time de músicos em sua formação, fora Mark Jansen a banda também conta com: Isaac Delahaye, Ariën Van Weesenbeek, Frank Schiphorst, Rob van der Loo e Jack Driessen, fora diversas participações especiais.

"Symphonic Death Metal Opera", são com essas palavras que você deparará ao olhar para a capa de "Quarterpast", e tais palavras ajudam a definir a sonoridade aqui encontrada. O Mayan se assemelha em partes ao que Jansen já produziu em suas outras bandas, After Forever e Epica, porém dando muito mais ênfase ao lado Death Metal da coisa, que apesar de sempre presente, nunca chegou às proporções de "Quarterpast". As músicas foram em sua grande parte compostas por Mark, Frank e Jack, o que leva as composições para caminhos diferentes dos tomados pelas supracitadas bandas, dessa forma também, atingindo públicos diferentes.

O álbum abrange de maneira impecável diversas vertentes da música pesada, entre as mais notáveis estão Death/Black Metal, Symphonic Metal e Prog Metal. Tamanha variedade eleva consideravelmente o nível de complexidade do disco, tornando necessária mais de uma audição para que todas as camadas musicais possam ser exploradas com a devida atenção.

As faixas fluem de maneira bastante natural. Apesar da brutalidade intensa, há orquestrações fortes e diversas passagens melódicas, incluindo a adição de vocais limpos, tanto masculinos quanto femininos. "Quarterpast" conta com as participações especiais de: Henning Basse, Laura Macri, Simone Simons e Floor Jansen. As duas últimas nem tanto surpreendentes, porém com a mesma competência e talento de sempre. O trabalho de guitarras está bastante presente, com vários riffs e passagens técnicas e interessantes de Isaac Delahaye e Frank Schiphorst (Mark Jansen assume apenas os vocais no MaYaN). De modo geral, um álbum surpreendente e que foge do excesso de clichês.

É difícil recomendar "Quarterpast" para uma parcela específica do público por causa das diversas direções que toma ao decorrer das faixas, porém é um trabalho que dificilmente desapontará fãs de bandas como o Epica e também será de grande agrado para aqueles com um gosto musical mais abrangente. Se você faz parte de um desses grupos, corra atrás de sua cópia, pois "Quarterpast" é um prato cheio!

Nota: 8,5


Tracklist:
01. Symphony Of Aggression
02. Mainstay Of Society
03. Quarterpast
04. Course Of Life
05. The Savage Massacre
06. Essenza Di Te
07. Bite The Bullet
08. Drown The Demon
09. Celibate Aphrodite
10. War On Terror
11. Tithe
12. Sinner's Last Retreat - Deed Of Awakening (Bonus Track)


terça-feira, 14 de junho de 2011

Alestorm - Back Through Time [Review]

Desde o primeiro álbum o Alestorm vem atraindo a atenção de muita gente por sua temática pouco comum: piratas. Captain Morgan's Revenge era inusitado, singular, e mostrava um jeito divertido e ao mesmo tempo épico de se fazer metal. Logo depois a banda lançou Black Sails At Midnight, não muito diferente do primeiro, mas que mostrava uma grande evolução, com um som mais calcado no power metal, com guitarras e teclados bem presentes e músicas mais inspiradas. E no terceiro álbum não há nenhuma novidade - se é que alguém esperava por isso - e novamente temos uma porção de músicas sobre bebidas, navios e brigas.

Uma das coisas boas de se falar da banda é que não tem muito o que falar mesmo. Não há necessidade de falar sobre o que desenvolveram, pois não mudaram em nada. E essa é sua maior força, pois o que a banda fez nos dois álbuns anteriores agradou a maioria dos que ouviram, e, apesar da ausência de mudanças, o terceiro álbum era esperado com uma certa ânsia por parte dos fãs.

Mas a maior força da banda também é sua maior fraqueza, tudo em Back Through Time é muito previsível, e sem tanta inspiração como o anterior. Neste álbum há até faixas que poderiam ser referentes a outras do álbum anterior: Black Through Time é bastante parecida com The Quest, Scraping The Barrel é uma versão menos inspirada de To The End of Our Days e Shipwrecked tem o mesmo contexto dentro do álbum que Kellhauled.

Isso não diminui a diversão que se tem ao ouvir o disco, pois ele tem bons momentos e entrega boas melodias, como as de The Sunk’n Norwegian, Midget Saw e Rum, a melhor, mas o torna bem menos instigante, pois piratas não é um tema fresco e intrigante como era anteriormente, e dificilmente agradará aos que já não gostaram da banda nos discos anteriores, mas para quem gosta da banda é um prato cheio. Um pouco mais de pretensão talvez ajudasse a banda a conquistar novos fãs. Não precisa mudar o estilo, só se preocupar um pouco mais em diversificar as música. Mas eles parecem satisfeitos com o que conquistaram e parecem não dar a mínima para isso.


Nota 7,0

Tracklist:
1. Back Through Time
2. Shipwrecked
3. The Sunk'n Norwegian
4. Midget Saw
5. Buckfast Powersmash
6. Scraping The Barrel
7. Rum
8. Swashbuckled
9. Rumpelkombo
10. Barrett's Privateers
11. Death Throes Of The Terrorsquid

Symphony X - Iconoclast (Resenha)


Uma das principais características do Symphony X é seu enorme esmero com o processo criativo e com a produção de seus álbuns, motivo pelo qual muitas vezes estendem o período entre um lançamento e outro e deixam de realizar turnês de divulgação. Mas também é motivo para o fato de não lançar CD's fracos, limitados ou de pouca inspiração. A mais nova prova disso é Iconoclast, que tem uma edição simples e uma em digipak, CD duplo, que será a analisada.

Falar da incrível técnica de cada membro da banda, notadamente das habilidades de Michael Romeo, um dos melhores guitarristas da atualidade, já é um tanto quanto chover no molhado. Mas o que a cada álbum deles impressiona e que deve ser destacado é a capacidade vocal de Russell Allen que se sobressai mais uma vez. Allen possui uma variedade enorme de técnicas, cantando com melodia ou de forma mais grave. Uma vez ele disse que não precisava berrar para demonstrar raiva e, de fato, com seu enorme desfile de drives, já bastante utilizados em Paradise Lost, canta rasgado e em harmonia com a música, algo em que poucos fazem como ele.

Iconoclast segue a linha de Paradise Lost: pesado, muito técnico, riffs abrindo as músicas de forma "cortante" e, como já citado, vocais mais rasgados. Nesse ritmo já das as caras a faixa título que provavelmente cairá no gosto dos fãs por ser a mais trabalhada e ter um ótimo refrão. Em seguida vem outros grandes destaques: The End Of Innocence - com seu pegajoso refrão - e Dehumanized, ambas disponibilizadas previamente na internet e já sendo tocadas nas apresentação ao vivo. Pontos altos também em When All Is Lost - que por seu ritmo lento comandado pelo belo piano, parece uma ilha calma rodeada por um mar revoltoso de canções -, Children Of A Faceless God e Prometheus (I Am Alive).

O ponto negativo fica por conta da preocupação um tanto demasiada com o peso, esquecendo de fazer um disco mais variado, especialmente no instrumental, com mais quebras de ritmo, e tentar uma nova Candlelight Fantasia (porque uma nova The Divine Wings Of Tragedy talvez seja pedir demais).

O resultado final, após tanto lapidar este disco, é bem satisfatório. O Symphony X parece estar embarcando em uma nova etapa do seu som, com menos progressividade de outros tempos, porém com mais vigor. Muitos não gostaram dessa mudança enquanto outros aceitaram e assimilaram bem. No final das contas, Iconoclast mantém o nível no alto e é recomendável.

Nota: 9,0



Tracklist:

Iconoclast
The End Of Innocence
Dehumanized
Bastards Of The Machine
Heretic
Children Of A Faceless God
When All Is Lost
Electric Messiah
Prometheus (I Am Alive)
Light Up The Night
The Lords Of Chaos
Reign In Madness

domingo, 12 de junho de 2011

Foo Fighters - Wasting Light [Review]

Depois de quatro anos sem lançar disco, Dave Grohl resolveu reunir a sua banda na garagem de sua casa e gravar o novo disco do Foo Fighters. Grohl explicou a sua vontade de voltar às origens: ''A forma como você faz um álbum dita a forma como ele vai soar. Um dos meus discos favoritos [do Foo Fighters] foi nosso terceiro, que fizemos em meu porão na Virginia.'' Para fechar o ciclo de ''volta aos bons tempos'', o guitarrista Pat Smear retornou ao grupo e a produção ficou por conta de Butch Vig, que também produziu o Nevermind do Nirvana.

O riff metralhado seguido de um grito de Grohl em ''Bridge Burning'' mais o vocal quase Ininteligível e a guitarra distorcida em ''White Limo'' já são a prova de que este é o álbum mais pesado do conjunto americano.

Mas nem tudo é uma pancada seca. Há faixas que conciliam de forma majestosa peso e melodia, como ''Dear Rosemary', ''Back & Forth'' e ''Arlandria''. ''I Should Have Know'', que conta com o ex-companheiro de Nirvana Krist Novoselic no baixo, é introduzida como uma balada, mas se desenvolve numa ponte sedutora até eclodir em um grande refrão. ''One Of These Days'' também é uma espécie de semibalada com refrão grudento e instrumental sacolejante.

Com quase toda a discografia em nível mediano, o Foo Fighters produz um rock de garagem direto ao ponto e sem aparatos tecnológicos de última geração em Wasting Light. Começou com cinco caras tocando e se divertindo numa garagem e terminou o melhor álbum já lançado pela banda e grande concorrente as listas de melhores do ano.

Nota 9,5:


Tracklist:

01 – Bridge Burning
02 – Rope
03 – Dear Rosemary
04 – White Limo
05 – Arlandria
06 – These Days
07 – Back & Forth
08 – A Matter Of Time
09 – Miss The Misery
10 – I Should Have Known
11 – Walk

sábado, 11 de junho de 2011

Kairos - Sepultura (Resenha)


Tradição, metal na veia, distorção ensurdecedora, ritmos brasileiros. Tudo isso colocado dentro de um caldeirão fervente resultou na bomba chamada Sepultura, bomba essa que resolveu explodir furiosamente nos anos 90. Entretanto, a banda atravessou momentos difíceis depois do seu auge e tenta reviver os bons tempos com seu décimo segundo lançamento de estúdio, Kairos.

Palavra vinda do grego, "Kairos" possui um significado relacionado à tempo (bem representado também na arte da capa), com isso o Sepultura faz uma viagem pela sua própria história e a narra em suas letras, como bem contou o baixista Paulo Jr. Os temas líricos também repreendem os severos críticos anônimos de internet que, segundo eles, têm sido muito injustos em seus julgamentos sobre a banda. O álbum pode então ser, de certa maneira, considerado conceitual como seus dois antecessores A-Lex (baseado em A Laranja Mecânica de Anthony Burgess) e Dante XXI (sobre A Divina Comédia de Dante Alighieri)

Mas e na sonoridade? Há essa retomada do passado? Essa era a principal pergunta que se faziam os fãs. A verdade é que o Sepultura é dividido em três fases: a primeira calcada no death metal sem Andreas Kisser; a segunda, o ápice, com os irmãos Cavalera e Andreas; e a atual, sem os Cavalera e com Andreas, com um metal mais industrial e com toque de hard core. Kairos mantém essa nova pegada, mas com alguns resquícios de temas de Arise e Chaos A.D. Kisser compôs bons solos e riffs bem cadenciados. Derrick Green, apesar de não fazer o gosto de grande parte do público, é competente no vocal.

Porém, ainda há muito o que melhorar. O início é bom com faixas empolgantes como Spectrum, Kairos, Relentless, Dialog e Mask, mas depois começa a cair na repetição e peca um pouco na falta de inspiração. A ausência de uma segunda guitarra faz muita falta no que poderia dar uma consistência maior ao som. E muitas vezes falta também uma pegada mais thrash e impetuosa ao estilo Refuse/Resist.

Pelo andamento das coisas, será muito difícil uma reunião da formação clássica, então é bom os fãs que são a favor do reencontro irem se conformando tentando ver os pontos positivos da atual composição. Esta é a maior banda brasileira de metal da história buscando uma estabilização com um disco que provavelmente dividirá opiniões como os últimos.

Nota: 7,5



Tracklist:

Spectrum
Kairos
Relentless
2011
Just One Fix
Dialog
Mask
1433
Seethe
Born Strong
Embrace The Storm
5772
No One Will Stand
Structure Violence (Azzes)
Adicionar imagem

Illud Divinum Insanus - Morbid Angel (Resenha)


Aclamada por milhares de headbangers em todo o mundo, o Morbid Angel, uma das bandas mais tradicionais do Death Metal, lança agora em Junho seu oitavo álbum de estúdio intitulado Illud Divinum Insanus. O álbum começar com a letra "I" não é coincidência, uma vez que é costume do Morbid seguir uma ordem alfabética das inicias dos nomes dos discos, sendo o anterior denominado Heretic.

Uma infelicidade havia ocorrido em 2010, o emblemático baterista Pete Sandoval fora obrigado a se afastar temporariamente do grupo por ter tido que se submeter a uma cirurgia nas costas. O seu substituto eleito foi Tim Yeung (All That Remains, Hate Eternal) que foi eficiente no seu propósito. O guitarrista Destructhor também foi uma novidade para a gravação deste novo álbum. No mais, David Vicent ataca mais uma vez com seu vocal matador, não à toa é uma das principais figuras do gênero.

A sonoridade da banda, como acontece com diversas outras "old-school", vai ganhando toques de metal mais moderno, riffs um pouco mais limpos (isso não quer dizer que perderam a pegada "death") e uma técnica mais apurada. Apesar disso, algumas tracks nos remetem aos áureos anos 90, como Blades For Baal e a single Nevermore. Essas são boas músicas que, em nome da qualidade do conjunto, se juntam com os pontos altos Too Extreme, I Am Morbid (ambas como uma metalinguagem da banda e seu estilo) e a excelente 10 More Dead. As músicas vêm carregadas com curtos, mas bons solos.

Após longuíssimos oito anos de espera, o Morbid Angel brinda seus fãs com mais uma de suas aulas de metal extremo, competentes como sempre. Provavelmente agradará em cheio seus apreciadores e trará novo sangue à banda. Boa audição!

Nota: 8,5



Tracklist:

Omni Potens
Too Extreme
Existo Vulgore
Blades For Baal
I Am Morbid
10 More Dead
Destructos Vs. The Earth - Attack
Nevermore
Beauty Meets Beast
Radikult
Profundis - Mea Culpa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pagan's Mind - Heavenly Ecstasy [Review]

Dando início em seus trabalhos em 2000, os noruegueses do Pagan's Mind vinham se destacando dentro do universo do metal progressivo depois de dois excelentes álbuns, e consolidou de vez seu nome dentro desse cenário com o impecável Enigmatic: Calling, e depois com o ótimo God's Equation em 2007, que dividiu um pouco os fãs. Quatro anos depois, a banda volta com Heavenly Ecstasy, um álbum que mistura a sonoridade do início de sua carreira com a adotada ao longo dela, a já conhecida mistura da melodia do power metal com pitadas de thrash, resultando num prog metal único e com identidade. A mistura já mostrou ser muito boa, mas neste álbum soa bem previsível, o que compromete o resultado final.

Ainda assim primorosa musicalidade do grupo pode ser vista neste álbum. Nils K. Rue se destaca novamente, pois além de mostrar o lado melódico de sua voz, também consegue mesclar a suavidade com momentos bem agressivos, como em Intermission e na faixa mais longa do disco, Revelation To The End. O guitarrista Jorn Viggo também se destaca, impondo bons riffs e solos muito bem executados, mesclando boas melodias com alguns riffs mais grooveados, como em Eyes Of Fire. E o som do Pagan's Mind não estaria completo sem o onipresente teclado de Ronny Tegner, com texturas muito ricas e até sintetizadores à la anos 80, como em Follow Your Way.

O principal motivo das queixas contra God's Equation foi a sonoridade um pouco repetitiva, e o peso extra nas canções foi vista como uma tentativa de comercializar o som. Depois de três discos com canções praticamente com a mesma fórmula, a banda criou uma identidade. Acontece que o Pagan's Mind lançou álbuns com composições ricas e mesmo depois de três discos, o talento dos integrantes na execução das músicas não deixavam elas soarem repetitivas, o que, infelizmente, não acontece neste álbum.

No geral, Heavenly Ecstasy é um bom álbum, mas muito aquém das expectativas e mostra que já está na hora de a banda tentar ousar um pouco mais e apostar em estruturas musicais mais variadas. Fica a torcida para que isso aconteça no próximo disco.


Nota 7,0

Tracklist:
01. Contact
02. Eyes Of Fire
03. Intermission
04. Into The Aftermath
05. Walk Away In Silence
06. Revelation To The End
07. Follow Your Way
08. Live Your Life Like A Dream
09. The Master`s Voice
10. Never Walk Alone
11. When Angels Unite
12. Create Your Destiny
13. Power Of Mindscape

quarta-feira, 8 de junho de 2011

TV On The Radio - Nine Types Of Light (Resenha)

Os americanos do TV On The Radio já deixaram claro que suas influências vão do free jazz à eletrônica passando pelo trip hop. Em Nine Types Of Light, quarto disco oficial (eles lançaram dois EP´s e uma demo) do grupo liderado pelo vocalista Tunde Adebimpe (que também é ator e diretor), essa mistura de gêneros fica mais clara e mais bem montada.

Adebimpe é versátil em suas vocalizações, vai desde falsetes fantasmagóricos (''You'') à la Bee Gees, lamentos insólitos que ecoam os murmurios do Radiohead (''Killer Crane'') e chegam ao quase rap em ''No Future Shock''. As guitarras são mais pesadas em alguns momentos, como ''Repetition'', em outros fazem uma base simples para ritmos dançantes, tal como ''Caffeinated Consciousness''. Mas a canção que mais chama atenção é ''Will Do'', uma singela balada de amor de refrão fácil e agradável.

A cada disco o TV On The Radio amadurece e mostra que vai além da esfera taxativa e limitativa do indie rock. Apesar de ainda ter um pé nesse segmento, sua diversificação e abrangência de estilos é o maior ponto forte e a característica que mais atrai no grupo, mas ainda assim, falta mais criatividade do grupo para lançar um trabalho de qualidade além do mediano.

Nota: 8,5


Tracklist:

01 – Second Song
02 – Keep Your Heart
03 – You
04 – No Future Shock
05 – Killer Crane
06 – Will Do
07 – New Cannonball Blues
08 – Repetition
09 – Forgotten
10 – Caffeinated Consciousness
11 – All Falls Down

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Arch Enemy - Khaos Legions [Review]

Desde a chegada de Angela Gossow, no álbum Wages Of Sin, o Arch Enemy vem adotando uma sonoridade mais melódica e acessível, o que não agradou tanto aos fãs mais antigos, mas impulsionou a carreira da banda e a tornou conhecida mundialmente. Há quatro anos sem lançar um álbum de inéditas, a banda deixou todos numa grande expectativa quando anunciou Khaos Legions. O novo álbum é ótimo, mas dá a sensação de que algo está faltando.

O álbum abre com Khaos Overture, uma instrumental que começa apenas com a guitarra de Michael Amott, que logo é seguida por baixo e bateria e "sons de caos", remete um pouco a Tears Down The Walls, de Anthems Of Rebellion. Uma passagem falada dá final a intro e impulsiona o riff simples de Yesterday Is Dead And Gone. A faixa conta com uma ótima performance dos irmãos Amott e abre o álbum de forma convincente.

Em seguida temos Bloodstained Cross, com riffs super rápidos, mostrando a veia thrash da banda, boas melodias de guitarra e um excelente solo. Under Black Flags We March tem boas linhas de baixo e um riff mais lento e pesado, canção bem ao estilo Arch Enemy pós-Anthems Of Rebbelion. No Gods, No Masters é uma boa música, mas fica totalmente deslocada do restante do álbum.

City Of The Dead bota o álbum nos trilhos novamente, com Angela Gossow despejando brutalidade, como também faz em Through The Eyes Of a Raven, uma das mais técnicas do álbum, alia peso, velocidade e boas melodias, com uma boa passagem de violão clássico no final. Cruelty Without Beauty e Cult of Chaos são rápidas e lembram um pouco a sonoridade de Burning Bridges, com ótima performance do baterista Daniel Erlandsson e dos irmãos Amott, que se destacam também na faixa seguinte, Thons In My Flesh.

Depois mais uma desnecessária faixa instrumental temos Vengeance Is Mine, com o melhor riff do disco, com uma pegada bem thrash à la Slayer, seguida da melódica Secrets, que soa um pouco power metal. A versão japonesa do álbum conta ainda com dois bônus, um cover de The Zoo, clássico do Scorpions, e a intrumental Snowbound, uma versão acústica da mesma lançada no álbum Wages Of Sin. The Zoo ganha uma boa dose de peso, mas assim como a faixa seguinte, fica um pouco a parte no álbum.

Khaos Legions não é o álbum que todos esperavam, mas ainda assim é um ótimo disco. Como de costume, os irmão Amott foram o destaque, com riffs e solos excelentes aliando técnica e feeling, e esse disco os credencia como uma das melhores duplas do metal atualmente. Um ponto negativo são as faixas instrumentais. Tirando a intro, elas são desnecessárias, principalmente Turn To Dust, que de certa forma quebra o ritmo por estar no meio de Thons In My Flesh e Vengeance Is Mine, duas faixas bem rápidas. Também sente-se a falta de um refrão marcante, mas, ainda assim, o álbum tem qualidade suficiente para figurar na consistente discografia do Arch Enemy e deixar a banda na elite do melodic death metal.


Nota 8,0

Tracklist:
1. Khaos Overture
2. Yesterday is Dead and Gone
3. Bloodstained Cross
4. Under Black Flags We March
5. No Gods, No Masters
6. City of the Dead
7. Through the Eyes of a Raven
8. Cruelty Without Beauty
9. We are a Godless Entity
10. Cult of Chaos
11. Thorns in My Flesh
12. Turn to Dust
13. Vengeance is Mine
14. Secrets
15. The Zoo (Sorpions cover)
16. Snowbound (Acoustic)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Týr - The Lay Of Thrym [Review]

Formada em 1998, o Týr foi uma banda que causou uma certa má impressão pelo seu álbum de estreia um tanto precipitado, How Far To Asgaard, que lembra muito pouco a atual sonoridade da banda. O segundo álbum, Eric The Red, já mostrava uma grande evolução, principalmente pelo fato de que o guitarrista Heri Joensen assumiu também os vocais, com a saída do vocalista Pól Arni Holm. A voz de Joensen se tornou uma das principais marcas do Týr. O som primitivo e simples do primeiro álbum dava lugar um som mais progressivo, recheado de passagens épicas. Desde então a banda vem progredindo substancialmente.

The Lay Of Thrym é inspirado em Þrymskviða (A Canção de Thrym), um poema da Edda Poética, uma coleção de poesia nórdica antiga. O poema conta a história do gigante Thrym, que rouba o martelo de Thor e exige a deusa Freya como pagamento.

É sensível a evolução da banda em relação aos discos anteriores. As linhas instrumentais estão bem mais pesadas e trabalhadas, principalmente a cozinha, baixo e bateria estão bem mais variados. As guitarras também evoluíram, e são o destaque do disco, com riffs marcantes e solos muito bem compostos. Como já dito, Heri Joensen se tornou uma das marcas da banda, pois seu timbre e o modo simples de cantar casam perfeitamente com o som proposto, e o vocalista foi outro a evoluir, apresentando um vocal mais maleável e potente. Além disso tudo, a produção está cristalina.

Esse disco também mostra um repertório mais versátil, como a pesada Fields Of Fallen, um heavy metal com levada mais tradicional, a belíssima balada Evening Star, e Konning Hans, cantada em Feroês. Outros destaques são Flames Of The Free, que abre o álbum com tudo, Hall Of Freedom, canção que resume basicamente o som da banda, e Take Your Tyrant, com seu refrão forte e pegajoso. Os covers de Black Sabbath e Rainbow, I e Stargazer, ambas cantadas por Ronnie James Dio, ficaram corretas e até simples, mas com a identidade da banda.

A maior força do Týr está na diversão ao ouvi-la, a banda mostra muita energia em todas as canções e os refrãos fáceis contribuem muito para isso, e também percebemos algumas características que facilmente são reconhecidas como somente da banda, mostrando que eles já definiram um estilo próprio. The Lay Of Thrym é um álbum sólido, poderoso e representa o ápice da evolução da banda e o ponto alto de sua discografia.


Nota 8,5


Tracklist:
01. Flames of the Free
02. Shadow of the Swastika
03. Take Your Tyrant
04. Evening Star
05. Hall of Freedom
06. Fields of the Fallen
07. Konning Hans
08. Ellindur Bondi a Jadri
09. Nine Words of Lore
10. The Lay of Thrym

Bonus Tracks:
11. I [Black Sabbath cover]
12. Stargazer [Rainbow Cover]

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Álbum da Semana: Wyllt - Black Math Horseman

Wyllt, lançado em 2009, foi o debut do quarteto norte-americano Black Math Horseman. Calcado em uma sonoridade sombria, misteriosa e pesada, o álbum dentre outras, chama a atenção pelo vocal intenso e encorpado da bela Sera Timms, também baixista da banda.

Como não poderia deixar de ser as influências do grupo se mostram com bases na década de 70, em especial Black Sabbath e Led Zeppelin. Adicionaram a essa, várias referências dos mais contemporâneos rock/metal progressivo, atmospheric doom metal e rock psicodélico, tornando o som devastador e sutil.

Se gostar desse, fique no aguardo, em breve estarão lançando um novo disco.




Tracklist:

01. Tyrant
02. Deerslayer
03. A Barren Cause
04. Origin of Savagery
05. Torment of the Metals
06. Bird Of All Faiths And None - Bell From Madrone

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Amorphis - The Beginning Of Times [Review]

Consolidada nos últimos anos como uma das bandas mais relevantes do metal depois de três álbuns impecáveis, Eclipse (2006), Silent Waters (2007) e Skyforger (2009), o Amorphis volta agora com The Beginning Of Times. Não coindidentemente, o Amorphis deu uma guinada depois de Eclipse, justamente o álbum de estreia de Tomi Joutsen nos vocais. O fato é que Joutsen deu uma bela rejuvenescida no som da banda, que já vinha mudando desde Elegy (1996), com sua voz repleta de emoção e personalidade e foi importante para a construção da sonoridade única do Amorphis. O novo álbum segue a linha dos anteriores, com melodias cativantes e envolventes, belas passagens calmas de teclado, e alguns resquícios de música extrema.

Também como os anteriores, as letras The Beginning Of Times foram inspiradas no Kalevala - um poema épico finlandês - e seus personagens, especificamente em Väinämöinen, descrito pela banda como "um icônico herói da mitologia finlandesa".

Em The Beginning Of Times as músicas estão um pouco mais rápidas, e também mais melancólicas e progressivas, mas os refrãos de fácil audição ainda estão presentes e dão mais feeling às canções, principalmente pela performance Tomi Joutsen, orientado por Marco Hietala (Tarot, Nightwish). Entre os destaques estão Battle For The Light, a faixa que abre o álbum, com uma introdução típica do Amorphis: o teclado sozinho numa melodia triste, que logo é acompanhada pelas guitarras e a bateria. É o que acontece também com Mermaid, a segunda faixa, porém nela o teclado é acompanhado de vocais femininos. A música tem guitarras mais presentes e um bom riff, e também um bom solo de teclado. You I Need foi lançada como single, tem um solo muito bom de guitarra, que é impulsionado por um tímido vocal feminino no fim de uma bela passagem de teclado.

Song Of The Sage é a mais variada do disco, começa com um riff de guitarra bem power metal e um andamento rápido, mas possui passagens com ritmos com origem folk metal e até a presença de flautas. Three Words é uma bela música, com passagens bem calmas valorizando a voz de Joutsen. Vale destacar também faixa bônus Heart's Song, com flautas e hammonds tímidos ao fundo e um belo trabalho na guitarra. As demais faixas seguem a mesma fórmula , mas as diferentes transposições entre os instrumentos não deixam as canções soarem repetitivas e dão uma forte sensação de individualidade à cada uma, transformando cada faixa em um elo importante.

Os guturais estão mais presentes do que no último álbum da banda, mas são usados de maneira muito coerente, e ao contrário do que acontece muito em bandas que misturam o melódico com o brutal, os guturais não são usados apenas como contraste com a voz limpa, pois a transição entre os dois está bem suave, com exceção de Soothsayer, onde os vocais guturais e limpos são executados até ao mesmo tempo e tem até a participação de um vocal feminino.

The Beiginning Of Times continua com a mesma sonoridade dos álbum anteriores, e, se erra por falta de variedade, acerta, e muito, na qualidade das canções. Um ponto interessante é que existem riffs e passagens mais sutis que são quase imperceptíveis na primeira audição, e talvez até na segunda. Isso gera uma sensação de descoberta constante e só contribui para a grandiosidade do trabalho. Eis mais um disco consistente na carreira do Amorphis, mostrando que a banda ainda não perdeu criatividade e a deixando ainda como uma das mais relevantes do metal moderno.


Nota 9,5


Tracklist:

01. Battle For Light
02. Mermaid
03. My Enemy
04. You I Need
05. Song Of The Sage
06. Three Words
07. Reformation
08. Soothsayer
09. On A Stranded Shore
10. Escape
11. Crack In A Stone
12. Beginning Of Time
13. Heart’s Song (digipack bonus)
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